Wood Brothers
Ryan Blaney e a tradicional equipe Wood Brothers não conseguiram uma franquia para 2016

Uma das novidades da Nascar para a temporada de 2016 é o sistema de charters, as franquias.

O novo sistema não é necessariamente algo ruim, é apenas um modelo de negócios que já acontece em outros esportes americanos, como a NFL e a NBA, ou em categorias como o BTCC, a V8 Supercars e de certa forma até na F1.

Nele, há um número limitado de vagas, e as equipes que quiserem participar do campeonato precisam adquirir uma delas (ou mais). Nos esportes americanos, as franquias são compradas, enquanto nos dois certames do automobilismo acontece o leasing, uma espécie de aluguel pela temporada.

A vantagem desse sistema é que torna o campeonato mais atrativo para grandes investidores, pois diminui o prejuízo deles. Uma equipe pode negociar com um investidor e, se de tudo errado, no fim é só ele vender a vaga (a franquia) e sair com algum dinheiro.

E minimizar o prejuízo foi a motivação de Rob Kauffman, ex-parceiro de negócios de Michael Waltrip, para criar o sistema de charters na Nascar.

Com o fim da equipe de Waltrip, Kauffman queria recuperar parte do dinheiro investido. Então, ele conseguiu reunir os demais donos de equipe da categoria em uma organização chamada Race Team Alliance para ter um poder maior de negociação com a Nascar. Juntos, decidiram criar um sistema de 36 franquias na categoria, representando cada carro que participou de todas as etapas nos últimos três anos.

Assim, da noite para o dia, a vaga de cada um deles passou a valer alguns milhões.

Greg Biffle
Franquia não é só o KFC, que está de volta à Nascar como patrocinador de Greg Biffle

O problema é que há algumas diferenças entre o sistema de charters da Nascar e o dos demais esportes. A Nascar, por exemplo, é a única categoria em que alguns times têm franquias e outros não.

Para explicar essa decisão curiosa, dá para levar em conta dois pontos.

O primeiro é a tradição do automobilismo americano, normalmente aberto para qualquer pessoa que queira criar uma equipe e competir. Como há inúmeros times no esporte a motor em todos os EUA, de correndo em ovais curtos em cidadezinhas do interior a megaorganizações como a Penske, não parece justo limitar a chegada de alguém novo.

A outra explicação é que, se todo mundo tivesse franquia, Kauffman não teria para quem vender as duas que ele tinha na Michael Waltrip. Ou seja, continuaria com o prejuízo do mesmo jeito.

Aliás, se times sem charters podem competir na Nascar, por que a Stewart-Haas e a Joe Gibbs desembolsaram alguns milhões para dar uma aos carros de número 41 (Kurt Busch) e 19 (Carl Edwards), respectivamente?

A resposta é que os times franqueados recebem um valor 65% maior da premiação que os outros. É algo justo de certa forma, afinal, eles disputaram as últimas três temporadas de forma completa, mostrando comprometimento com a categoria.

A outra vantagem é estar garantido em todas as corridas. Ou seja, mesmo que uma equipe seja muito, mas muito mais lenta que as demais na classificação, ela não está ameaçada de ficar de fora de uma etapa. Assim, passa a ser o dinheiro, não o talento nem o melhor equipamento que determina quem vai correr.

E essa é a principal diferença entre as franquias da Nascar e as da V8 Supercars ou do BTCC: nos outros campeonatos, o lado financeiro interfere tão diretamente no que acontece na pista.