Matheus Leist na Indy Lights

Foi uma surpresa porque Matheus Leist passou os últimos meses de 2016 dizendo que tinha escolhido competir na GP3 neste ano. Mas a escolha do piloto gaúcho para correr na Indy Lights faz todo sentido.

Credenciado pelo título da F3 Inglesa, ele chega à categoria de acesso sabendo que em breve o país pode não ter nenhum representante na Indy.

Para 2017, Helio Castroneves e Tony Kanaan renovaram com Penske e Ganassi, respectivamente, mas por apenas um ano. Nos últimos meses, possíveis substitutos para eles chegaram a ser especulados mas nenhum acerto aconteceu.

Mas não importa, os dois estão com mais de 40 anos, e devem se aposentar da Indy em um futuro não muito distante. Aí é a chance de Leist ir bem na Indy Lights e conseguir um apoiador ou outro no Brasil disposto a investir na carreira dele. Nisso a Band pode tentar ajudar, até porque a emissora tem total interesse de o país continuar representado no campeonato.

Se for por essa lógica, está ótimo, faz todo sentido. O problema seria ter trocado a Europa pelos EUA achando que a bolsa dada ao campeão da Indy Lights, cerca de US$ 1,5 milhão, é garantia de um piloto seguir carreira na Indy.

Não é. Esse dinheiro dá no máximo para algumas corridas em um ano, além da Indy 500. Se olharmos os campeões da Indy Lights desde Scott Dixon, em 2000, apenas três vão disputar a temporada completa dessa vez.

Josef Newgarden, Ed Jones (o atual campeão) e JR Hildebrand, que passou anos afastado da Indy, correndo só as 500 Milhas. Tem ainda Spencer Pigot, no outro carro da ECR, competindo apenas em mistos.

Todos os outros não se firmaram. A bolsa do programa Road to Indy costuma ser a última cartada para pilotos conseguirem manter a carreira internacional. Para a grande maioria não dá certo, e eles vão andar na Imsa.

Nada contra a Imsa, evidentemente, mas se um piloto quer seguir carreira em campeonatos de turismo ou GT, há muito mais opções na Europa que nos EUA. Daí não faz sentido trocar a GP3 pela Indy Lights.

E por que não ficar na GP3, afinal? Primeiro é que ela é uma categoria relativamente cara, porque acompanha a F1 e anda em várias partes do mundo. São uns sete ou oito carros competitivos todos os anos: os quatro da ART, além de um ou dois de Arden, Tridente e Dams, cada.

Os quatro da ART devem ficar com George Russell (protegido da Mercedes), Nirei Fukuzimi (da Honda), Jack Aitken (da Renault) e com o francês Anthoine Hubert.

A Arden é uma equipe com ligações ao Red Bull Junior Team e terá Niko Kari neste ano, enquanto a Trident tem boa relação com a academia da Ferrari e contará com Giuliano Alesi.

Ou seja, é praticamente impossível um piloto sem apoio de alguma montadora ou equipe da F1 chegar na categoria e ser competitivo do nada. Acontece uma vez ou outra, mas está longe de ser a regra. É essa a tal política da GP3.

Por isso o ideal é que um piloto tenha um bom empresário e bons contatos, para conseguir carros competitivos nas categorias de base e serem campeões.

Basta ver que dos três novatos da F1 em 2017 (Stoffel Vandoorne, Lance Stroll e Esteban Ocon), apenas o belga não tinha apoio de uma equipe da F1 no kartismo. Em suas carreiras, eles praticamente andaram sempre pelas melhores equipes possíveis, corresponderam com vitórias e títulos e estão onde estão hoje.

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