Por que achamos que há poucos brasileiros no automobilismo?

Giuliano Raucci foi um dos brasileiros no exterior em 2015
Giuliano Raucci, na F4 Italiana, foi um dos brasileiros no exterior em 2015

Quem nunca ouviu que o Brasil vive um período de vacas magras no automobilismo e nunca houve tão poucos pilotos do país correndo no exterior?

Pode até ser verdade, mas o Brasil foi, em 2015, empatado com a Rússia, o segundo país com mais jovens competidores disputando categorias fora de sua fronteira.

Um levantamento feito pelo World of Motorsport mostra que o Brasil teve 23 participantes nas categorias de base da Ásia, Europa e América neste ano. A liderança ficou com o Reino Unido, com 29.

Para chegar a esse número, é preciso pegar todos os pilotos que em 2015 disputaram um campeonato de base, ou ao menos cerca de 50% das etapas, fora o próprio doméstico. Assim, um brasileiro na F3 Brasil não entra para a conta, da mesma forma que um britânico na F4 Inglesa ou um italiano na F4 Italiana.

O levantamento teve como base os grids de GP2, GP3, World Series by Renault, F-Renault Alps, F-Renault NEC, F-Renault Eurocup, AutoGP, Euroformula Open, F3 Brasil, F3 Euro, F3 Japonesa, F4 Alemã, F4 Chinesa, F4 Francesa, F4 Inglesa, F4 Italiana, F4 Japonesa, F4 MSA, F4 Norte-Europeia, F4 Sudam, F-Master China, F-Renault Chinesa, USF2000, Pro Mazda e Indy Lights.

Ao todo, 317 pilotos entraram na relação, sendo que 23 deles são brasileiros. Lembrando que um competidor não pode ser contado duas vezes, então em casos como Jack Aitken e Jake Hughes, que tomaram parte tanto da F-Renault Alps quanto da Eurocup, eles entram apenas uma vez na relação.

Os brasileiros em 2015 foram: André Negrão, Antonio Pizzonia, Bruna Tomaselli, Bruno Baptista, Bruno Bonifacio, Daniel Duarte, Giuliano Raucci, Gustavo Myasava, Henrique Baptista, João Vieira, Leandro Guedes, Matheus Leist, Mauro Auricchio, Nicolas Costa, Pedro Caland, Pietro Fittipaldi, Pietro Fantin, Rafael Martins, Sergio Sette Câmara, Thiago Vivacqua, Victor Franzoni e Vitor Baptista.

A categoria que mais teve pilotos do país foi a F4 Sudam, sem surpresas, por causa da proximidade geográfica. O certame, aliás, teve três de suas etapas disputadas em território brasileiro, mas entrou no levantamento por se tratar de um certame continental.

Seria a mesma lógica de excluir britânicos, franceses e alemães da F3 Euro, por Reino Unido, França e Alemanha estarem na Europa.

A Rússia, que divide a segunda colocação com Brasil, também teve uma ajuda parecida. É que a F4 Norte-Europeia é patrocinada por um banco russo, que investe pesadamente em pilotos daquele país e os colocou para correr em seu campeonato.

A França, com 19 representantes, e a Suíça, com 17, aparecem nas posições seguintes do ranking. Um detalhe curioso é que, como o automobilismo em circuitos é banido no território suíço, logo a lista apresenta todos os jovens pilotos daquele país.

O banco SMP tem apoiado os pilotos russos
O banco SMP tem apoiado os pilotos russos

Agora, por que temos a impressão que tão poucos pilotos brasileiros estão no exterior?

Há diversos fatores que contribuem para essa ideia. Um deles é que eles estão espalhados. Há gente correndo na América do Sul, nos Estados Unidos, em diversos campeonatos da Europa e no Japão. Estivesse todo mundo no mesmo campeonato, ia parecer que o Brasil dominava o cenário europeu.

Os brasileiros também estiveram concentrados em campeonatos de menor importância. André Negrão foi o único piloto do país na GP2, enquanto não houve ninguém na GP3, as duas categorias mostradas na televisão pelo SporTV.

De resto, apenas Pietro Fittipaldi e Sergio Sette Câmara também ganhavam destaque televisivo, pois a F3 Euro foi exibida por Fox Sports e ESPN.

Mas quase ninguém se lembra de que havia representantes do país em cinco Fórmula 4 diferentes. E isso evidencia um dos principais problemas do automobilismo brasileiro e que pode ter grandes consequências no futuro: há algum problema em dar continuidade à carreira até os certames maiores.

Veja o ranking completo de pilotos correndo fora de seus países:

29 Reino Unido
23 Brasil
23 Rússia
19 França
17 Suíça
15 Itália
13 Canadá
12 Austrália
11 México
8 Alemanha
7 China
7 Colômbia
7 Estados Unidos
7 Índia
7 Polônia
6 Argentina
6 Holanda
6 Japão
6 Malásia
6 Suécia
5 Áustria
4 Bélgica
4 África do Sul
4 Espanha
4 Finlândia
4 Indonésia
4 Nova Zelândia
4 Tailândia
4 Uruguai
4 Venezuela
3 Israel
3 Dinamarca
3 Noruega
3 Romênia
2 Cingapura
2 Coreia do Sul
2 Equador
2 Estônia
2 Hong Kong
2 Kuwait
1 Angola
1 Chile
1 Chipre
1 Croácia
1 Emirados Árabes Unidos
1 Filipinas
1 Guatemala
1 Mônaco
1 Omã
1 Peru
1 Porto Rico
1 Portugal
1 República Tcheca
1 Ucrânia

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5 comentários sobre “Por que achamos que há poucos brasileiros no automobilismo?

  1. faltou pilotos ao meu ver como os da F-Indy ( Helinho e Tony ), o da Superfórmula japonesa ( JP Oliveira ) e tantos outros não mencionados. Qual foi o criterio adotado?

  2. Muito legal o levantamento!

    Fica claro que o problema é que até existem vários pilotos tentando levar a carreira correndo na Europa.

    Mas quando a brincadeira começa a ficar séria e chega a hora de pular para categorias mais fortes e principalmente mais caras,falta dinheiro,investimento e apoio.

    A sua ótima pesquisa ilustra o que acontece com o automobilismo brasileiro e mostra que o número de pilotos no exterior não é sinonimo de uma em tese boa fase do esporte no país.

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