Christian Fittipaldi é o primeiro vencedor do endurance unificado nos Estados Unidos
Christian Fittipaldi é o primeiro vencedor do endurance unificado nos Estados Unidos

Sempre tive a impressão que Christian Fittipaldi era um piloto melhor do que o crédito recebido. Talvez pela eterna pressão de vir de uma família do automobilismo – o tio Emerson é bicampeão da F1, venceu duas vezes as 500 Milhas de Indianápolis e uma vez a Indy –, tudo o que ele conquistava parecia não ser bom o bastante.

Por isso, pouco importou se ele foi campeão da F3 Sudamericana em 1990, superou Alessandro Zanardi e Damon Hill para triunfar na F3000 como novato no ano seguinte e levou uma Minardi ao quarto lugar no GP da África do Sul e ao quinto, no GP de Mônaco em 1993. Além disso, cruzou a linha de chegada na frente duas vezes na Indy e ainda foi o primeiro brasileiro a disputar a principal divisão da Nascar.

Em resumo: algumas façanhas, vários bons resultados, mas nada que o fizesse repetir o tio e colocar o nome na história do esporte a motor.

Mas tudo mudou neste sábado, dia 4. Competindo ao lado do português João Barbosa e do francês Sébastien Bourdais, o brasileiro terminou em segundo lugar na Petit Le Mans, disputada em Road Atlanta, resultado suficiente para garantir a taça de campeão da temporada 2014 da United Sportscar.

O triunfo é bastante importante, pois este foi o primeiro ano em que as competições de endurance nos Estados Unidos estiveram juntas. Até ano passado, como aconteceu com a Indy um tempo atrás, Grand-Am e ALMS eram categorias diferentes, o que acabava dispersando pilotos, equipes e fãs interessados em corridas de longa duração.

A campanha do título foi irretocável. Christian e Barbosa jamais terminaram foram dos seis primeiros. Foram três vitórias – incluindo em corridas importantes como as 24 Horas de Daytona e a etapa de Indianápolis –, outros cinco pódios e uma vantagem de 19 pontos para Jordan e Ricky Taylor, na máquina campeã da Grand-Am no ano passado.

A equipe largou na pole na Petit Le Mans
A equipe largou na pole na Petit Le Mans

O título também foi resultado da evolução da equipe Action Express ao longo dos anos. Quando Christian chegou ao time, na parte final do campeonato de 2012, a escuderia vivia um momento de falta de resultados, praticamente incapaz de manter uma dupla por duas corridas consecutivas. O brasileiro, assim, rapidamente ganhou a confiança da esquadra e, no começo de 2013, foi colocado para correr ao lado de Barbosa, tão experiente e habilidoso quanto.

No primeiro ano, os dois chegaram à etapa decisiva com chances de ficar com a taça. Mas um acidente na penúltima corrida do campeonato os obrigava a esperar um milagre. Se em 2013 não veio, dessa vez eles não deram chances para o azar e para o sobrenatural para conquistar o campeonato.

Outro integrante importante da Action Express na campanha foi Bourdais. Enquanto o francês demorou a se encontrar na Indy – tendo só voltado a vencer neste ano –, nas corridas de longa duração ele manteve a boa fase. Nos anos anteriores, foi responsável por levar equipes menores ao degrau mais alto do pódio. Em 2014, ao lado de Christian e Barbosa, venceu em Daytona, foi terceiro em Sebring e segundo na Petit Le Mans. Ou seja, ele trouxe estabilidade e certeza de resultados quando a equipe precisou recorrer a alguém de fora nas provas de maior duração.

Por fim, o título de Christian também serviu para que a família Fittipaldi não parasse as comemorações. Depois de Pietro vencer a F-Renault Inglesa e Enzo conquistar um campeonato de kart nos Estados Unidos, o tio veterano agora também pôde voltar a ser chamado de campeão e incluir mais uma façanha no extenso currículo.

Você pode clicar aqui para ver os resultados da Petit Le Mans, assim como das principais categorias do automobilismo neste fim de semana.