F3 Alemã (1964 – 2014)

A F3 Alemã vinha enfrentando grids enxutos
A F3 Alemã vinha enfrentando grids enxutos

A F3 Alemã acabou. Após 50 anos, a organização do campeonato anunciou nesta sexta-feira, dia 23, que o certame não será disputado em 2015 e continuará trabalhando para revivê-lo no ano que vem. Essa é a segunda F3 nacional que morre nos últimos meses, já que a F3 Inglesa também fechou as portas.

As duas categorias foram vítimas do plano da FIA de diminuir os certames nacionais para priorizar a F3 Europeia. Desde que passou a promovê-la, em 2012, a entidade internacional criou diversas medidas para dificultar a vida desses torneios.

Uma delas foi a chamada regra dos 28 dias, conceito da FIA que proibiu os times da F3 Europeia de treinar e correr em qualquer pista que vai receber uma etapa do campeonato nas quatro semanas antes do evento, com qualquer equipamento da modalidade.

Como havia um choque de calendário, a F3 Alemã acabaria prejudicada, uma vez que as principais equipes do certame também correm no europeu. Por isso, a organização germânica colocou essa regra como uma das causas do fim do campeonato.

Mas houve outras. Por causa das regras cada vez mais rígidas da FIA e de um equipamento mais defasado, a F3 Alemã não estava mais conseguindo atrair pilotos. Houve apenas 11 competidores de forma integral na temporada de 2013, ainda que a maior parte das etapas reunisse em média 17 carros. No ano passado, o número de participantes regulares caiu para somente nove.

Como uma forma de salvar as categorias, a SRO, que promovia a F3 Inglesa, chegou a propor uma fusão com o campeonato alemão. A ideia era que os carros fossem equalizados e houvesse quatro corridas na Alemanha e quatro no Reino Unido. Os principais times do certame germânico, como Motopark, Van Amersfoort e Performance, eram a favor, mas a união acabou vetada pela direção da F3 Alemã, que a considerou prejudicial para os times pequenos.

Enquanto a F3 Inglesa acabou no momento em que as negociações para a fusão foram encerradas, a alemã ainda prosseguiu mais um tempo. O problema é que o êxodo das equipes continuou.

A tricampeã Motopark anunciou que trocaria a F3 Alemã pela F3 Euro em 2015. A Van Amersfoort, fortalecida por ter sido o time de Max Verstappen no ano passado, começou a atrair diversos pilotos para o europeu e a Eurointernational também planejava manter o foco no campeonato continental, embora já tivesse assinado com o dinamarquês Nicolas Beer para o torneio germânico.

O malaio Weiron Tan foi o último piloto a vencer uma corrida da F3 Alemã
O malaio Weiron Tan foi o último piloto a vencer uma corrida da F3 Alemã

Enquanto isso, a organização da F3 Alemã tinha uma reunião com a federação local (Adac) para definir os contratos de televisão da nova temporada. Como era preciso um mínimo de 15 carros para garantir a exibição, o torneio fez de tudo para atingir esse número, até mesmo negociando para atrair Fortec e Double R, órfãs da F3 Inglesa.

Não deu. Com a ameaça de ter um grid ainda menor que o do ano passado, a opção da organização da F3 Alemã foi fechar as portas. E isso tudo em um ano que a F3 Europeia recebeu 50 pedidos de inscrição e boa parte não será aceita.

O fim da F3 Alemã – assim como o da Inglesa – é preocupante para os jovens pilotos. Ainda que esses dois certames tenham enfrentado grids enfraquecidos nas últimas temporadas, são 15 vagas a menos em F3 na Europa. Ou seja, com tantas F4 surgindo por aí, dar o próximo passo na carreira vai ficando cada vez mais complicado.

Há três quatro opções para esses garotos: correr na F3 Euro, na GP3, na Euroformula Open ou tentar um pulo direto para a World Series by Renault.

E pode ser justamente nesse ponto que está a melhor chance do retorno das F3 nacionais. É criar uma demanda para um passo intermediário entre as F4 e esses campeonatos, para que os pilotos possam se desenvolver melhor. Só que com a média de idade cada vez menor na F3 Euro, nada indica que isso vá acontecer em breve.

Em tempo, a presença brasileira na F3 Alemã não era tão generosa quanto na inglesa. Apenas João Paulo de Oliveira foi campeão, em 2003, embora o piloto paulista tenha sido o detentor da maior parte dos recordes até a última temporada, quando foi superado por Markus Pommer. Só que o alemão disputou bem mais corridas, uma vez que tomava parte de rodadas triplas contra duplas do brasileiro.

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