A saída da Audi do WEC

A Audi pegou muita gente de surpresa ao anunciar, nesta quarta-feira, dia 26, que está deixando o WEC no final da atual temporada.

Para quem acompanha as corridas de longa duração, já era esperado que a montadora fosse sair, embora a expectativa era de que ela continuasse até o fim do ano que vem, já que o regulamento vai mudar para 2018, e a Audi não estaria disposta a consturir um novo carro do zero.

Para entender a saída da Audi, é preciso levar em conta dois fatores.

O primeiro é o escândalo da emissão de poluentes. Em 2015, descobriram que o Volkswagen Group (VAG), dono da Audi, manipulava os testes. Assim, parecia que os carros poluíam menos do que a realidade. A empresa recebeu multas pesadíssimas, que já tinham afetado os programas dela no automobilismo na atual temporada.

O outro é o orçamento para o WEC. Audi e Porsche, ambas marcas do VAG gastavam cerca de US$ 200 milhões para correr uma com a outra, sendo duas empresas do mesmo grupo. Em comparação, o budget da Toyota é cerca de quatro vezes menor.

Nem precisa ser o contador do Volkswagen Group para perceber que gastar todo esse dinheiro não fazia sentido. O melhor era uma montador sair e, de cara, já poupar 200 milhões.

Há vários motivos que levaram a Audi ser a escolhida.

Apesar de a fábrica das quatro argolas ter vencido as 24 Horas de Le Mans 13 vezes desde 2000, a Porsche tem muito mais tradição nas corridas de longa duração. São 18 triunfos em Le Sarthe, incluindo os dois últimos

A fase da Porsche, portanto, também é melhor. Fora o título mundial no ano passado e provavelmente neste ano também.

E a Audi está melhor posicionada em outras categorias. Além de participar de campeonatos monomarcas, a montadora de Ingolstadt vende carros para divisões GT3 e TCR e está no DTM.

Mas o mais importante é que a Audi já está estabelecida na Formula E, onde é a principal parceira da equipe Abt. E em um momento no qual ela precisa deixar o escândalo das emissões de poluentes para trás, o melhor é apostar em uma categoria com carros elétricos, considerados ecologicamente mais corretos.

No fim, só o tempo vai dizer o tamanho do prejuízo para o WEC. De um lado, a saída da Audi (e também da Rebellion) significa que em 2017 serão apenas cinco carros na divisão LMP1.  Do outro, sem a Audi, a Porsche pode baixar o orçamento que tem na categoria, o que acabaria atraindo outras montadoras interessadas. Nesse caso, há males que vêm para o bem.

Meu palpite (sem nenhuma informação) é que a saída da Audi enfim abre espaço para ela entrar na F1. Afinal, agora são US$ 200 milhões por ano livres para ser investidos na principal categoria do automobilismo mundial.

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