Como a Hyundai se tornou a principal força do TCR

Por ser uma montadora que inicia seu primeiro projeto em corridas em circuitos, é até estranho dizer que a Hyundai começa 2018 como principal força no TCR.

E tudo isso tendo Audi, Volkswagen e Honda como principais concorrentes.

Apesar de a temporada ainda não ter começado, a Hyundai é a principal força porque conseguiu fechar com diversas grandes equipes dos mais variados campeonatos de TCR.

No mundial, o WTCR, a fabricante será representada pela BRC (equipe italiana que conta com apoio de fábrica) e pelo time do veterano Yvan Muller, tetracampeão do WTCC e que terá Thed Bjork, último vencedor do Mundial de Carros de Turismo, como companheiro.

A Target, uma das principais escuderias do certame alemão, inscreverá três Hyundai i30 N TCR no europeu. E, nos EUA, onde é uma divisão da Pirelli World Challenge, caberá à equipe de Bryan Herta alinhar dois modelos sul-coreanos para os veteranos Mark Wilkins e Michael Lewis (que curiosamente foi companheiro de equipe de Carlos Sainz e Daniil Kvyat na época da F-BMW e depois).

E como a Hyundai chegou a essas equipes?

Foi um processo que começou com o desenvolvimento do i30 N TCR, capitaneado pelo veterano Gabriele Tarquini, e que terminou com duas vitórias em seis corridas disputadas no fim do ano passado.

Ao longo de 2017, a Hyundai seguiu a cartilha da Audi e de outras grandes fabricantes, fazendo inúmeros testes para deixar o equipamento pronto para a estreia no TCR. Não teve nada de chegar para a primeira corrida do ano e ainda esperar algum fornecedor atrasado entregar de última hora algum componente que faltava.

E quando Tarquini já havia completado quilômetros e mais quilômetros nos testes, Alain Menu, outro vencedor do WTCC, foi chamado para ajudar a finalizar a avaliação.

Com tudo pronto, a equipe italiana BRC – com apoio da Hyundai – inscreveu os i30 de Tarquini e Menu para as duas últimas etapas do TCR no ano passado.

Só que o desempenho do carro seria limitado. Como o equipamento não havia sido homologado no começo do ano e a BRC contava com apoio de uma montadora – algo proibido pelas regras do TCR -, Tarquini e Menu não somariam pontos nem poderiam disputar a fase final do treino classificatório. Ou seja, mesmo que fossem os mais rápidos, largariam no máximo no 11º lugar.

E foi justamente o que aconteceu. Na estreia, na China, Tarquini saiu do 11º posto do grid para a vitória na corrida principal. E Menu obteve um quarto e um quinto lugares nas duas etapas das quais participou, também precisando fazer provas de recupeação. Já no Europeu, apesar de não pontuar, o Hyundai do piloto italiano conquistou uma pole, uma vitória e um segundo lugar em duas corridas.

O que era para ser uma limitação se tornou publicidade positiva para a marca. Primeiro porque interessados no TCR queriam saber por qual razão o carro mais rápido largava apenas em 11º. E, segundo, devido ao bom desempenho do equipamento sul-coreano, que conseguia rapidamente ganhar posições.

Assim, o i30 N TCR passou a ser procurado por pilotos e equipes de vários campeonatos em todo o mundo.

Em comparação, a Kia, outra montadora sul-coreana na modalidade, investiu bem menos e tem sofrido com a falta de interesse em seu Cee’d. Foram poucos os carros dela que andaram no ano passado. No torneio internacional – que será substituído pelo Mundial neste ano -, só esteve em duas etapas. Em ambas, foi inscrito pela Zengo, pequena equipe húngara que ficou mais conhecida por revelar Norbert Michelisz no WTCC.

A aventura do Kia Cee’d do time húngaro teve contratempos como o contrato só ter sido assinado um dia antes da estreia do modelo e, como consequência, o piloto Ferenc Ficza ainda ter perdido um dos treinos livres porque o equipamento não ficou pronto a tempo. Outro Kia participou do campeonato escandinavo de TCR, mas também sem destaques.

Aliás, por falar em Michelisz, o húngaro trocou a Honda pela Hyundai para 2018 e é um dos favoritos ao título do WTCR. Mas resta saber se na pista a montadora sul-coreana vai conseguir continuar como a principal força do campeonato, que está sendo até agora.

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