Um dos principais argumentos usado há alguns anos para defender a ida de Robin Frijns à F1 era ele ter vencido três títulos seguidos nas categorias menores entre 2011 e 2013.

O que dizer, então, de Lando Norris, que neste fim de semana foi campeão pela terceira vez só em 2016? Além da taça da F-Renault NEC, conquistada neste domingo, dia 2, ele já havia sido o vitorioso na F-Renault Eurocup e na Toyota Racing Series.

Há, no entanto, diferenças bem claras entre esses dois pilotos.

Primeiramente, não é incomum que um mesmo piloto vença duas F-Renault no mesmo ano. Afinal, eles andam com o mesmo carro nos dois campeonatos e praticamente enfrentam os mesmos adversários. Foi o que aconteceu nas última temporadas com Jack Aitken e Nyck de Vries.

E Norris ainda tinha o beneficio de andar pela Josef Kaufmann, a melhor equipe do certame após a saída da Koiranen.

Quanto à Toyota Racing Series, estamos falando de um campeonato de pré-temporada, disputado durante algumas semanas na Nova Zelândia. É muito bom ser campeão, ainda mais com o grid forte deste ano – com Jehan Daruvala e Artem Markelov –, mas ainda é um título alternativo.

Frijns venceu a F-BMW Europeia, em 2011, quando era o principal campeonato pós-kartismo e fazia corridas preliminares da F1. Coincidentemente, correndo pela mesma Josef Kaufmann de Norris, o título veio só na última etapa, em Monza, quando Jack Harvey, então favorito à taça, se envolveu em um acidente na corrida final. O grid ainda contava com nomes como Carlos Sainz Jr e Daniil Kvyat.

Foi aí que o holandês deslanchou. De uma forma surpreendente, anunciou que disputaria a F-Renault Eurocup em 2012 pela mesma Josef Kaufmann, que estreava no certame. Ele liderou o desenvolvimento do equipamento alemão e levantou o caneco ao superar Sainz e Kvyat, ambos andando com a então campeã Koiranen.

Para 2013, Frijns subiu para a World Series by Renault e foi campeão, pela Fortec, no grid mais competitivo da história categoria. O título, porém, veio de forma polêmica: em Barcelona, ao bater com Jules Bianchi, o principal rival. Em um briga por posição, se o francês o tivesse ultrapassado na manobra, grandes chances de a taça ter mudado de mãos.

Depois, o holandês foi reserva de Sauber e Caterham, mas jamais disputou uma corrida de F1. Sem dinheiro, voltou às competições na Formula E e em corridas de carro GT.

Talvez a maior diferença entre Frijns e Norris esteja no bolso. O britânico é filho de um dos homens mais ricos do mundo, e não deve ter problemas para chegar à F1, nem que seja pagando.

E, como Lance Stroll vem mostrando na F3 Euro, com mais dinheiro à disposição, mais fácil é desenvolver o equipamento.

Assim, mesmo com os três títulos em 2016, a impressão é que Norris convenceu menos que Frijns até agora, embora tenha potencial (não só devido ao dinheiro) para chegar bem mais longe que o holandês.

Com três taças em uma temporada, também não há muitas dúvidas de que o britânico já deve estar chamando atenção das equipes da F1. Como ele deve ter condições de estrear na principal categoria do automobilismo mundial em 2018 ou 2019, a pergunta é para onde ele irá.

Mercedes, Red Bull e McLaren parecem cheias de jovens pilotos. E a Ferrari não costuma ter novatos. Mas será que alguma delas vai deixar Norris escapar?

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos da F-Renault NEC em Hockenheimring, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial neste fim de semana.