O dilema ético da Nascar

Bastou que apenas a primeira corrida do Chase da Nascar fosse disputada para surgir a primeira polêmica.

É que os dois carros mais rápidos da etapa de Chicagoland, Martin Truex Jr. (o vencedor) e Jimmie Johnson (que liderou o maior número de voltas) foram pegos na inspeção técnica feita após a prova.

Esse tipo de vistoria tem causado polêmica na categoria. Afinal, por que um carro é liberado na inspeção antes da corrida, mas reprovado após a bandeirada?

É que nos últimos anos as equipes têm investido em componentes que mudam de comportamento em alta velocidade. Ou seja, está tudo dentro do regulamento com o carro parado antes da corrida, mas, na pista, algumas peças se movem, e o veículo fica diferente.

No caso das últimas punições, a área em questão é a cambagem do eixo traseiro.

A Nascar estipulou um limite da inclinação e ainda dá uma tolerância de 0,12º na hora da inspeção. Até porque um toque no muro ou com outro piloto pode acabar afetando o comportamento do carro.

É justamente o que alega a equipe de Truex Jr. A Furniture Row, que foi pega apenas 0,01º acima do limite, diz que o carro ficou avariado após um toque com Kevin Harvick.

O problema é que essa é a segunda corrida seguida que o carro número 78 é reprovado na inspeção a laser. Em Richmond já havia sido. É claro que pode ser coincidência, mas duas vezes em duas semanas abre brecha para imaginar que não é.

Pela punição, Truex deve perder dez pontos no campeonato, embora não faça nenhuma diferença. É que a vitória em Chicagoland o classificou para a próxima fase do Chase, e a Nascar não vai cassar o triunfo porque a infração da equipe Furniture Row está dentro de uma margem de tolerância da categoria.

A Nascar considera que a falha pode indicar, mas não comprova que houve trapaça. Assim, a punição é menor.

A situação de Johnson é pior. Se a primeira fase do Chase acabasse agora, ele estaria eliminado com a provável perda de dez pontos de Chicagoland.

Mais que pontos, a Nascar enfrenta um desafio ético. É muito ruim para a imagem da categoria o carro vencedor ser pego na inspeção técnica, algo que tem sido frequente em 2016, não só na Sprint Cup.

Um exemplo recente é o carro de Kyle Busch ter sido reprovado, em Chicagoland, na Truck Series. Ele venceu, e foi a última prova antes de definir os oito classificados do Chase da divisão.

O terceiro colocado foi Cameron Hayley, que não entrou no Chase. Caso o truck de Kyle Busch estivesse dentro do regulamento, Hayley teria mais chances de vencer e ir para os playoffs. É justo ele estar fora por perder para um concorrente com equipamento ilegal? Não é. Da mesma forma que não é Truex estar na próxima fase, enquanto Joey Logano e Chase Elliott tenham feito boas provas em Chicagoland e ainda correrem o risco de serem eliminados.

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos da Nascar em Chicagoland assim como os das principais categorias do automobilismo mundial neste fim de semana.

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