O que pode dar errado e o que pode dar certo para Pietro Fittipaldi na Indy 2018

De Rubens Barrichello a Helio Castroneves, passando por Zak Morioka e João Paulo de Oliveira, 22 pilotos brasileiros já disputaram ao menos uma etapa da Indy – levando em conta só os anos de IRL antes da fusão.

Em 2018, esse número deve ir para 24. Além de Matheus Leist, que já havia fechado com a Foyt, Pietro Fittipaldi vai dividir o segundo carro da Dale Coyne com o canadense Zachary Claman de Melo e participar de sete etapas da categoria, incluindo a Indy 500.

Mas esse contexto de estreia está longe do ideal para o neto de Emerson Fittipaldi.

Qualquer novato precisa de tempo com o carro para se adaptar a uma categoria. Como por uma questão de economia os testes são cada vez mais raros, os pilotos acabam pegando a mão do equipamento, ou no simulador, ou no próprio fim de semana de corrida.

No caso de Pietro, sete etapas – mesmo com as 500 Milhas tendo quase duas semanas só de treinos – é muito pouco.

Ainda mais porque o brasileiro não teve uma adaptação rápida pelos campeonatos de monopostos pelos quais passou. Em 2013, quando trocou a Nascar pelos certames europeus, foi apenas o oitavo colocado na F-Renault Inglesa. Terminou na tabela atrás de competidores pouco conhecidos como o malaio Weiron Tan, o chinês Hongwei Cao e o mexicano Jorge Cevallos. No ano seguinte, contra outros pilotos, Fittipaldi foi campeão dessa mesma categoria com dez vitórias.

Em 2015, o brasileiro migrou para a F3 Euro e enfrentou um grid dificílimo com mais de 30 carros em todas as etapas. Foi o 17º na classificação final, com dois sextos lugares como melhor resultado. E ficou longe de Charles Leclerc, George Russell e Alex Albon, outros estreantes naquela temporada e que até venceram corridas ou largaram na pole.

Nos dois anos seguintes, Fittipaldi se dedicou à World Series. A exemplo do que aconteceu na F-Renault Inglesa, precisou de duas temporadas para se destacar. Em 2016, foi o décimo na tabela, com apenas um pódio. Encerrou o ano atrás de Egor Orudzhev, Matevos Isaakyan, Roy Nissany, René Binder e Yu Kanamaru, entre outros.

E a maior prova de que o brasileiro precisava apenas de mais tempo de adaptação para ir bem é que, em 2017, voltou a competir contra esses mesmos pilotos e ganhou de todos eles. Foi campeão inquestionável com seis vitórias e dez poles. Era questão de pegar a mão do equipamento.

Com apenas sete etapas programadas para este ano – Phoenix, as duas de Indianápolis, Texas, Mid-Ohio, Portland e Sonoma – a adaptação à Indy pode ser complicada, e o resultado poder ser o atual campeão da World Series ocupando as últimas colocações com frequência.

Também não ajuda essas sete etapas não serem em sequência. Nos três meses que separam as provas no Texas (9 de junho) e de Portland (2 de setembro), Fittipaldi vai à pista apenas uma vez: em Mid-Ohio, no dia 29 de julho.

Levando em conta essas dificuldades, talvez o melhor fosse ter assinado para andar em Detroit. Por se tratar de uma rodada dupla, ele teria a chance de aplicar no domingo tudo o que aprendeu no sábado. A outra opção seria, diante de um orçamento apertado para este ano, correr primeiro na Indy Lights e depois pensar na transição para a categoria principal em 2019.

O QUE PODE DAR CERTO

Só que não dá para um piloto esperar para sempre a situação ideal chegar. Melhor garantir o que tem hoje em mãos – no caso, sete etapas na Indy – que aguardar uma próxima oportunidade que pode nunca acontecer.

E Fittipaldi está em alta. Ainda que tenha vencido uma World Series enfraquecida, estamos falando até então de uma das principais categorias de base, com um carro que ajuda o piloto a se preparar para F1 ou Indy.

Ele também teve dois testes de sucesso em categorias profissionais. Em janeiro, foi o segundo colocado no treino dos novatos da Formula E, quando guiou o carro usado por Nelsinho Piquet na maior parte da temporada.

E, nesta semana, em Sonoma, foi o quinto entre os 12 pilotos que andaram, ficando apenas 0s2 atrás de Sébastien Bourdais, seu veterano companheiro de Dale Coyne.

Sinal de que o processo de adaptação à Indy pode estar mais rápido do que foi em outras categorias.

Anúncios

Um comentário sobre “O que pode dar errado e o que pode dar certo para Pietro Fittipaldi na Indy 2018

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s