Carmen Jordá será pilota em desenvolvimento da Lotus
Carmen Jordá será pilota em desenvolvimento da Lotus

Uma das principais notícias da F1 nesta semana foi a contratação de Carmen Jordá como pilota em desenvolvimento da Lotus.

A polêmica envolvendo o acerto se deu devido aos maus resultados obtidos pela espanhola nos últimos anos. Entre 2012 e 2014, ela competiu na GP3, mas não conseguiu marcar pontos. A melhor posição de chegada nesse período foi o 13º em Valência, no ano de estreia na categoria.

Carmen também disputou a Indy Lights e a F3 Espanhola no começo da carreira, mas jamais esteve na luta pelas primeiras colocações.

Para piorar a situação da espanhola, ela chegou à Lotus no mesmo momento em que a equipe poder perder Esteban Ocon, atual campeão da F3 Europeia. Como o time britânico não tem dinheiro para bancar uma temporada do francês na GP2, já há rumores da rescisão do contrato. Assim, o garoto deve passar a ser empresariado por Nicolas Todt – o mesmo de Felipe Massa – e correr na GP3 pela ART.

Apesar das reclamações quanto à chegada de Jordá à F1, se olharmos o contexto, tudo faz sentido.

Para entender a crise da Lotus, basta ver o macacão usado pela pilota na apresentação. Há apenas dois patrocinadores com destaque. O primeiro é a Microsoft Dynamics, que não contribui com muito dinheiro para o orçamento – o acordo é mais de cooperação tecnológica –, e o outro é a PDVSA. Só que a Venezuela vive uma crise econômica muito séria, causada entre outros motivos pela queda do preço do barril de petróleo.

Como os custos da F1 estão aumentando, a Lotus fez o que qualquer empresa faria. Cortou gastos que não são prioridade – pagar para Ocon correr na GP2 – e arrumou uma nova fonte de renda ao trazer Carmen como pilota em desenvolvimento.

Mais do que o dinheiro pago pela espanhola, o acordo também pode render publicidade para o time. Afinal, o público que não acompanha o automobilismo tão de perto não sabe ou não se importa com os resultados obtidos pela pilota na GP3 e nas demais categorias de base.

Obviamente, o ideal seria que todas as escuderias tivessem condições de participar da F1 sem precisar recorrer a pagantes, mas ver a Lotus arrumando uma nova fonte de renda antes do início do campeonato parece no curto prazo um bom sinal.

Agora, se a Lotus tivesse contratado para a vaga um Chanoch Nissan, Adderly Fong ou qualquer piloto homem que tenha somado pouco mais de uma dezena de pontos nas últimas três temporadas, o tom das críticas teria sido o mesmo? Eu acredito que não.