Mercado de pilotos da Indy 2015

A Indy 2014 já terminou, então já está na hora de olhar para 2015
A Indy 2014 já terminou, então já está na hora de olhar para 2015

Após somar mais punições que pontos no meio da temporada 2014 da Indy, Will Power conseguiu dar a volta por cima e conquistou o título no último fim de semana em Auto Club. Enquanto o australiano ainda comemora o feito, já está na hora de pensar no próximo campeonato, cujo início deve acontecer entre fevereiro e março do ano que vem.

E 2015, aliás, também marca a chegada dos kits aerodinâmicos à categoria. Ou seja, a partir de agora as equipes e montadoras também estarão livres para desenvolver atualizações para os carros. Assim, a diferença de uma máquina para outra não será apenas o motor Chevrolet ou Honda.

E como acontece quando há novidades técnicas, geralmente não há muita movimentação das equipes para trazer novos pilotos, afinal todo mundo quer começar o trabalho com uma base já formada. Mas sempre há exceções. Neste ano, por exemplo, a F1 mudou o regulamento drasticamente, e isso não impediu que apenas Marussia e Mercedes fossem os únicos times a manter a mesma dupla de 2013.

Com o novo campeonato tomando forma, o World of Motorsport faz aqui um resumo de todas as especulações envolvendo o mercado de pilotos da Indy:

Não espere mudanças feitas pelo Capitão
Não espere mudanças feitas pelo Capitão

Penske
Will Power, Helio Castroneves e Juan Pablo Montoya

Não espere nenhuma grande mudança na Penske para 2015. A tradicional equipe terminou o último campeonato com os três pilotos nas quatro primeiras colocações da tabela de pontos e encerrou um jejum de títulos nos monopostos que já durava oito anos. A última vez que a escuderia conquistou o certame foi em 2006, com Sam Hornish Jr. Antes, Gil de Ferran levou o bicampeonato da Cart, e isso foi tudo neste milênio.

Apesar da festa, é bom a Penske não se acomodar. Desde a dobradinha em Pocono, a equipe só conquistou quatro pódios em sete provas e viu a Ganassi ressurgir. Já era tarde demais para que Power perdesse o título, mas o suficiente para acender o sinal amarelo na sede da escuderia, na Carolina do Norte.

Para 2015, o time pode ter duas novidades. A primeira é a confirmação que Will Power usará o número 1 como atual campeão e tentará quebrar a maldição do o numeral. A outra é a ida do time para a V8 Supercars, na Austrália, como parceira da DJR e com Marcos Ambrose como um dos pilotos. Essa negociação já esteve mais perto de ser finalizada, mas esfriou nas últimas semanas de julho.

Ganassi
Scott Dixon, Tony Kanaan, Ryan Briscoe e Charlie Kimball

Após um começo de ano fraco por causa das mudanças na Nascar, o tradicional time de Chip Ganassi conseguiu se acertar e venceu três das últimas quatro etapas. Substituto de Dario Franchitti – aposentado precocemente devido a um acidente no fim de 2013 –, Tony Kanaan também se encontrou e fechou o campeonato com cinco pódios em sete corridas. Com isso, Dixon e Kanaan devem continuar na equipe na próxima e temporada e esperam usar essa boa fase para entrar na luta pelo título desde as primeira provas do ano.

Charlie Kimball, que conta com o patrocínio de uma empresa que trata a diabetes, também deve seguir por causa do dinheiro que leva à equipe. A única dúvida, portanto, é quem vai ficar com o bólido de número 8, pilotado por Ryan Briscoe nesta temporada.

O australiano havia sido chamado de última hora após a aposentadoria de Franchitti para guiar um carro com o patrocínio da NTT Data. Só que ele não foi bem e terminou o campeonato sem subir ao pódio e apenas em 11º na classificação final. Para substituí-lo, há alguns poucos nomes disponíveis no mercado – como James Hinchcliffe –, e o time ainda conta com o jovem Sage Karam, que terminou em nono nas 500 Milhas de Indianápolis em um carro inscrito em parceria com a Dreyer & Reinbold.

Andretti
Marco Andretti, Carlos Muñoz, Ryan Hunter-Reay, James Hinchcliffe(?) e Simon Pagenaud(?)

Das equipes de ponta, a Andretti é quem deve ser movimentar mais no mercado. O time já anunciou a renovação do contrato de Ryan Hunter-Reay, que se junta a Marco Andretti e Carlos Muñoz, com vínculos já garantidos para a próxima temporada. O time ainda procura um novo patrocinador para poder renovar com James Hinchcliffe, após o canadense ter corrido com a United Fiber and Data em 2014 e tendo conquistado um único pódio e o 12º lugar na tabela.

