Pietro Fittipaldi conquistou o terceiro título da carreira em cinco anos
Pietro Fittipaldi conquistou o terceiro título da carreira em cinco anos

Não deixa de ser irônico Pietro Fittipaldi ter conquistado o título do MRF Challenge neste domingo, dia 31, em uma semana na qual foi alvo de críticas por ter anunciado que vai disputar em 2016 a F-V8 3.5, a antiga World Series by Renault.

O problema é o brasileiro, que subirá de categoria com a Fortec, não ter ido bem na F3 Europeia no ano passado. Foi o 17º, tendo marcado pontos em apenas sete das 33 corridas da temporada.

Só que o MRF Challenge não é a F3 Euro. A categoria contava com um grid um pouco mais enfraquecido, tanto que a maior adversária de Fittipaldi foi Tatiana Calderón, que nem sequer havia pontuado na F3 Euro no último ano. Outro candidato ao título Nikita Troitskiy havia terminado em sexto na F4 Norte-Europeia (SMP), em 2015, e que agora vai competir na F-Renault.

Mas o neto de Emerson fez o necessário quando se corre contra um grid mais fraco: venceu quatro corridas durante a campanha e foi campeão com uma bateria de antecipação.

O desempenho do brasileiro, aliás, foi bom mesmo quando teve adversários mais fortes.

Na primeira etapa, em Abu Dhabi, Fittipaldi obteve uma vitória e saiu com a segunda colocação na tabela, atrás apenas de Nobuharu Matsushita, da GP2, que usou o certame indiano para aprender a pista de Yas Marina. A mesma rodada teve a presença de Jake Dennis, terceiro na F3 Euro, que tomou tempo do novo campeão.

Depois, Alessio Picariello pareceu dominante. O belga estreou no MRF apenas na segunda rodada e venceu quatro das seis provas seguintes, além de ter obtido um segundo lugar.

Na última etapa, que também contou com a presença de Mick Schumacher, Picariello tinha uma chance mínima de ficar com a taça e dependia de maus resultados do brasileiro. O neto de Emerson, então, se mostrou um verdadeiro ‘closer’, como os americanos chamam. Isto é, na hora de decisão, ele aumentou o próprio nível, obteve duas poles e duas vitórias na pista de Madras, na Índia, para ser campeão.

E essa não deixa de ser uma característica interessante do brasileiro. Afinal, é mais comum acontecer o contrário: pilotos que já haviam dominado o restante da temporada tirarem o pé na última etapa e obter apenas o resultado necessário para ficar com o título.

A taça do MRF Challenge foi a terceira de Fittipaldi nos últimos cinco anos, mas todas vieram em campeonatos meio alternativos. Em 2011 ele já havia triunfado em uma categoria de Late Models no oval de Hickory, nos EUA, e três anos mais tarde, já nos monopostos, venceu a F-Renault Inglesa.

Os títulos, mesmo em certames menores, mostram as habilidades do brasileiro e são um indicativo de que pode ter um bom desempenho se tiver o equipamento certo à disposição. Neste ano, vai disputar a F-V8 3.5 pela Fortec, a atual campeã e que também contou com Robin Frijns, Stoffel Vandoorne e Oliver Rowland nos últimos anos.

Ter sido campeão do MRF, portanto, além de ter funcionado como uma resposta aos seus críticos, pode ser a chance que ele precisava para deixar o ano ruim na F3 Euro para trás e aproveitar o bom momento para mostrar que também pode ser competitivo contra alguns dos jovens mais badalados das categorias de base.

Você pode clicar aqui para ver a classificação final do MRF Challenge. E aqui tem os resultados completos de Pietro Fittipaldi, em Madras, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial.