Ruminando sobre a nova superlicença

Marcus Ericsson não teria conseguido a superlicença pelas novas regras
Marcus Ericsson não teria conseguido a superlicença pelas novas regras

Desde que a FIA divulgou os novos critérios da superlicença – no Natal, e não nesta terça-feira –, diversas dúvidas surgiram quanto ao sistema de pontos proposto pela entidade.

Afinal, de acordo com as novas regras, um piloto precisará acumular 40 pontos em três anos – segundo a tabela montada pela federação – para ser liberado para correr na F1. Você pode clicar aqui para conferir o sistema de pontos.

O problema é que diversos competidores que passaram pela principal categoria do automobilismo mundial nos últimos anos não chegariam perto deste requisito. Marcus Ericsson, por exemplo, teria apenas 14 pontos ao ser contratado pela Caterham. E a situação não é diferente de outros conhecidos pagantes.

Max Chilton acumulou 20 antes de assinar com a Marussia, enquanto Charles Pic somara 37. Giedo van der Garde, por sua vez, tinha 24 no momento em que foi contratado pela Caterham, embora a situação do holandês seja um pouco diferente. Como ele venceu a World Series by Renault em 2008, logo dois anos depois tinha os pontos – e o dinheiro – suficientes para subir à F1. Ou seja, não teria motivos para continuar na GP2 naquele momento e arriscar expirar os bônus do título.

De qualquer forma, dá para ver que uma consequência das regras da FIA é dificultar a chegada de pagantes à F1. Ou seja, a partir de agora, ser rápido e vencer títulos é mais importante que nascer em uma família endinheirada. Assim, se for restringir a categoria para alguém, que seja para os ricos e não para os talentosos. Ponto para a turma de Jean Todt.

A World Series by Renault pode ter sido menos prejudicada do que parece
A World Series by Renault pode ter sido menos prejudicada do que parece

O problema é que não vivemos em um mundo ideal, e esse sistema pode ser facilmente burlado. Vamos pegar o exemplo do próprio Van Der Garde. Após quatro anos na GP2, o holandês tinha 24 pontos, levando em conta o retrospecto nas últimas três temporadas. Se quisesse subir à F1, ele poderia continuar na categoria por mais um ano, torcer para terminar entre os três primeiros e garantir a pontuação da superlicença, certo?

Ou ele poderia descer para a F3 Euro e, com toda a experiência que tem, terminar nas primeiras posições do campeonato, acumulando praticamente a mesma quantidade de pontos. Qual você acha que é mais fácil? Claro que voltar uma categoria.

E esse é o maior perigo do sistema da FIA. É os pilotos pegarem o elevador que desce para marcarem pontos, uma vez que a entidade resolveu priorizar a F3 e a F4. Aí, ao invés de esses certames prepararem novos talentos, eles podem se tornar refúgio para competidores mais experientes em busca da superlicença.

A situação mais curiosa, porém, é a da World Series. Como a categoria dá pouquíssimos pontos para quem termina fora dos dois primeiros, nada impede que algum garoto ou garota saia da F-Renault e passe alguns anos competindo nela, o que já acontece regularmente.

Quando esse competidor perceber que está pronto para a F1, mas não tem os pontos suficientes na superlicença, basta se mudar para a F3 e usar tudo o que aprendeu para superar os mais jovens. E o que a FIA pode dizer dessa manobra? Nada! Ela mesma considerou que a World Series by Renault está abaixo da F3 Euro, então, segundo os critérios da própria entidade, os pilotos estão subindo na carreira, e não descendo.

É por isso que a montadora francesa pode ficar tranquila. O sistema da FIA é tão cheio de falhas, que ela praticamente não será afetada. Até porque a F1 não é a única categoria do automobilismo mundial, e preparar garotos e garotas para a profissionalização é mais importante que alguns pontos em uma tabela maluca.

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Um comentário sobre “Ruminando sobre a nova superlicença

  1. Acho que a FIA pegou até muito leve, isso sim, e mais uma vez deu mostras claras de que existe apenas para legislar sobre F1. E o resto é resto.

    O de licença deveria ser aplicado a todos os níveis de competição em carros, obrigando todos a começarem em categorias de nível F4, obrigatoriamente passarem pela F3/Gp3 e poderem acessar as categorias top apenas os que ficarem entre os 5 primeiros das de nível F2 (GP2 e WSR).

    Acho que obrigar todos a percorrerem o mesmo caminha é mais importante do que impedir outros Max Verstappens da vida.

    Deveria ser levado em conta também o número de anos do piloto na categoria. Exemplo, no primeiro ano o cara só sobe de nível se for campeão – a exemplo de Hamilton e Hulkenberg – os segundo ano seria o ideal, exigindo até uma quinta colocação. A partir do terceiro, vai se apertando e no quinto, tchau, tá rebaixado.

    Isso evitaria a criação de verdadeiros moveis e utensílios na Gp2, por exemplo.

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