Outra corrida encerrada antes da hora

Limites da pista? Que limites da pista?
Limites da pista? Que limites da pista?

Pelo segundo fim de semana consecutivo, uma corrida foi encerrada antes do previsto por causa dos inúmeros acidentes provocados pelos jovens pilotos.

A exemplo do que acontecera na F3 Euro, em Monza, dessa vez foi a F4 Alemã, que teve a terceira bateria da etapa do Red Bull Ring finalizada quando ainda faltavam mais de cinco minutos no relógio.

A corrida começou complicada com Mattia Drudi, que partira em terceiro, escapando na primeira curva. Ao voltar à pista, o italiano encontrou uma fila de quatro carros lado a lado, coletando todos na batida. Pior para Guanyu Zhou, da Academia da Ferrari, que capotou violentamente.

Ralf Aron, companheiro de Zhou na Prema, teve a dianteira do carro danificado e tocou em Joel Eriksson na curva seguinte. Pateticamente, em seguida, o carro de Aron desceu o morro da pista austríaca desgovernadamente, atingido a máquina parada do líder do campeonato, chamando a primeira bandeira vermelha.

Quando a prova recomeçou, diversos incidentes aconteceram na metade do pelotão. Em um deles, Robert Shwartzman danificou a asa dianteira e, sem aderência, passou a dançar pela pista enquanto tentava defender posições. A direção da F4 considerou que todos os limites tinham sido ultrapassados e chamou o safety-car, encerrando a disputa.

Na segunda bateria do fim de semana, Mick Schumacher já havia sido vítima de um dos acidentes. O filho do heptacampeão da F1 foi tocado por trás na reta e fraturou a mão ao atingir o pit-wall.

Guanyu Zhou viu o mundo de cabeça para baixo no Red Bull Ring
Guanyu Zhou viu o mundo de cabeça para baixo no Red Bull Ring

Os incidentes deste fim de semana na categoria alemã serviram para derrubar alguns argumentos usados pela F3 Euro em Monza.

Um dos problemas apontados no certame continental era a presença de pilotos pouco experientes, muitos vindos do kart ou com apenas uma temporada nos monopostos, competindo em um carro potente como o F3.

A F4 é justamente um campeonato para quem está vindo do kartismo, por essa razão tem limite mínimo de idade de 15 anos. Foi feita para que garotos e garotas aprendam o esporte, não para que deem show para os espectadores tanto na pista quanto ao redor do mundo, na internet.

O problema, portanto, não é a qualidade dos pilotos, mas como as categorias de base estão sendo tratadas.

Para os organizadores da F3 e da F4, é muito bom ter fotos com grids cheios, com mais de 35 participantes. No entanto, será que com esse número, os pilotos estão recebendo as atenções e as lições que precisam?

Não é a mesma lógica de uma sala de aula cheia de alunos? Você vai conseguir dois ou três estudantes acima da média, com futuros brilhantes, mas no geral o aprendizado dos demais será prejudicado.

A solução poderia ser limitar a categoria para 24 ou 26 carros. Ainda será um grid decente, mas com os competidores tendo um maior acompanhamento. Veja abaixo a corrida do Red Bull Ring, com as batidas a partir de 5min7s.

Outro ponto em comum entre as duas etapas polêmicas da F3 e da F4 é que elas aconteceram em circuitos de alta velocidade.

Na Europa, não há nenhum tipo de restrição sobre em qual circuito um piloto pode correr. Monza, Spa-Francorchamps e o Red Bull Ring estão nos calendários das F4. No entanto, nos Estados Unidos, os competidores vão sendo liberados para competir em pistas maiores, especialmente nos ovais, de forma gradativa.

Na Nascar, por exemplo, um piloto só pode correr em um oval maior que uma milha se já tiver completado 18 anos. Na Indy, a Pro Mazda e a USF2000 têm o pequeno Lucas Oil Raceway no calendário, enquanto só a Indy Lights – e o certame principal – anda em Indianápolis.

Talvez a FIA pudesse limitar as pistas mais velozes para campeonatos como GP2 e World Series by Renault. Os traçados de rua entrariam na GP3 e na F3, enquanto os certames menores teriam à disposição apenas autódromos de média e baixa velocidade.

O que não se pode é culpar os jovens pilotos pelas corridas encerradas antes da hora. Eles são responsáveis, sim, pelos acidentes que estão causando, mas não pelo contexto maior que vive o esporte a motor.

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