Jim Clark x Daniil Kvyat

O que Jim Clark, bicampeão da F1, e Daniil Kvyat, recém-anunciado piloto reserva da Ferrari, têm em comum?

Essa é uma curiosa estatística descoberta pelo jornalista britânico Joe Saward.

É que ambos disputaram 72 GPs em suas carreiras na F1.

E isso mostra como a categoria mudou ao longo de cinco décadas. Clark levou praticamente oito temporadas para chegar aos 72 GPs, enquanto Kvyat ficou no campeonato por menos que quatro anos.

Como na década de 1960 a F1 tinha em média dez etapas por ano, os pilotos precisavam buscar outras provas para se manterem ocupados. Havia as corridas que não valiam pontos para o campeonato. Só em 1961 foram 21 delas (não que um mesmo competidor participasse de todas).

Outras opções eram a Tasman Series, campeonato que acontecia na Austrália e na Nova Zelândia, e a F2. Foi em uma das corridas desse campeonato que Clark morreu, em 1968, em um acidente em Hockenheimring.

O britânico também ficou famoso por disputar – e vencer – as 500 Milhas de Indianápolis. O triunfo veio em 1965, ano em que escolheu perder o GP de Mônaco – da mesma forma como Fernando Alonso no ano passado – para correr nos EUA.

kvyat

Em comparação, com 20 GPs em média por ano, Kvyat jamais disputou uma corrida de outro campeonato desde que estreou na principal categoria do automobilismo mundial.

Por último, também vale comparar a idade dos dois pilotos. Jim Clark estreou na F1 no GP da Holanda de 1960, quando tinha 24 anos. Kvyat, após seus 72 GPs, tem 23 (faz aniversário em 26 de abril).

Neste post todo, evitei comparar as conquistas dos dois competidores, porque não faz nenhum sentido. Mas vendo essas duas diferentes épocas da F1, dá para dizer que hoje um piloto consegue se desenvolver muito mais rápido – afinal faz 20 corridas em média por ano -, mas tem muito menos chances de mostrar serviço.

É que no caso de terem um carro ruim à disposição, como era a Toro Rosso ou a McLaren de Alonso – são 20 corridas preso em um equipamento que não vai levá-lo a lugar nenhum. Depois de uns 40 GPs (ou só duas temporadas) andando lá atrás, consideram que o piloto já deu o que tinha que dar e, pronto, a carreira dele na F1 está acabada.

Antes eram só dez provas, e, se a equipe não correspondesse, era só mudar de ares no fim da temporada e salvar o ano em outros campeonato.

Claro que hoje os pilotos são pagos o suficiente para aguentar o “sacrifício” de 20 corridas em um equipamento ruim.

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