Ayrton Senna, F1, Fórmula 1

Por que Ayrton Senna teve mais poles que vitórias na F1?

Um dos recordes que Ayrton Senna detém na F1 é o de maior número de poles não convertidas em vitória.

O tricampeão, cuja morte completa 24 anos nesta terça-feira, largou na posição de honra do grid em 65 oportunidades, das quais 29 se transformaram em triunfos.

Ou seja, em 36 corridas partindo da pole (55,3%) ficou fora do degrau mais alto do pódio.

E por que isso acontecia?

O primeiro fator é que Senna era um piloto muito bom em uma só volta rápida. Apenas Lewis Hamilton e Michael Schumacher registraram mais poles que ele.

Mesmo quando tinha um carro competitivo, mas que não era o melhor do grid, o brasileiro conseguia se classificar bem. Foi assim, com a Lotus, pela qual largou na frente 16 vezes, de 1985 a 1987, e nas suas últimas três corridas na carreira pela Williams.

E o segundo motivo é que era muito mais difícil completar uma corrida da F1 na época de Senna. Hoje, as pistas são mais seguras, com asfalto no lugar de caixas de brita. Assim, se antes uma rodada ou uma escapada podia significar fim de prova, hoje basta dirigir o carro de volta para o traçado com segurança.

O regulamento atual também é restritivo com os equipamentos. Como as equipes são punidas por trocas de motor (só podem usar três em toda a temporada) e câmbio, então esses componentes trabalham longe do limite. É mais raro que eles falhem.

Isso sem falar na engenharia de materiais, que se desenvolveu ao longo desses anos para criar equipamentos muito mais duradouros, e do maior investimento das equipes em confiabilidade.

E a falta de confiabilidade explica por que Senna teve menos vitórias que poles. Das 36 vezes em que largou na posição de honra do grid, em 23 dessas provas o brasileiro abandonou ou foi desclassificado, não sendo, portanto, problema de rendimento ou de estratégia.

Mas ter dificuldade para converter pole em vitória não é uma exclusividade de Senna. É uma situação normal para os grandes campeões. Lewis Hamilton aparece em segundo da lista com, até agora, 33 vezes partindo da primeiro posição, mas não recebendo a bandeira quadriculada na frente (45,2%). Michael Schumacher é o terceiro, com 28 (41,1%), e Sebastian Vettel, o quarto, com até agora 23 (43,4%).

A quinta posição é de Nelson Piquet. Das 24 poles do também tricampeão, só cinco viraram vitórias. Nas outras 19 (79,1%), ou ele abandonou, ou foi ultrapassado.

Agora, se avaliarmos o número de triunfos de cada piloto saindo de uma posição diferente do grid, o recorde é de Michael Schumacher, com 51 vitórias largando a partir do segundo lugar.

Alain Prost vem logo atrás, com 33. O francês, aliás, é um dos poucos multi-campeões da F1 com mais vitórias (51) que poles (33). Mas essa era uma situação mais do que esperada. Afinal, se Senna não estava convertendo todas as suas largadas da posição de honra, então alguém tinha que ganhar essas corridas.

Já o brasileiro teve 12 triunfos saindo de outra colocação do grid, quase metade dos abandonos que teve quando partia da pole. Aí é claro que ele ia ter mais poles que vitórias na F1.

Foto: George Voudouris

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