Como Sergey Sirotkin se tornou a escolha da Williams

Se Sergey Sirotkin fosse um meme, certamente seria o do Waldemar. Mal foi anunciado como titular da Williams na temporada 2018 da F1, já começou a ouvir “fora, Sirotkin” e “o Kubica vai pilotar pelo rádio”.

Também não faltaram comentários de que a equipe britânica se apequenou com a decisão de ter dois pilotos inexperientes e que está colocando a reestruturação técnica pela qual vinha passando a perder.

Calma, a escolha pelo russo faz sentido – e, sim, também passa pelo dinheiro.

Ao longo de 2017, não parecia que a Williams só fosse definir a dupla de pilotos no dia 16 de janeiro deste ano.  Felipe Massa, titular da equipe, tratava a permanência como a saída mais lógica, e não havia motivos para o time mudar seu titular.

Mas, com o passar dos meses, veio a ideia de testar outros pilotos. Substituto de Massa no GP da Hungria, Paul Di Resta era um dos cotados, assim como Robert Kubica, depois que a Renault desistiu de torná-lo titular.

Os dois, inclusive, testaram em outubro, em Silverstone, com o carro de 2014, em uma espécie de disputa pela vaga de titular.

Ao mesmo tempo, Massa já tinha dado o ultimato à equipe. Queria saber antes do GP do Brasil se continuaria no time para o ano que vem, porque queria ter uma – nova – despedida digna de sua carreira.

Mas a Williams preferia esperar os treinos de Abu Dhabi, após o último GP do ano, para avaliar o desempenho de Kubica no equipamento atual da F1 – Di Resta já não era nem mais considerado.

Sem resposta, Massa confirmou a aposentadoria às vésperas da etapa de Interlagos. Foi, portanto, uma quebra na continuidade do desenvolvimento deo equipamento, o que obrigou a Williams a acelerar o processo de reestruturação interna.

Acelerou porque a análise era de que, sem um dos pilotos mais experientes do grid, o desempenho dos demais candidatos – Kubica, Di Resta, Pascal Wehrlein, Jolyon Palmer, Oliver Rowland e Daniil Kvyat – seria muito parecido. Não ia ser um desses pilotos que mudaria a sorte da Williams.

Mas ainda faltava confirmar, nos testes de Abu Dhabi, que o polonês teria condições de pilotar um carro de F1 durante toda a temporada.

A Williams também anunciou que Sirotkin tomaria parte da atividade junto com o polonês.

Em diversos relatos publicados, a equipe de Grove ficou frustrada com o desempenho de Kubica. Considerou que seu ponto forte era o ritmo de corrida, mas que deveria ter sido bem mais rápido que Stroll na comparação direta. O concorrente russo, por outro lado, foi melhor nas classificações – uma das fraquezas de Stroll.

E, claro, também pesou o SMP Bank, patrocinador de Sirtokin, oferecer US$ 20 milhões de patrocínio em um ano no qual a Williams não terá o pagamento da Mercedes pela saída de Valtteri Bottas (US$ 10 milhões)

Daí dá para juntar o dinheiro levado pelos dois jovens e desenvolver um carro competitivo para 2019, quando boa parte do grid ficará sem contrato. E, quem sabe, podendo com um Daniel Ricciardo ou até mesmo com a volta de Bottas, a depender de como o mercado de pilotos se comportar.

Investir em engenheiros e no desenvolvimento do carro às custas de dois pagantes não é novo para a Williams. Foi justamente o que aconteceu em 2013, quando o time marcou só cinco pontos, mas foi capaz de criar um conjunto capaz de atrair Massa, saindo da Ferrari. A ideia é repetir o processo, com a liderança de Paddy Lowe, um dos responsáveis pelo sucesso da Mercedes.

E outro ponto é que, levando em conta a saída de Massa, era melhor garantir a saúde financeira da equipe que apostar tudo em um ano só. Afinal, não existe reestruturação se os engenheiros forem mal pagos ou não receberem em dia e deixarem a equipe.

DESEMPENHO CONTA?

Mas escolher dois pilotos sem experiência e só baseado no dinheiro que eles trazem não pode comprometer o desempenho da Williams e afetar a premiação que a equipe recebe?

A diferença é irrelevante. Só metade da premiação é dada às equipes com base nos resultados do ano anterior.

Segundo as estimativas com relação a 2017, a quinta colocação no Mundial de Construtores dará cerca de US$ 42 milhões à Williams.

Vamos dizer que a Williams termine 2018 atrás também de McLaren e Renault. A Toro Rosso foi a sétima colocada no ano passado e deve levar quase US$ 30 milhões. A diferença, portanto, de US$ 12 milhões, lembrando que Sirotkin está trazendo US$ 20 milhões do SMP Bank.

Caso a Williams seja a oitava, receberia um valor próximo de US$ 25 milhões. Ou seja, o dinheiro do novo titular russo ainda é maior que a diferença na pontuação.

Fora que ainda está muito cedo para dar qualquer palpite sobre o desempenho de Sirotkin. No ano passado, Stroll foi massacrado pelos constantes erros na pré-temporada e nas primeiras etapas do ano, mas terminou o campeonato como único piloto a ter subido ao pódio fora de Red Bull, Ferrari e Mercedes e apenas três pontos atrás de Felipe Massa.

E, diferentemente do canadense que precisou pular da F3 para uma F1 mais potente, Sirotkin passou três dos últimos  quatro anos como piloto reserva. Então não há nenhum motivo para pânico neste momento.

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