Pegando um atalho

O Cruze pegou um atalho, mas não conseguiu ganhar a posição
O Cruze pegou o atalho, mas não conseguiu ganhar a posição

Quando a F1 vivia anos de corridas sem emoção e decididas na primeira curva, uma das ideias que Bernie Ecclestone teve para trazer mais disputas à categoria era que as pistas tivessem atalhos. Isto é, um piloto poderia algumas vezes cortar caminho para ganhar tempo e, por exemplo, superar um adversário.

A ideia não vingou na F1, mas acabou adotada em outros campeonatos. No Rallycross, o atalho é chamado de joker, e cada piloto precisa usá-lo uma vez por bateria.

Mas como o Rallycross é uma modalidade um pouco diferente dos campeonatos que correm nos circuitos, ninguém reclama da joker lap.

Neste fim de semana, foi a vez de um autódromo ganhar um atalho. Foi o circuito de Mendoza, na Argentina, que recebeu a etapa do Super TC2000.

A partir da terceira das 23 voltas da prova, os pilotos tinham direito a passar por um caminho mais curto duas vezes na corrida para ganhar cerca de oito segundos com relação aos competidores no traçado normal.

Seria, como, por exemplo, em Interlagos todos os carros precisarem fazer a chicane do Café, mas em duas voltas pudessem fazer o traçado normal, sem perder tempo. Claro que eles não ganhariam oito segundos neste cenário, mas a lógica é a mesma.

Dá para ver a diferença entre o traçado do joker e o normal, ao fundo
A diferença entre o traçado do joker e o normal, ao fundo

E o joker permitiu estratégias variadas. Néstor Girolami, por exemplo, se valeu do direito de cortar caminho pela primeira vez logo no começo da prova, para assumir a liderança.

Depois, Javier Manta passou pelo joker em duas voltas consecutivas para descontar toda a diferença e tomar a ponta, aproveitando, assim, o ar limpo para tentar ampliar vantagem.

Quem seguiu no caminho oposto foi Norberto Fontana, que havia largado na pole. O ex-F1 poupou as idas ao atalho para as voltas finais, algo prudente se o safety-car fosse acionado.

Para azar do argentino, há uma linha que marca o traçado dos carros na hora de deixar o joker e voltar à pista, da mesma forma como acontece na saída dos boxes. Assim como no fim do pit-lane, é proibido que um piloto a cruze. Fontana passou por cima dela não só uma mas nas duas idas ao atalho. Ele acabou punido, deixando a liderança com Emiliano Spataro, que cruzou a linha de chegada na frente.

Por mais absurdo que um atalho num circuito possa parecer para alguns, é uma tentativa de fazer corridas melhores para o público. Não é tão diferente da F1 e do DTM, extremamente dependentes da asa traseira móvel, ou da Stock Car, que praticamente toda ultrapassagem é feita usando o push to pass.

No fim, o atalho na Argentina se trata apenas de uma tentativa. Algo que merece ser avaliado para ver se as corridas podem se tornar mais emocionantes.

E é bom que esse teste seja feito em um campeonato menor, como é a Super TC2000. Há mais tempo para ver os resultados antes de causar alguma polêmica, caso tivesse sido feito em um torneio com maior repercussão como o DTM ou a própria F1.

O que você acha dos atalhos nas corridas? Essa ideia deveria ser tentada em outras pistas e categorias?

Você pode clicar aqui para ganhar tempo ver os resultados completos da Super TC2000 em Mendoza.

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