A redenção de Nyck De Vries

Nyck De Vries finalmente foi campeão
Nyck De Vries finalmente foi campeão

Esta semana vai ser bastante especial para um desses fenômenos nas pistas. Nesta terça-feira, dia 30, Max Verstappen completa apenas 17 anos de idade. Três dias depois, na sexta, ele vai receber o presente. Vai participar do primeiro treino livre do GP do Japão da F1, já em preparação para estrear como titular em 2015.

Desde o kartismo – também conhecido como no ano passado –, o holandês já vinha sendo apontado como uma futura promessa do automobilismo. E isso não é raro de acontecer. Conforme a tecnologia de informação foi desenvolvida, não foi mais preciso ir até um kartódromo para conhecer o futuro do esporte a motor. Agora, os resultados de qualquer competição estão disponíveis e é fácil pegar os primeiros colocados da classificação e apontar algum deles como promessa.

Foi isso o que aconteceu com Nyck de Vries. Bicampeão mundial de kart, o garoto também nascido na Holanda sequer tinha um plano para traçado para estrear nos monopostos quando assinou com a McLaren para participar do programa de jovens pilotos da escuderia inglesa. A ideia era repetir o que havia dado certo com Lewis Hamilton. O britânico foi apoiado pelo time de Woking desde os primeiros passos da carreira até o título mundial da F1 em 2008.

Só que a lógica nem sempre está presente no automobilismo. O que dá certo para um piloto nem sempre funciona para outro. Ou seja, enquanto Hamilton não teve problemas para ascender à F1 e Verstappen pulverizou todos os recordes de precocidade, De Vries ficou estagnado na F-Renault Eurocup.

O neerlandês estreou no certame em 2012, logo após os dois títulos mundiais de kart, e teve um desempenho bastante convincente para um estreante. Mesmo competindo contra adversários bem mais experientes em um grid altamente competitivo, De Vries fechou o ano em quinto, com dois pódios.

Assim, a ideia era vencer o campeonato em 2013 e seguir caminho rumo à F1. Para isso, ele assinou com a equipe Koiranen, que tinha levado Daniil Kvyat ao título do ano anterior.

Entretanto, a troca não deu certo, e a Koiranen enfrentou problemas de desempenho durante toda a primeira metade da temporada, o que também prejudicou o trabalho dos brasileiros Guilherme Silva e Victor Franzoni. A equipe só foi se encontrar após as férias de verão, com o holandês tendo conquistado duas vitórias, subido ao pódio em outras três oportunidades e tendo sido o piloto que mais pontuou no período.

De Vries garantiu a taça em Paul Ricard, com uma rodada de antecipação
De Vries garantiu a taça em Paul Ricard, com uma rodada de antecipação

Com o bom momento em mente, o piloto escolheu seguir na F-Renault Eurocup para um terceiro ano, algo incomum para um piloto talentoso, ainda mais para alguém apontado como novo Lewis Hamilton.

Além do certame europeu, o pupilo da McLaren também decidiu tomar parte da temporada completa da F-Renault Alps, para ter mais tempo de pista ao longo do ano. A tática deu resultado. O neerlandês disputou 24 corridas em 2014, venceu 12, largou na pole em 14 oportunidades e só ficou fora do pódio seis vezes. E, assim, conquistou as duas taças.

Os títulos são bastante importantes para colocá-lo de volta aos planos da escuderia de F1. Enquanto De Vries estava empacado na F-Renault, a McLaren desenvolveu Kevin Magnussen em um titular da escuderia e começou a trabalhar com Stoffel Vandoorne, um dos destaques da GP2 até aqui.

Além disso, com a chegada da Honda no ano que vem, cada vez menos o time de Woking terá espaço para jovens talentos. Afinal, a menos que surja alguém excepcional – e levar três anos para vencer a F-Renault não se encaixa exatamente nesse quesito –, eles terão o dinheiro nipônico para contratar quem quiser.

Mas no automobilismo tudo depende de estar no lugar certo e na hora certa. De Vries já afirmou que planeja disputar a World Series by Renault no ano que vem, fazendo uso da bolsa de €500 mil dada pela montadora francesa ao vencedor da F-Renault. Assim, nada impede que o holandês estoure no novo certame no ano que vem e coloque uma dúvida na Honda e na McLaren na hora de formar o novo plantel da F1.

(Mas já pensou que zica seria Fernando Alonso retornando à McLaren em 2016 e ter como companheiro de equipe um piloto que já foi apontado como o novo Lewis Hamilton? Pois é, como disse, nesse esporte tudo depende de estar no lugar certo e na hora certa.)

4 comentários sobre “A redenção de Nyck De Vries

  1. Felipe, sabe me dizer se o Nyck ainda é piloto McLaren?

    Me parece que até o ano passado havia alguma igualdade de patrocinador, o que evidenciava o vínculo entre as partes.

    Pela foto postada na matéria o carro está totalmente sem patrocínio, o que me deixou em dúvida.

    Por falar em F-Renault, como está Thiago Vivacqua? Pelo que li e acompanhei, os resultados tem sido fracos, sobretudo pelo fato dele correr em boa equipe (Fortec). Sabe qual é o problema que tem ocorrido?

    Abraço.

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    1. Oi Rodrigo, obrigado pelo seu comentário.

      O Nyck de Vries continua na McLaren. O patrocínio não quer dizer muito. Na GP2, o Stoffel Vandoorne, também da McLaren, corre com o carro limpo. Tudo bancado pela equipe, que não expõe outra marca.

      O De Vries já disse que está esperando a definição da McLaren sobre os planos de 2015.

      Quanto ao Vivacqua, acho que os fracos resultados fazem parte do aprendizado. Mas veja que ele não está longe de outros pilotos da Fortec, como Jorge Cevallos e Martin Kodric.A diferença maior tem sido com relação ao Charles Leclerc mesmo, esse sim muito acima da média.

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