O segredo do sucesso da Nova Zelândia em Le Mans

Stanaway, Hartley, Bamber e Evans
Stanaway, Hartley, Bamber e Evans

A Nova Zelândia é um pequeno país no oceano Pacífico, quase 2 mil km ao sul da Austrália.

No domingo, dia 14, conquistou um resultado histórico na edição 2015 das 24 Horas de Le Mans com a dobradinha na classificação geral, o segundo lugar na LMP2 e pole e melhor volta na GTE-Pro.

O Brasil, 32 vezes maior e com ampla história no esporte a motor, ainda busca o primeiro triunfo na tradicional prova da longa duração. Como explicar a diferença de resultado entre os dois países?

Em primeiro lugar, não dá para ganhar tudo. Há dois pilotos brasileiros pontuando de forma constante na F1, dois brigando por vitórias na Indy, dois lutando pelo título da F-E e um campeonato de turismo nacional entre os mais fortes do mundo. Consequentemente, para algum lugar os pilotos brasileiros não vão. E o endurance não é a prioridade.

A Nova Zelândia, há mais de 30 anos, não tem um representante na F1. Também não tem ninguém correndo na F-E, muito menos um campeonato nacional forte. E Scott Dixon, na Indy, durante muito tempo foi um oásis neozelandês no automobilismo mundial.

Mas o que os kiwis souberam fazer foi investir no esporte a motor. Há dez anos eles criaram a Toyota Racing Series (TRS), um campeonato de monopostos inferior à F3.

Mitch Evans
Mitch Evans foi bicampeão da Toyota Racing Series

Durante esses anos, o certame mudou bastante. O calendário, que ia de novembro a abril, passou a ser condensado com 15 (ou 16) corridas em cinco fins de semanas consecutivos, entre janeiro e fevereiro, aproveitando o inverno no hemisfério norte.

O grid atraiu pilotos do automobilismo europeu. O maior nome até agora foi Daniil Kvyat, o único a chegar à F1. Lucas Auer (DTM) e Alex Lynn (reserva da Williams) também já estiveram na Nova Zelândia.

Esse intercâmbio também beneficiou os pilotos neozelandeses. Eles passaram a competir com alguns dos melhores jovens pilotos do mundo. Assim, alguns kiwis se destacaram e foram levados à Europa melhor preparados.

É o caso de Earl Bamber, duas vezes vice-campeão da TRS, que chegou a correr na GP2. Sem sucesso, ele voltou à Ásia para disputar a Porsche Cup local. Com o título, ele ganhou uma bolsa para andar na Porsche Supercup, preliminar da F1, sendo campeão no ano passado. A taça lhe rendeu um teste com o protótipo da Porsche, sendo aprovado e escalado ao lado de Nico Hulkenberg e Nick Tandy no carro vencedor das 24 Horas de Le Mans.

Brendon Hartley, segundo colocado na França, também veio da TRS. O terceiro lugar em 2005 chamou a atenção da Red Bull, que o levou desde a F-Renault até o cargo de reserva na F1. Dispensado pelos rubro-taurinos, passou pela Lotus e tentou acertar com a GP2. Sem dinheiro, restou o endurance na Grand-Am e na ELMS, se destacando até ser contratado pela Porsche.

Bicampeão da TRS, Mitch Evans, segundo na LMP2, ainda não desistiu da F1. Protegido por Mark Webber, ele está na terceira temporada na GP2, mas resolveu seguir o australiano na França.

E Richie Stanaway descolou um contrato com a Aston Martin quando ainda se recuperava de um grave acidente na World Series by Renault em 2012. De piloto em desenvolvimento da Lotus, ele parecia fadado a seguir o caminho apenas nos carros de turismo até encontrar alguém – a equipe Status – que lhe pagasse para correr na GP3 e na GP2, onde está atualmente.

Brendon Hartley foi descoberto pela Red Bull na Nova Zelândia
Brendon Hartley foi descoberto pela Red Bull na Nova Zelândia

O que as histórias desses quatro pilotos têm em comum? Todos saíram da Toyota Racing Series e passaram por grandes equipes e categorias do automobilismo mundial antes de chegar, de um jeito ou de outro, ao endurance.

É o contrário do que acontece no Brasil. Aqui não há uma categoria de base forte. Então, quando um piloto vai para a Europa, precisa gastar muito dinheiro até começar a se destacar. Poucas vezes consegue impressionar alguma montadora e, se não alcança a F1, retorna ao país de olho na fortalecida Stock Car.

Consequentemente, desde a geração de Nelsinho Piquet, Bruno Senna e Lucas Di Grassi, que deixaram as categorias de base há quase dez anos, o Brasil revelou apenas Felipe Nasr e Pipo Derani para o automobilismo internacional.

E não é questão de falta de talento. Bons pilotos, como Luiz Razia, Cesar Ramos e Felipe Guimarães, surgiram nesse período, mas não tiveram o investimento necessário para seguir no esporte a motor fora do Brasil.

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