Para entender o terceiro carro na F1

A Caterham pode estar dando adeus para a F1
A Caterham pode estar dando adeus para a F1

Foi Adam Parr quem avisou. No fim de semana do GP da Itália, em meios às especulações envolvendo o mercado de pilotos e a saída de Luca Di Montezemolo da Ferrari, o ex-presidente da Williams usou o Twitter para dizer que a F1 a partir de 2015 seria formada por oito equipes podendo inscrever um terceiro carro.

Ao contrário do próprio Montezemolo ou de Bernie Ecclestone, Parr não é ligado nos holofotes. Ele não fala uma coisa querendo dizer outra nem usa a imprensa para mandar recados com endereço. Se havia a possibilidade de a F1 ter três carros por time no ano que vem, então ele sabia de alguma coisa.

Mais de dois meses depois, tudo indica que ele estava certo. Atravessando uma crise financeira terrível, a Caterham já anunciou que vai ficar de fora dos GPs dos Estados Unidos e do Brasil. Pior que isso, a antiga escuderia malaia agora está sendo administrada por um banco para evitar fechar as portas devido a problemas envolvendo a venda da estrutura de Tony Fernandes para um grupo de investimentos árabe-suíço.

Agora é a Marussia que também pode ficar de fora. O time russo, assim como a colega nanica, não vai correr no Circuito das Américas nem em Interlagos. Mais do que isso, segundo o jornal britânico ‘Daily Mail’, os donos da esquadra informaram à justiça que estão em vias de encerrar as atividades, por isso querem passar o time para administradores legais.

Sem Caterham e Marussia, o grid da F1 para o ano que vem cai para 18 carros. E é aí que está o problema. Quando a FIA renovou o contrato com a FOM pelo prazo de 100 anos, em uma das clausulas exigidas pela entidade está a obrigatoriedade de um mínimo de 20 participantes por temporada. Caso isso não aconteça, o documento é rescindido.

Para evitar que isso aconteça, Bernie Ecclestone foi rápido. Lucrando cada vez mais com o campeonato, o dirigente estabeleceu na última negociação com as equipes – que substituiu o Pacto da Concórdia – uma medida de emergência. Se o grid tiver menos que os 20 competidores mínimos, os principais times seriam convocados para inscrever um terceiro carro, alcançando o limite de vagas e mantendo o contrato.

Essa situação é um pouco diferente da que tínhamos há alguns anos, quando principalmente a Ferrari cobrava para poder alinhar trios, uma vez que queria ter Valentino Rossi ao lado de Michael Schumacher e Rubens Barrichello, em um plantel dos sonhos.

Com 18 carros na grid, as equipes de ponta podem ser convocadas a alinhar uma terceira máquina
Com 18 carros na grid, as equipes de ponta podem ser convocadas a alinhar uma terceira máquina

Só que as regras de Ecclestone também não são tão simples. Caso o terceiro carro venha ser usado, ele não marcará pontos nem receberá premiação pelos resultados. A ideia, justa, é que os times com três pilotos não sejam beneficiados na luta contra quem só tem duplas. Na prática, continuaria sendo dois contra dois.

E essa regra acaba causando outro problema. Vamos dizer que a Mercedes, pelo novo regulamento, termine nas três primeiras colocações de uma corrida. Como o terceiro carro não pontua, pela lógica os 15 pontos do terceiro lugar vão para quem veio logo atrás, certo?

Errado. De acordo com a FOM, a posição obtida pelo terceiro carro será considerada vaga, e ninguém se beneficiará dela. Quem terminou em quarto continua marcando 12 pontos e assim por diante. A zona de pontos, portanto, continua sendo apenas para o top-10, independentemente de quantos postos ficarem vagos.

E como dito pelo jornalista Joe Saward, alguém precisa terminar em último. Ou seja, se hoje a gente já sabe que Marussia e Caterham lutam do 19º lugar, outro time vai precisar substituí-las. Assim, com as principais equipes inscrevendo três carros, será mais difícil para Lotus, Sauber, Force India e Toro Rosso pontuar.

Como elas lutarão no fim do pelotão, aparecerão menos na televisão. Aí será mais difícil encontrar novos patrocinadores, e nada poderá impedir que fechem as portas, obrigando novos times inscrevam um terceiro carro e assim vai… É uma solução paliativa, portanto, mas que pode custar o contrato da FOM no longo prazo.

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