Danica foi correr sim
Danica foi correr sim

Assistindo à Nascar no último domingo, vi um torcedor mandando uma mensagem para a transmissão perguntando, em forma de piada, se Danica Patrick havia ido correr naquele dia, por ela não estar aparecendo nas brigas pelas primeiras colocações.

A americana largou em 18º e terminou em 21º. Esteve na frente de 18 pilotos, portanto.

Mas, por algum motivo, ninguém perguntou se Brian Scott, Clint Bowyer ou Aric Almirola, que terminaram atrás dela, estavam correndo.

É óbvio que a intenção do torcedor era debochar de Danica. A mensagem que ele quis passar era, se a pilota não consegue correr com destaque constantemente, então ela não é boa o bastante para estar na Nascar.

E quem é alvo de uma mensagem assim fica constrangido. E não falo apenas de Danica.Qualquer pilota que estivesse assistindo à corrida entendeu que será motivo de piadas se não conseguir vencer suas corridas.

Não importa se ela anda no meio do pelotão porque está aprendendo ou quantos adversários conseguiu ultrapassar. Ela será motivo de risos.

Se é esse o ambiente que uma mulher encontra, por que alguma iria tentar seguir carreira no automobilismo, investindo milhões, rumo à F1?

Carmen Jordá, reserva da Lotus, se tornou motivo de piadas no começo do ano porque um piloto disse que ela tomava 12s no simulador. Na verdade, tanto faz se era verdade ou não. Se não fosse a falta de desempenho, encontrariam outro motivo para constrangê-la, assim como foi feito com Danica.

Ou com Susie Wolff, Bia Figueiredo e tantas outras.

Por causa desse ambiente pouco acolhedor para as mulheres, que acho uma categoria só para elas uma boa ideia.

A ideia não é separar o automobilismo entre homens e mulheres. Mas incentivar novas meninas a começar no esporte a motor mostrando que há um lugar onde elas não sofrerão com mentalidade primitiva de alguns envolvidos.

Depois, as que mais se destacarem poderiam ir para as principais categorias do mundo melhor preparadas.

Claro que no mundo ideal todo mundo deveria correr junto. Mas não estamos nele. A ideia é não desperdiçar talentos a partir de atitudes no mínimo constrangedoras, como o comentário do torcedor da Nascar.

E também seria interessante que não dessem corda para quem manda mensagens assim.