Vale a pena correr no Road to Indy?

Spencer Pigot só está garantido em três corridas da Indy em 2016
Spencer Pigot só está garantido em três corridas da Indy em 2016

O ano de 2015 não foi bom para os brasileiros nas categorias de acesso da Indy, o chamado Road to Indy. Na verdade, Victor Franzoni, que começou na USF2000 antes de subir para a Pro Mazda, foi o único representante do país nos certames.

Mas talvez não seja tão ruim o baixíssimo número de competidores do país nesses campeonatos. É que não há nenhuma garantia de que um piloto consiga sair da Indy Lights e fazer carreira no campeonato principal.

Na verdade, é bem mais comum que essa progressão não aconteça. Após passar uma ou duas temporadas na Lights, o competidor geralmente fica sem ter onde correr e acaba com a carreira à deriva.

Recentemente, Sam Schmidt, cuja equipe foi sete vezes campeã da Indy Lights entre 2004 e 2013, afirmou em uma entrevista que não recomendaria a categoria para um jovem piloto. O motivo? É quase impossível que cheguem à Indy.

Do grid do último campeonato, por enquanto apenas Spencer Pigot conseguiu subir para a categoria principal. O campeão de 2015 vai usar a bolsa dada ao vencedor para correr pela Rahal nas etapas de São Petersburgo, Indianápolis e nas 500 Milhas.

O vencedor de 2014, Gabby Chaves, teve uma sorte melhor. Ele fechou com o time de Bryan Herta e disputou a última temporada completa na Indy.

No entanto, os pilotos colombianos têm vivido uma boa fase nos EUA, principalmente após a volta de Juan Pablo Montoya aos monopostos, e não está sendo tão complicado encontrar investidores dispostos a bancarem as empreitadas deles.

Victor Franzoni foi o único brasileiro no Road to Indy em 2015
Victor Franzoni foi o único brasileiro no Road to Indy em 2015

O grid de 2014, aliás, ilustra bem as dificuldades dos pilotos da Indy Lights em seguirem carreira. Tirando Chaves e Jack Harvey, que voltou ao certame na última temporada, os demais primeiros colocados nem sequer disputaram um campeonato integral neste ano.

Não é que Zach Veach, Matthew Brabham, Luiz Razia, Juan Pablo Garcia, Zack Meyer e Alex Baron não subiram para a Indy. Eles não correram de mais nada. Fizeram, no máximo, uma participação ou outra em algum certame.

Em 2013, o cenário foi um pouco mais positivo. Chaves, Carlos Muñoz e Jack Hawksworth conseguiram ir para a Indy, onde devem continuar na próxima temporada. Sage Karam, o campeão daquele ano, no entanto, acabou de ser liberado pela Ganassi para arrumar outra vaga, já que não conseguiu patrocínio necessário para 2016.

Campeão de 2012, Tristan Vautier fez uma temporada de estreia na Indy apenas razoável pela Sam Schmidt, graças à bolsa recebida, e só conseguiu retornar à categoria na metade final da temporada passada.

Josef Newgarden, o vencedor de 2011, é praticamente o único que conseguiu se estabilizar na Indy. Seu antecessor na Lights, Jean-Karl Vernay, sequer estreou pelo certame principal, enquanto J.R. Hildebrand e Raphael Matos acabaram liberados após resultados não muito bons por equipes não mais que medianas.

E por que os pilotos da Indy Lights não sobem para a Indy? É que as equipes conseguem novatos melhores em outros lugares.

Olhando para os estreantes de 2015, se Chaves e Karam vieram da Lights, Stefano Coletti, Rodolfo González e Conor Daly tiveram passagens pela GP2, sendo que apenas o último não contava com bons patrocinadores. Nomes como Mike Conway e Luca Filippi mostram que os jovens podem fazer carreira na base europeia antes de se mudar para os EUA, ignorando a Indy Lights.

Fora exemplos como Juan Pablo Montoya e Rubens Barrichello, que passaram por outros certames tops antes de tentarem a sorte na Indy.

Para piorar, as vagas na Indy são limitadas. Scott Dixon, Helio Castroneves, Tony Kanaan e Sébastien Bourdais estão há mais de dez anos na categoria. No fim, os novatos fazem de tudo para no máximo, participarem de uma ou duas temporadas na categoria antes de caírem fora. Apenas os melhores – e com patrocinadores – conseguem ficar e se estabilizar.

Assim, talvez seja um erro relacionar o número de baixo de brasileiros nas categorias do Road to Indy com a falta de renovação na categoria principal. Não há nenhuma garantia que eles conseguiriam chegar lá. As vacas magras para os pilotos do país, na verdade, estão em todos os lugares.

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