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Problemas de agenda são recorrentes para a Toyota

Ver a Toyota se meter em uma bagunça com as datas do WEC, o campeonato mundial de endurance, não é novidade.

No ano passado, a etapa de Nurburgring do certame caiu no mesmo fim de semana da rodada de Nova York da Formula E, categoria até então liderada por Sébastien Buemi, um dos principais pilotos da Toyota nas provas de longa duração.

A montadora exigiu que o suíço corresse na Alemanha, o que comprometeu as chances de Buemi nos carros elétricos e facilitou a virada que ele levaria de Lucas Di Grassi.

Dessa vez, o problema é Fernando Alonso. Para que o espanhol possa participar da etapa de Fuji – casa da Toyota – a montadora pediu para a organização do WEC que mudasse a data da corrida, uma vez que era no mesmo dia que o GP dos EUA da F1, onde Alonso também compete.

A mudança foi feita, mas criou um novo choque: com a Petit Le Mans, última etapa da Imsa.

Diversos pilotos do WEC, como Bruno Senna, Mike Conway e Nicolas Lapierre, já tinham contrato para a prova americana. Ou seja, agora eles precisarão escolher de qual vão participar.

Esses pilotos criticaram a organização do Mundial de Endurance por ter mudado a data de uma corrida para favorecer um único competidor e reclamam que o WEC deveria ter mais respeito com eles, que estão há anos no campeonato.

Há ainda um choque de datas entre Fuji e uma das provas do Super GT – onde correm Kazuki Nakajima e Kamui Kobayashi, ambos da Toyota -, mas que deve ser desfeito pela própria organização do campeonato nipônico.

Problemas de agenda não são uma novidade no automobilismo. Durante muitos anos, a Audi trabalhou nos bastidores para que as corridas do WEC não caíssem em fins de semana de DTM e Formula E, outros torneios nos quais compete. Assim, a montadora sempre garantia ter seus melhores pilotos disponíveis.

Com a saída da Audi das corridas de longa duração, nenhuma montadora/equipe percebeu eventuais conflitos de agenda de seus pilotos – ou não tinha força política – para pedir mudanças no calendário, o que causou os problemas da Toyota.

A confusão atual começou ainda no ano passado. No dia 1º de setembro, a organização do WEC anunciou que a próxima temporada começaria em 2018, mas terminaria só em junho de 2019. A categoria precisava divulgar logo os planos deste ano para minimizar a saída da Porsche da divisão LMP1 e confirmar que continuaria existindo.

Ironicamente, duas semanas depois, o WEC fez um adendo ao calendário mudando a data da corrida de Fuji para não coincidir com a Petit Le Mans.

Aí é que fica a questão. Será que nesse momento a Toyota já negociava com Alonso? É provável que não. O espanhol só renovou com a McLaren para 2018 em outubro, exigindo que no contrato houvesse a liberação para que participasse de outros campeonatos, quando não fosse fim de semana de F1.

Do contrário, caso já houvesse conversas – mesmo ainda iniciais – entre piloto e montadora, é que aconteceu o vacilo de não reservarem Fuji para uma data sem conflito com a F1 nem com Petit Le Mans. Erro que a Audi não costumava cometer.

No fim de novembro, Alonso testou o carro da Toyota pela primeira vez, embora a confirmação do acordo com a montadora só tenha sido divulgado em janeiro. Aí era tarde. Calendários do WEC, F1 e Imsa já haviam sido divulgados, e ficou impossível agradar todo mundo.

É claro que o Mundial de Endurance deve tomar decisões que o favoreça, mas, para um campeonato que correu o risco de não ser disputado em 2018, é péssimo que tenha entrado em rota de colisão com seus pilotos mais leais.

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