A nova superlicença

Max Verstappen fez a FIA mudar as regras da superlicença
Max Verstappen fez a FIA mudar as regras da superlicença

O que você fez no dia 24 de dezembro, na véspera de Natal? Visitou algum parente para a ceia, abriu presentes ou ficou lendo notícias sobre o automobilismo?

Bom, não importa. Quem aproveitou para fazer algo diferente foi a FIA, ao divulgar, enquanto o resto do mundo estava comemorando, um adendo ao regulamento desportivo da F1.

A principal mudança dessa vez esteve nos requisitos para a superlicença. Por causa da carreira meteórica de Max Verstappen, a entidade já havia anunciado que agora os pilotos precisarão ter 18 anos para correr na F1, ter carta de motorista, passar numa prova teórica e ter ficado ao menos duas temporadas nas categorias de base.

A alteração divulgada antes do Natal também estabeleceu que, a partir de 2016, os garotos e garotas terão três anos para somar 40 pontos nos campeonatos menores antes de subir para a F1. Como cada torneio tem a própria pontuação, a FIA criou um critério dependendo da posição final de cada competidor. Confira abaixo (clique para ampliar).

tabela

Ou seja, de acordo com a tabela acima, um piloto que começar a carreira na F-Renault Eurocup e for vice-campeão, somará três pontos. Daí ele precisará acumular mais 27 nos dois anos seguintes se quiser estar pronto para a F1. Assim, ele poderá, por exemplo, ser o terceiro colocado na GP3, marcando mais 20, e ser o sexto na GP2 logo depois, obtendo outros oito.

Em primeiro lugar, a mudança da FIA é positiva porque acaba de vez com os pilotos puramente pagantes. Como será necessário chegar no top-10 de um campeonato para poder pontuar, agora os atletas que dependem apenas de dinheiro não terão mais chances de obter a superlicença. Com isso, gente como Giancarlo Serenelli, Giorgio Mondini e Ricardo Teixeira passará longe dos cockpits da principal categoria do automobilismo mundial.

Por outro lado, matematicamente a tabela não faz nenhum sentido. Por que dar um ponto ao piloto que terminar a F-Renault em terceiro se, por exemplo, é impossível somar 29 com qualquer outra combinação de resultados?

E, por fim, ainda há um esforço muito grande da FIA em favorecer as categorias que chancela – como a F3 Euro e as F4 – contra a GP2/GP3 e os campeonatos da Renault. Para isso, basta ver que o campeão da F3 ganhará 40 pontos – e estará apto a receber a superlicença –, a mesma quantidade dos vencedores do WEC e da Indy. É também o dobro que o campeão da Super Formula terá e 50% a mais que quem vencer a GP3 e a World Series by Renault, categorias com carros mais potentes.

Do mesmo jeito, as F-Renault darão a metade da pontuação da F4, ainda que seja uma categoria mais forte. Mas aí a explicação pode ser a possibilidade de um competidor dipuatr dois certames da montadora francesa ao mesmo tempo e vencê-los, como aconteceu com Nyck de Vries em 2014.

Você pode clicar aqui para ver todas as mudanças divulgadas pela FIA na véspera do Natal para os próximos anos.

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