Colton Herta não deveria ter fechado com a Indy Lights (ainda)

“Não é todo dia que a Indy Lights aparece no New York Times”.

Foi assim que o site TSO Ladder, especializado na cobertura das categorias do programa Road to Indy, analisou a escolha de Colton Herta, filho do ex-piloto Bryan Herta, de disputar a Indy Lights pela Andretti no ano que vem.

Não que o New York Times tenha algum interesse na carreira de algum dos Herta, mas é que Colton fará parte de uma equipe que tem, além do pai, Michael Andretti e George Michael Streinbrenner IV como sócios.

Streinbrenner, de apenas 20 anos de idade, é filho do dono do New York Yankees, uma das equipes de baseball mais populares do EUA. Daí o tradicional jornal americano ter noticiado a ida de Herta para a Indy Lights, com o foco principal sendo no dono da equipe.

Herta tem bons motivos para ter impressionado o filho do empresário e atraí-lo para o automobilismo. Nas duas últimas temporadas, disputou, na Europa, a F4 Inglesa, a F3 Inglesa e a Euroformula Open. Foram nove vitórias, oito poles e 21 pódios em 54 corridas.

Desempenho que fez Herta ser apontado como um dos favoritos a ser o próximo americano na F1.

Mas, aos 16 anos de idade (faz 17 em março), ele decidiu voltar aos EUA (competiu na USF2000 em 2014), já que seu objetivo é fazer carreira na Indy. Assim, nada melhor que começar na Indy Lights para já se acostumar ao ambiente e, claro, aos ovais.

O problema é que faz pouco sentido voltar aos EUA aos 16. Já faz algum tempo que a Indy Lights não é exatamente uma categoria que prepara os pilotos para a próxima fase da carreira. Com grids minúsculos, a categoria viu campeões como Tristan Vautier, Sage Karam e Gabby Chaves não conseguirem se firmar na Indy.

Os dois primeiros, aliás, foram campeões como novatos, tamanho a falta de adversários. Em compensação, na Europa, o último novato a vencer a GP2 foi Nico Hulkenberg, em 2009. Desde então, o mais precoce foi Stoffel Vandoorne, vice no ano de estreia, em 2014, e campeão no ano seguinte.

E o que adianta vencer a Indy Lights e cair com menos de 20 na Indy? É competir contra pilotos que tem 20 anos de carreira só na própria categoria norte-americana. Basta ver que boa parte do grid é formada por pilotos com mais de 40, como Helio Castroneves, Tony Kanaan e Takuma Sato. Scott Dixon e Will Power já passaram dos 35 e Simon Pagenaud tem 32.

A decisão de Herta de voltar para os EUA também acaba fechando portas na Europa que outros pilotos americanos nem sequer conseguiram abrir. Com a F1 tendo sido comprado pela Liberty Media, que tem interesse em mais provas no EUA (e no mundo todo para fazer um calendário de 25 etapas), ele poderia ser o nome para liderar essa nova empreitada da categoria pelo país da América do Norte. Afinal, já é um sobrenome conhecido por lá.

Herta bem que poderia ter seguido o exemplo de outro piloto americano que compete pelo time do seu pai: Alexander Rossi, que venceu as 500 Milhas de Indianápolis em sua primeira tentativa, e passou anos na GP2 e até chegou na F1 antes de voltar para os EUA.

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