A maior polêmica de 2016 no automobilismo

Uma das principais polêmicas do ano de 2016 no automobilismo tem sido os driver ratings, a categorização dos pilotos.

Esse é um sistema adotado pela FIA há alguns anos, que divide os competidores em quatro níveis: platina, ouro, prata e bronze. A grosso modo, os dois primeiros são destinados aos profissionais, enquanto os dois últimos são para os amadores. É uma forma de tentar equilibrar os campeonatos que só existem para os gentlemen drivers terem onde correr.

O WEC é um deles. É muito bom ter a presença de equipes de fábrica de Audi, Toyota e Porsche, mas um grid de seis carros não se sustenta. É aí que entra a divisão LMP2, cheia de pilotos amadores.

E talvez o maior erro em termos da categorização dos pilotos tenha acontecido ao considerar Gustavo Menezes, da Signtech Alpine, como prata. Como o americano tinha acabado de sair da F3 no ano passado rumo às corridas de longa duração, a FIA achou prudente colocá-lo entre os amadores.

Lembrando que quem define em qual classe está é o próprio piloto. Quando ele vai renovar a licença da FIA, ele que escolhe se é platina, ouro, prata e bronze. Cabe a FIA acatar ou não.

Pegando as 20 voltas mais rápidas de cada piloto da LMP2 na última etapa do WEC, no Circuito das Americas, Menezes foi cerca de 1s5 mais rápido por volta que o segundo colocado entre os pilotos silver do grid, o russo Roman Rusinov, outro que é apontado como ter sido colocado como amador, embora seja profissional. Veja o ranking abaixo:

De qualquer forma, 1s5 por volta significa que a cada 30 giros a Signatech Alpine abre 45 segundos para qualquer outro carro do grid sem fazer esforço. Apenas por ter um profissional ocupando a vaga de um amador.

Resultado: quatro vitórias para o time francês nas últimas cinco corridas, incluindo em Le Mans. E na outra prova, no México, eles terminaram em segundo.

ELMS

Menezes não é o único caso polêmico. Na etapa da ELMS neste fim de semana, em Spa-Francorchamps, os dois primeiros colocados no pódio foram carros com pilotos de categorização questionável.

A vitória ficou com a equipe Dragonspeed, formada com Nicolas Lapierre (platina), Henrik Hedman (bronze) e Ben Hanley (prata).

A controvérsia acontece porque Hanley é uma das estrelas do kartismo. Na época nos monopostos, conseguiu chegar á GP2, mas acabou dispensado no meio da temporada. Depois, ainda disputou a F-Superliga, mas voltou para os karts, onde estáaté hoje. Como era um kartista, acharam prudente considerá-lo prata, afinal, o que um piloto assim poderia fazer?

Foi o terceiro mais rápido na média das 20 voltas em Spa. Atrás apenas de Lapierre (que surpresa a Dragonspeed ter vencido…) e do ex-F1 Giedo van der Garde. Veja o ranking de Spa abaixo:

Mas no caso da Dragonspeed não há problema com a regra porque já há um piloto amador, Hedman. A equipe poderia ter até um segundo platina no carro, mas optou por Hanley por confiar no trabalho dele. O que não quer dizer que a classificação do britânico esteja correta.

A segunda colocação em Spa foi da WRT, que fazia a estreia na ELMS. O time era composto por Will Stevens (platina), Laurens Vanthoor (platina) e Dries Vanthoor (irmão mais novo do belga, prata).

Antes de 2016, Dries disputou apenas uma temporada nos monopostos, na F-Renault Norte-Europeia. Venceu uma prova, mas passou longe da luta pelo título. Pela pouca experiência dá para entender por que ele foi considerado prata. Mas na média das 20 voltas em Spa, ele foi o piloto mais rápido do carro da WRT.

Na IMSA, Alex Riberas é considerado o piloto amador do Porsche da equipe Alex Job, embora tenha terminado a Porsche Supercup em quinto no ano passado e ter sido companheiro de equipe de Stoffel Vandoorne na época da F-Renault, inclusive tendo vencido corrida contra o belga.

wrt
A WRT estreou na ELMS em Spa

SOLUÇÃO

Há duas alternativas para acabar com o problema na categorização dos pilotos. A primeira é eliminá-la por completo. Assim, a equipe pode inscrever quem quiser e não ter nenhuma polêmica no fim da temporada.

O problema é essa opção pode desestimular os gentleman drivers a competir. São eles que fazem categorias como WEC, ELMS e IMSA ainda existirem. A etapa do WEC no Circuito das Americas teve audiência na transmissão americana de pouco mais de 20 mil pessoas. Que empresa vai querer patrocinar uma equipe e ter exposição praticamente nula? Só as que são ligadas aos próprios pilotos. Daí a importância dos amadores.

A outra opção é dividir apenas em amador e profissional, não mais em quatro níveis. Assim, quem vive do automobilismo é profissional e quem tem outra ocupação no resto da semana é amador. A FIA teria apenas que analisar quem está no meio termo e não mais todos os pilotos do mundo.

NO BRASIL

Nunca entendi por que alguns pilotos brasileiros gostam de aumentar o próprio nível. Alguns poderiam ter aproveitado essa brecha para entrar na vaga de amador de equipes, mas acabam classificados como ouro e platina. Fica bonitinho na licença, mas do ponto de vista estratégico não faz muito sentido. Vai entender.

Na contramão, Oswaldo Negri pode se beneficiar no ano que vem ao ser considerado um piloto amador. É que por causa da idade, ele é classificado como prata. Poderá competir com outro profissional e formar uma parceria fortíssima na divisão GTD da IMSA.

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos da ELMS em Spa-Francorchamps, assim como os das principais categoria do automobilismo mundial neste fim de semana.

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