FIA Formula 3 European Championship 2016, round 2, race 1, Hungaroring (HUN)
Pedro Piquet não tem feito um bom ano na F3 Euro

Matheus Iorio está dominando a temporada 2016 da F3 Brasil. São cinco vitórias nas primeiras seis provas, além de ter largado na pole-position na outra corrida.

Esses resultados são uma espécie de choque de realidade para Pedro Piquet, a quem Iorio substitui no principal equipamento da equipe Cesário na F3.

No ano passado, foi a vez de o filho do tricampeão de F1 brilhou reinar absoluto na categoria brasileira com 14 vitórias em 16 provas (13 seguidas), sendo que muitas e muitas vezes terminava com mais de 10s de vantagem para o segundo colocado.

Mas enquanto Iorio vai mantendo o equipamento da Cesário no topo em 2016, o desempenho de Piquet não tem sido bom. Ele soma apenas nove pontos na F3 Euro e mais uma vez passou em branco neste fim de semana em Zandvoort, mesmo competindo pela poderosa equipe Van Amersfoort.

Como consequência, o rendimento abaixo do esperado de Piquet está deixando desanimada muita gente que acompanhou o domínio dele no bicampeonato da F3 Brasil e agora, com a Cesário ainda na frente, e o brasileiro andando atrás, começa a perceber que ele não fosse tão especial assim.

No entanto, ainda é muito cedo para chegar a conclusões definitivas sobre ele.

Para começar, há dois pontos que ninguém vai discutir neste momento: 1) é sempre bom vencer na F3 aqui do país, mas esse desempenho não é nenhum parâmetro internacional e 2) Pedro Piquet tem andado mal na Europa.

Só que levando em conta que Piquet está estreando no continente europeu em 2016, não conhece a maior parte das pistas e tem uma equipe disposta a vencer o título com outro piloto (Callum Ilott), os maus resultados não são tão surpreendentes.

Talvez o maior pecado de Piquet tenha sido ter jogado fora um ano do seu desenvolvimento como piloto para fazer uma segunda temporada na F3 Brasil. A justificativa, plausível, claro, era terminar os estudos no país antes de seguir para a Europa.

Assim, 2015 foi um ano que serviu para encantar muitos torcedores com suas vitórias espetaculares e inflar números e estatísticas, mas que pouco agregou para ele.Não competiu contra os principais nomes do automobilismo europeu (em uma F4 ou F-Renault, por exemplo) nem conheceu as pistas de lá (andou apenas em duas etapas da Porsche Supercup em Hungaroring e no Red Bull Ring).

Para piorar, se envolveu em um espetacular acidente sem necessidade em uma prova da Porsche brasileira, na qual seu carro capotou diversas vezes após ser tocado por um adversário.

Em que pese Piquet saber que na F3 Brasil estava mais competindo contra o relógio (e contra o que seus rivais estavam fazendo na Europa) do que contra os adversários daqui

Apesar dos resultados frustrantes e desse passo errado na carreira, há motivos para ficar otimista com o brasileiro.

No começo do ano, ele competiu na Toyota Racing Series, na Nova Zelândia, e foi o principal adversário de Lando Norris na luta pelo título, apesar de ter ficado apenas em quinto na classificação final.

O melhor, portanto, é sentar e esperar para ver o que acontece em 2017. Com experiência no continente europeu e na F3, Piquet poderá mostrar se é um piloto capaz de se colocar na luta por pódios e vitórias. Parece que ele é, mas, como disse, melhor sentar e esperar para ver o que acontece.