A saída de Vergne da Toro Rosso

JEV já se despediu da Toro Rosso
JEV já se despediu da Toro Rosso

Jean-Éric Vergne não será piloto da Toro Rosso em 2015. O francês decidiu não esperar o anúncio oficial da equipe e deu a notícia pelo Twitter, nesta quarta-feira, dia 26. JEV disputou três temporadas pela esquadra de Faenza e obteve 51 pontos no período, sendo dois sextos lugares – nos GPs do Canadá de 2013 e Cingapura de 2014 – como melhores resultados.

Como a Toro Rosso terá o jovem Max Verstappen como titular no ano que vem, o chefe da escuderia, Franz Tost, defendia a permanência do gaulês devido à experiência que tem na F1. No entanto, essa era uma decisão da Red Bull, que acabou optando por dar o lugar a algum integrante do programa de pilotos, com o confirmação de Carlos Sainz Jr devendo vir na próxima semana.

Para entender por que a Red Bull optou por dispensar o francês, é preciso conhecer a história da própria Toro Rosso. O time italiano foi criado em 2006 quando Dietrich Mateschitz, o dono da fabricante de energéticos, comprou a Minardi. O chefão queria ampliar o poder político que tinha na F1 – afinal ele queria algumas certezas para o investimento –, por isso adquiriu uma segunda equipe para dobrar o poder de barganha nas negociações.

No começo, a Toro Rosso foi administrada por Gerhard Berger, sócio de Mateschitz na empreitada. Nesse período, a equipe teve grande sucesso e, em 2008, conquistou uma vitória no GP da Itália com Sebastian Vettel.

O problema é que Berger e Mateschitz tinham visões diferentes para o time. O ex-piloto, satisfeito por ter superado a matriz, queria investimentos maiores da empresa de bebidas, mas o dirigente não estava disposto a colocar mais dinheiro. E isso piorou quando a F1 restringiu o número de peças que uma equipe poderia passar a outra em 2009, significando que a nova STR deveria ser quase toda desenvolvida em Faenza.

A filosofia da Red Bull é gastar pouco e colher muito com a Toro Rosso
A filosofia da Red Bull é gastar pouco e colher muito com a Toro Rosso

A partir daí, Berger vendeu de volta a Mateschitz o que detinha da Toro Rosso, e a esquadra passou a operar apenas como uma extensão do programa de jovens pilotos rubro-taurino. No lugar de contratações bombásticas, como Sébastien Bourdais, apenas jovens que recebiam patrocínio da empresa desde o início da carreira tiveram chance.

Isso diminuiu os custos da empresa com a equipe. De acordo com o site ‘The Bleacher Report’, a Toro Rosso teve um orçamento de €70 milhões (US$90 milhões) na temporada 2013, maior apenas que Caterham e Marussia. No fim do ano, só de premiação, o time recebeu de volta da FOM US$ 56 milhões. Ou seja, entre restaram apenas US$ 34 milhões para serem divididos entre patrocínios da Cepsa, de outros parceiros e da grana colocada pela própria Red Bull.

Evidentemente, esse dinheiro não permite que o time volte a brigar por vitórias como na época de Vettel. Mas é o suficiente para que a escuderia continue a operar e seja o elo entre o programa de pilotos da Red Bull e a F1. E, com a promoção recente de Ricciardo e Daniil Kvyat, ninguém pode afirmar que essa estratégia não vem dando certo.

Só que nem todo mundo que passa pela fábrica da Faenza tem um futuro brilhante pela frente. Consultor de Mateschitz e responsável pelo Red Bull Junior Team, Helmut Marko estabeleceu que três temporadas é um prazo razoável para que um piloto fique na Toro Rosso. Se não mostrar nesse período que merece uma promoção ao time principal ou a outra categoria em que a Red Bull está presente, ele acaba substituído. Foi assim em 2012, quando Daniel Ricciardo e o próprio Vergne entraram no lugar de Sébastien Buemi e Jaime Alguersuari, e está sendo assim agora, com a chegada de Sainz e Verstappen.

Quanto a JEV, ele deve assumir a vaga de Felipe Nasr como reserva da Williams em 2015, segundo a emissora inglesa Sky Sports. Se isso realmente acontecer, o francês se coloca em uma boa posição para continuar a carreira. Terá a oportunidade de desenvolver o novo carro da escuderia e entrar na luta para substituir Valtteri Bottas e/ou Felipe Massa, caso algum deles deixe o time no fim do ano que vem. Na pior das hipóteses, Vergne poderá seguir os passos de Buemi, que arrumou uma carreira digna em outras categorias – WEC e F-E – enquanto seguia como terceiro piloto da Red Bull.

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2 comentários sobre “A saída de Vergne da Toro Rosso

  1. muito bom texto. Um piloto que convenceu os fas e nos deixou pensando como ele teria se saido na RDR contra o Vettel. A Williams pode aproveitar o cara no estilo como fizeram com o Hülkenberg, um cara barato e rápido. Mas eles acabam de anunciar a Susie Wolf para o posto de terceiro piloto.

    PS.: Um bom posto pra fimd e ano é um review dos pilotos de base que entraram em evidencia esse ano e que podem chegar a F1 nos proximos anos.

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