Como a França conseguiu se reconstruir na F1

A França geralmente é uma boa comparação com o Brasil na F1. Os dois países mais ou menos ao mesmo tempo atingiram seu auge na categoria, entre a década de 1980 e o começo de 1990, e têm enfrentado os mesmos problemas.

A derrocada francesa, porém, veio antes. Com a saída de Alain Prost, o país teve apenas Jean Alesi e Olivier Panis na F1, que juntos somaram apenas duas vitórias ao longo da carreira.

Da aposentadoria de Panis, em 2004, ao começo da temporada 2012, a França teve apenas três pilotos na F1: Franck Montagny disputou sete corridas, em 2006, pela fraca Super Aguri, Sébastien Bourdais teve um ano e meio de Toro Rosso e Romain Grosjean ficou meia temporada na Renault.

Para piorar, o GP da França deixou de ser disputado em 2008.

Mesmo no período pós-Ayrton Senna, o Brasil teve mais sucesso, com Rubens Barrichello e Felipe Massa vencendo 22 vezes, fora a presença de pilotos como Nelsinho Piquet, Bruno Senna, Antonio Pizzonia e Felipe Nasr em equipes boas.

Para 2016, ainda não há certeza de que algum brasileiro estará no grid da F1, e o GP do Brasil chegou a ficar ameaçado de não acontecer pela FIA.

A França, porém, deixou a crise para trás na F1. Desde 2012, Grosjean voltou à categoria, que também teve Jules Bianchi, Jean-Éric Vergne, Charles Pic e Esteban Ocon, além de Pierre Gasly ser o atual campeão da GP2, mas preterido pela Red Bull.

Nesta segunda, dia 5, o GP da França foi confirmado para voltar ao calendário a partir de 2018, em Paul Ricard.

A reconstrução do automobilismo francês aconteceu debaixo para cima. Primeiro, houve o fortalecimento das categorias menores, como a F4 Francesa (ironicamente o principal nome desse campeonato tenha sido um belga – Stoffel Vandoorne) e a F-Renault, e de equipes como ART, Tech 1 e ARTA.

Daí esses campeonatos revelaram um monte de pilotos, e os melhores conseguiram chegar à principal categoria do automobilismo mundial. O relativo sucesso deles, além de uma situação política pró-automobilismo (com ex-pilotos eleitos), fez com que a França voltasse a se interessar por uma corrida, que enfim saiu do papel.

Na comparação com o Brasil, seria o mesmo que investir na F3 Brasil (ou em uma F4) pensando a longo prazo. Se levarmos em conta que em dez anos passariam cerca de 100 pilotos diferentes pela categoria, é bem capaz que um ou dois conseguissem chegar à F1, talvez até mesmo com condições de brigar por pódios, o que aumentaria o interesse em manter um GP por aqui.

Outros iriam para Indy, WEC, Formula E e DTM, enfim dando início ao processo de renovação do automobilismo brasileiro.

O problema é que há três diferenças entre a França e o Brasil para esse plano dar certo.

O primeiro é óbvio: a França fica na Europa, o que diminui todo tipo de custo, além de facilitar a logística dos jovens pilotos e das equipes.

O segundo é a presença de Le Mans, que atrai equipes para a França, tecnologia e pode dar um futuro para os jovens pilotos.

E o último é a Renault. Há uma montadora disposta a gastar para ter uma categoria de base.

Só por comparação, entre 2002 e 2006, o Brasil teve uma F-Renault. Apesar de o campeonato ter enfrentado na maior parte do tempo grids enxutos e ficado na sombra da F3 e da versão europeia, conseguiu revelar gente como Lucas Di Grassi, Sergio Jimenez, Daniel Serra, Luiz Razia, Marcos Gomes e Allam Khodair.

Não é muito, mas estamos falando de um campeonato que teve cinco anos de existência e conseguiu colocar um piloto na F1, outro que chegou a ser anunciado como titular por uma equipe e quatro vencedores da Stock Car, incluindo um campeão. Imagina o que aconteceria com mais incentivo.

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