A ‘profecia’ de Di Grassi

Lucas di Grassi causou polêmica, em dezembro do ano passado, quando afirmou que a Formula E estava ficando grande demais para que os pilotos corressem nela e no WEC ao mesmo tempo.

A declaração aconteceu pouco depois do anúncio da saída da Audi, para quem o brasileiro competia, das corridas de longa duração. Na época, outros pilotos da Formula E afirmaram que parecia discurso de alguém que perdeu ficou a pé e queria sair por cima.

Quis a ironia do destino que a temporada do campeonato de carros elétricos tivesse seu resultado influenciado pelo choque de datas entre os dois certames.

Por causa do conflito de agenda, Sébastien Buemi, que venceu seis das primeiras oito corridas da Formula E,  perdesse a rodada dupla de Nova York para correr no WEC, na Alemanha, onde seu Toyota teve problemas mecânicos logo nas primeiras voltas.

Enquanto isso, nas duas corridas nos EUA, Di Grassi somou 22 pontos, diminuiu a desvantagem para Buemi para apenas dez e foi para Montreal vivo na luta pelo título. No Canadá, venceu uma vez e terminou a outra em sétimo, o suficiente para ficar com a taça.

Dizer que o brasileiro foi campeão só porque o adversário ficou de fora das corridas nos EUA é ser leviano. Ninguém sabe o que aconteceria com Buemi em Nova York. Poderia ter vencido as duas baterias e sido campeão por antecipação ou poderia, como aconteceu em Montreal, ter batido no treino livre, sido desclassificado da primeira prova e nem sequer pontuado na segunda, abrindo caminho para o título do brasileiro.

Mas o que não dá para negar é que o choque de datas influenciou diretamente na luta pela taça.

Choque que não acontecia antes porque havia ali um escudo da Audi, atuando para ter seus principais pilotos disponíveis sempre que precisasse. Quando a montadora saiu das corridas de longa duração, acabou-se a proteção.

Aí cabia escolher. Ou fazer igual Di Grassi e competir apenas com os carros elétricos ou se desdobrar em dois campeonatos sabendo do choque de agenda. E, neste ano, foi melhor priorizar um eles.

Para a próxima temporada,a  Formula E não vai mais ter choque de datas com o WEC. Aliás, o ideal seria que algumas corridas do mundo acontecessem em fins de semana “livres”, com pouca concorrência dos outros campeonatos, como já acontece com as 24 Horas de Le Mans, por exemplo. O mesmo deveria valer para a Indy 500, as 24 Horas de Daytona e de Spa.

Assim, pilotos de diferentes lugares do mundo poderiam estar presentes nessas provas, sem se preocupar com perder alguma etapa do principal campeonato em que compete. Enquanto isso não acontece, é preciso ser Buemi e escolher um ou outro. O problema, como o suíço percebeu, é terminar de mãos abanando em ambos.

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos da Formula E em Montreal, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial neste fim de semana.

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