A novidade pode ser a chegada de Simon Pagenaud. O francês lutou pelo título do último campeonato correndo pela mediana Sam Schmidt e agora, com o apoio da Honda, pode conseguir o pulo para uma equipe maior. Ele também deve participar de um teste na F1 pela McLaren, mas não está cotado para uma vaga no certame mundial.

A Andretti também já anunciou que vai fechar as portas da equipe da Indy Lights em 2015 e deve competir, além da Indy, no Global Rallycross e na F-E.

Simon Pagenaud pode ter casa nova em 2015
Simon Pagenaud pode ter casa nova em 2015

Sam Schmidt
Mikhail Aleshin(?)

Há dois grandes pontos de interrogação em cima dos carros da Sam Schmidt neste momento. Após Simon Pagenaud levar o número 77 até a última etapa da temporada com chances de conquistar o título, o bólido pode ficar sem dono, caso a transferência do francês para a Andretti se confirme. Esse carro tem alguns patrocínios, por isso o substituto não precisaria necessariamente trazer o orçamento completo para o ano.

Já a situação do 7 é diferente. Mikhail Aleshin competiu em 2014 com o apoio do banco russo SMP e fez uma boa temporada, apesar do grave acidente sofrido nos treinos da etapa de Fontana. O futuro do campeão da World Series by Renault de 2010 na Indy, portanto, vai depender se a instituição financeira escolher continuar colocando dinheiro no certame.

Caso precise substituir algum dos pilotos, a Sam Schmidt pode fazer uso do time que tem na Indy Lights. Neste ano, eles inscreveram carros para Luiz Razia e Jack Harvey – além de Juan Pablo García e Juan Piedrahita –, mas acabaram perdendo o título para Gabby Chaves, da Belardi.

Harvey é apoiado pela Racing Steps Foundation, que não tem recursos suficientes para pagar por uma vaga de titular da Indy, mas pode completar o orçamento de um dos carros. Razia, por sua vez, precisaria trazer algum patrocínio se quiser se graduar para a Indy com o time. Outros nomes que poderiam pintar são Hinchcliffe e Conor Daly, que correu para a esquadra na Lights e deixou a GP2 neste fim de semana.

KV
Sébastien Bourdais e Sebastián Saavedra

A escolha da KV por Bourdais para substituir Kanaan acabou sendo paga rapidamente. O francês venceu uma das baterias de Toronto e terminou a corrida de Mid-Ohio em segundo lugar. Não foi a mesma coisa que conquistar a Indy 500, mas esse foi apenas o terceiro triunfo do time na categoria. (As outras foram Tony em Indianápolis e Will Power em Long Beach, na corrida de despedida da Champ Car.)

Por isso, a tendência é que Bourdais siga no time, a menos que opte por disputar outro campeonato. A permanência do francês também está condicionada à manutenção dos atuais patrocinadores ou à chegada de novos investidores para o ano que vem, uma vez que ele recebe salário e não precisa desembolsar nada para correr.

O segundo carro da KV é um grande mistério para mim. Até hoje nunca entendi como Saavedra conseguiu o apoio da AFS. Mesmo contando com a grana da empresa de dispositivos anti-incêndios, o colombiano teve uma temporada pífia, sendo o último colocado entre aqueles que disputaram todas as etapas. O melhor resultado foi o nono lugar em Long Beach e só em outras cinco provas fechou entre os 15 primeiros. A continuação dele – na equipe e na categoria –, portanto, depende do dinheiro da AFS ou de outro patrocinador.

CFH
Ed Carpenter, Josef Newgarden e Mike Conway(?)

A CFH é a nova equipe formada pela fusão do time de Ed Carpenter com o de Sarah Fisher. Josef Newgarden, que competiu para a equipe da americana nos dois últimos anos, já renovou o contrato para 2015, enquanto Carpenter deve continuar a disputar apenas as etapas em ovais, como fez neste ano.

A questão é quem será o parceiro de Carpenter nessa aventura. Mike Conway teve um desempenho de altos e baixos no último campeonato, vencendo duas vezes, embora em nenhuma outra participação tenha alcançado o top-10. Como o inglês está sendo sondado pela Toyota no Mundial de Endurance (WEC) e também participa da F-E, a permanência não está garantida.

Atual campeão da Indy Lights, Gabby Chaves está em conversas com a CFH para 2015. O colombiano também não tem um patrocinador para garantir uma temporada completa e quer participar ao menos da Indy 500. Ele pode entrar em um terceiro carro em todas as provas ou só nessa corrida, caso seja o parceiro de Carpenter no número 20.

