A organização do DTM, principal campeonato de carros de turismo da Alemanha, já está pensando em um plano B para compensar a saída da Mercedes. A montadora, que alinha seis carros na categoria, já anunciou que deixará o campeonato no fim desta temporada para se concentrar na Formula E.

A estratégia inicial para suprir a saída era criar um pacote de regras em conjunto com o Super GT, do Japão. Assim, Honda, Lexus (Toyota) e Nissan, as montadoras que correm por lá, poderiam também participar das corridas na Alemanha e vice-versa.

Mas segundo a revista Autosport, praticamente não há interesse dessas três fabricantes de entrar no DTM.

O plano B, assim, seria mudar as regras em 2019 e aceitar carros GTE, os GT2 que andam no WEC e na divisão GTLM da Imsa.

Faz algum sentido. As equipes que disputam o WEC só têm três corridas marcadas por enquanto para 2019 por causa da Superseason (a próxima temporada começa em abril deste ano e vai até junho do ano que vem). Ou seja, no intervalo dessas provas elas poderiam participar do DTM.

E há muitos carros GTE já construídos e que poderiam ser usados. Ferrari, Aston Martin, Porsche, Ford e BMW disputam o WEC, enquanto a Corvette participa da Imsa. Essas montadoras poderiam entrar no DTM ou então vender seus equipamentos para equipes clientes no campeonato.

Mas, ao mesmo tempo, seria um tiro no pé. A Audi, segunda montadora mais antiga do DTM, não tem um modelo GTE. Ou seja, seriam duas montadoras a menos com relação a 2018. Em vez de preencher só as seis vagas da Mercedes, a mudança no regulamento precisaria dar conta de 12 carros.

Alguém pode dizer que a Audi tem tempo de desenvolver um carro GTE, mas do ponto de vista comercial não faz sentido. Ele só poderia ser usado no DTM e na Imsa, nos EUA. No WEC, não daria mais tempo, uma vez que o modelo precisaria ser homologado já neste ano para o começo da Superseason.

Aliás, um dos problemas do DTM para encontrar uma solução para a saída da Mercedes é que seus carros são muito caros de se desenvolver e tem uma vida-útil muito baixa. Como não são usados em mais nenhum campeonato,  duram apenas um ou dois anos. Ou seja, as equipes têm o custo de adquiri-los, mas não conseguem vendê-los. É diferente do que acontece no TCR ou GT3, com um mesmo carro podendo ser usado em diversos campeonatos no mundo.

Coincidentemente, no mesmo dia em que a Autosport publicou sobre as intenções de o DTM adotar o regulamento GTE, a Adac GT Masters, também da Alemanha e que usa modelos GT3, anunciou que terá 37 carros no grid deste ano, o máximo permitido.

A categoria segue o mesmo pacote de regras da Blancpain GT Series: corridas em dupla, com uma hora de duração, com os carros podendo ter dois pilotos profissionais, amadores ou um profissional e um amador.

Talvez o DTM pudesse considerar os GT3, afinal tanto Audi quanto BMW (a outra montadora restante no campeonato) – além da Mercedes – têm equipamento nessas regras. Mas não seria absurdo pensar que a categoria busca algo mais sofisticado, por isso o interesse na plataforma GTE.