Há 25 anos, o título da Indy foi disputado entre Nigel Mansell e Emerson Fittipaldi. Em comum, ambos já tinham sido campeões da F1 antes de se mudarem para os EUA.

Naquele mesmo ano, Ayrton Senna havia testado pela categoria americana como forma de pressionar a McLaren a renovar seu contrato nos termos que ele queria, e Nelson Piquet havia retornado a Indianápolis após o grave acidente que sofrera em 1992.

Durante muito tempo, a Indy buscou pilotos da F1, mesmo que em fase final da carreira, para melhorar o grid. A lista é enorme, saindo de Mario Andretti, passando por Teo Fabi e chegando a Rubens Barrichello.

Só que com a cisão em 1996, grids pequenos e presença cada vez menor das montadoras, essa prática foi abandonada. Voltou no ano passado, quando Fernando Alonso disputou as 500 Milhas de Indianápolis.

Com o novo carro deste ano, diversos pilotos que competiam na Europa, como Robert Wickens, se mudaram para os EUA para tentar carreira na Indy. Veja abaixo cinco pilotos do atual grid da F1 que poderiam seguir o mesmo caminho:

Brendon Hartley

5) BRENDON HARTLEY

Toda vez que você vir o carro de número 10 pilotado por Ed Jones, não esqueça que o neozelandês da Toro Rosso havia acertado para correr com ele neste ano.

Mas aí a escuderia italiana demitiu Daniil Kvyat no meio da temporada passada e emprestou Carlos Sainz Jr para a Renault. Precisando de um piloto, o time foi atrás de Hartley, que já havia defendido o Red Bull Junior Team no começo da carreira e estava buscando uma vaga para 2018 depois que a Porsche, para quem competia, anunciou a saída do WEC.

Hartley fez algumas corridas pela Toro Rosso ainda no ano passado e agradou. Depois de uma longa negociação, a Ganassi aceitou liberá-lo e foi buscar Jones, que ainda não havia assinado a renovação com a Dale Coyne.

Só que o neozelandês ainda não se firmou na F1. Após três corridas, é o último colocado na tabela, tendo o 15º lugar na Austrália como melhor resultado. Em comparação, seu companheiro de equipe, Pierre Gasly, foi o quarto no Bahrein. Ou seja, se a paciência da Toro Rosso acabar, a Indy pode mais uma vez ser o destino de Hartley.

Marcus Ericsson

4) MARCUS ERICSSON

Para se ter uma ideia do calvário do sueco na F1, antes do GP do Bahrein deste ano, quando foi o nono colocado, a última vez que ele havia pontuado tinha sido no GP da Itália de 2015, 50 corridas antes. Talvez uma hora o ânimo de andar por uma das piores equipes do grid termine.

Se ele buscar uma mudanças de ares pode se inspirar no compatriota Stefan Johansson. Tendo defendido Ferrari e McLaren em meados da década de 1980, ele viu a carreira estagnar nos anos seguintes ao andar por times menores, como Onyx, Ligier, AGS e Footwoork.

Assim, no começo da década de 1990, arrumou suas malas e foi para os EUA. Por quatro temporadas e meia competiu pela Bettenhausen, obtendo quatro terceiros lugares como melhores resultados, sendo dois deles em Vancouver, no Canadá.

Kevin Magnussen

3) KEVIN MAGNUSSEN

Em 2014, o dinamarquês ficou sem vaga na F1 quando a McLaren acertou o retorno de Fernando Alonso. Para não ficar sem correr, negociou com a Andretti, na Indy, mas não foi liberado do contrato que tinha com a escuderia inglesa.

Demitido da McLaren por e-mail no aniversário em 2015, ele conseguiu voltar à F1 no ano seguinte pela Renault e, desde a temporada passada, está na Haas.

Magnussen, no entanto, não descarta um dia correr nos EUA. Quando sua passagem pela F1 terminar, ele pretende disputar as 500 Milhas de Indianápolis, assim como a temporada completa da Indy.

A inspiração vem de casa. Seu pai, Jan Magnussen, competiu em algumas etapas da Indy, no fim da década de 1990. Mas ele sobressaiu mesmo foi nas provas de longa duração, nas quais até hoje defende a equipe de fábrica da Corvette.

Sergio Pérez

2) SERGIO PÉREZ

No começo deste ano, a Indy tentou até o último minuto conseguir um acordo com o México para realizar uma etapa em Hermanos Rodríguez, mas não deu certo. Um dos motivos foi a falta de um piloto do país no grid (já que Esteban Gutiérrez não fechou com a Dale Coyne), para alavancar a venda de ingressos e a busca por parceiros comerciais.

Talvez o melhor nome para essa empreitada seja o de Sergio Pérez. Na F1, ele já provou seu talento com sete pódios, embora os tenha conquistado por equipes médias, como Sauber e Force India.

Se a promoção para uma maior não vir nos próximos anos, uma opção é atravessar o oceano Atlântico para tentar a Indy, onde oportunidades não devem faltar para um piloto com talento comprovado como o dele.

Curiosamente, Pérez já teve como empresário Adrian Fernandez, piloto que correu na Indy nas décadas de 1990 e 2000, mas a parceria entre eles acabou mal, com várias polêmicas e acusações.

1) KIMI RAIKKONEN

A Indy já teve Emerson Fittipaldi, Nigel Mansell e Mario Andretti. Se for para apontar outro campeão da F1 que pode se mudar para os EUA, por que não o finlandês que todos os anos é especulado fora da Ferrari?

Se fosse o Kimi do começo da década, dava para escrever que a vida noturna americana seria o motivo perfeito para ele recomeçar a carreira nos EUA. Hoje, no entanto, ele está mais interessado em atualizar seu perfil no Instagram e passar o tempo com a mulher e filha.

Ou seja, nada melhor que arrumar uma casa em Los Angeles, ser tratado como celebridade e fazer stories no passeio de família aos vinhedos do Napa Valley ou ao Cabo Canaveral.

Lembrando que, antes de voltar à F1, ele considerou fazer carreira na Nascar. Correu pela Truck Series e pela Xfinity em Charlotte e nunca mais voltou.