Dale Coyne
Justin Wilson e Carlos Huertas

Justin Wilson já foi um grande – literalmente – nome do mercado de pilotos da Indy, mas nos últimos anos se firmou na Dale Coyne e vez ou outra consegue algum bom resultado. Em 2014, no entanto, a situação foi um pouco diferente, e o inglês obteve apenas um top-5, o que dificilmente o fará atrair interesse de outra equipe.

O segundo carro do time teve Carlos Huertas, bancado pelos patrocinadores colombianos. O estreante também teve um ano difícil sendo o último colocado nas duas provas derradeiras. Ele ainda somou dois top-10 e conquistou uma improvável vitória em Houston, numa corrida disputada debaixo de chuva.

Ou seja, se Huertas estiver disposto a pagar por uma nova temporada, por qual razão ao escuderia trocaria o responsável pela única conquista no ano? No entanto, a Dale Coyne é tipicamente a última equipe a anunciar a dupla de pilotos e é sempre porta de entrada para gente vinda da Europa. Assim como aconteceu com o colombiano, com James Jakes e com Mario Moraes, espere o inesperado aqui.

A situação é tensa na Rahal
A situação é tensa na Rahal

Bryan Herta
Jack Hawksworth

Jack Hawksworth teve um ano típico de novato na Indy. Conquistou bons resultados, como o terceiro lugar em Houston e ter dominado o GP de Indianápolis, mas também teve vários fins de semanas complicados, lutando para permanecer no top-15. Como não comprometeu, ele deve continuar na equipe a menos que o dinheiro fale mais alto.

Foyt
Takuma Sato

Apoiado pela Honda, o nipônico teve um péssimo ano. Depois de chegar ao Brasil como líder do campeonato de 2013, ele não conseguiu se encontrar na temporada e foi somente o 18º colocado na tabela de pontos. Se há algo a favor, foi o fato de ter fechado três vezes entre os seis primeiros nas últimas cinco corridas.

Caso a Foyt opte por substituir Sato devido aos maus resultados, a escuderia conta com o patrocínio da ABC Supply para diminuir o dinheiro necessário a ser trazido por algum piloto. Conor Daly já disputou uma Indy 500 por essa equipe, embora o lendário piloto americano geralmente opte por um veterano no carro.

Rahal Letterman Laningan
Graham Rahal e (?)

A situação neste time é desesperadora. Após arrancar a National Guard da Panther para 2014, eles perderam o patrocinador para o ano que vem, uma vez que as agências militares americanas estão cortando o dinheiro destinado a eventos esportivos. Para piorar, Graham Rahal não foi bem, completando o campeonato só em 19º.

Veja bem. Um time com dois carros sem patrocínio, mas um deles destinado ao filho do dono. É óbvio que os esforços neste inverno americano estarão direcionados a encontrar grana par que Graham corra. O outro bólido, portanto, só vai à pista se algum piloto chegar com o dinheiro necessário.

Jonathan Byrd
Bryan Clauson

Esse time já anunciou que vai disputar as 500 Milhas de Indianápolis em parceria com a KV e com Bryan Clauson como piloto.

Lazier Partners
Buddy Lazier

Buddy Lazier deve estar de volta para mais uma Indy 500, na qual se classificará na 11ª fila e abandonará pouco tempo depois com algum problema mecânico.

Dreyer & Reinbold e Panther
Essas duas equipes só devem correr se chegar algum piloto com patrocinador. A D&R até disputou a Indy 500 na última temporada com Sage Karam e também esteve presente no Global Rallycross. Já a Panther começou a perder funcionários após a saída da National Guard, e o retorno parece improvável.

Trivia: você sabia que, com a saída de Panther e Dragon, todas as equipes da Indy são formadas apenas por nome e/ou sobrenome dos donos? Haja criatividade!

2 comentários sobre “Mercado de pilotos da Indy 2015

    1. Não faço ideia de como esteja a situação do Razia. Mas imagino que precise de patrocínio para negociar alguma vaga.

      No resto do Road to Indy, acho que Victor Franzoni deve continuar na USF2000 ou subir para a Pro Mazda. Se tiver dinheiro, Nicolas Costa e Felipe Donato também devem correr. Gustavo Myasava, que tava na USF2000 nesse ano, já falou que cogita correr no Brasileiro de Turismo em 2015, então aqui fica um ponto de interrogação.

      Geralmente o Road to Indy tem treinos coletivos mais para o fim do ano, então vai dar para ter uma ideia melhor de quem está negociando para correr por lá em 2015. Eu sempre coloco os resultados dos testes aqui no blog, então só acessar aqui e você ficará sabendo!

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