Felipe Nasr e Jolyon Palmer tiveram um bom duelo na Hungria
Felipe Nasr e Jolyon Palmer tiveram um bom duelo na Hungria

Já faz algum tempo que as disputas de posição na GP2 são alvo de polêmicas. Sem contar com os mesmos artifícios da F1, os jovens pilotos são obrigados a superar os rivais da forma antiga, obviamente também mais complicada. Para completar essas manobras, os garotos passaram a adotar uma nova tática: fazer uma trajetória mais aberta nas curvas, não deixando qualquer espaço para os adversários.

Não se trata de evitar que um rival tenha a melhor trajetória ou mover o carro para bloquear a ultrapassagem. É ir até o fim da curva, confiando que o outro piloto vá tirar o pé ou fará uso da área de escape para evitar uma batida.

Como os comissários da GP2 – e de outras categorias – não estão punindo esse tipo de ação, alguns garotos chegam à F1 com esse vício. Um bom exemplo é Kevin Magnussen. Tendo feito carreira na World Series by Renault, o dinamarquês foi penalizado no GP da Bélgica ao bloquear Fernando Alonso em uma tentativa de ultrapassagem, obrigando o espanhol a tirar o pé para que não houvesse o contato. Como resultado, o estreante teve 20s acrescidos ao tempo de prova e acabou caindo para fora da zona de pontos.

Nas categorias menores, alguns pilotos também já estão reclamando dessa postura. Lutando pela taça de 2014, Felipe Nasr não gostou da maneira como foi ultrapassado na Hungria pelo líder do campeonato, Jolyon Palmer. Após superar o inglês na Bélgica, o brasileiro disse que ao menos ele é capaz de ganhar posições de uma forma limpa.

Apesar de Nasr ter vencido na Bélgica, o inglês segue na ponta da tabela
Apesar de Nasr ter vencido na Bélgica, o inglês segue na ponta da tabela

O problema para Nasr é que, se quiser ser campeão, vai precisar mais do que boas ultrapassagens em cima do rival. Com 32 pontos de déficit na tabela, o reserva da Williams já disse que o segredo para o título é vencer corridas. Em Spa, Nasr de fato ganhou a prova curta, mas não foi além do quarto lugar na bateria principal.

E esse tem sido o ponto fraco do brasileiro. Em oito etapas disputadas até agora, Nasr chegou seis vezes atrás de Palmer aos sábados. Além de Spa-Fracorchamps, apenas no Red Bull Ring (onde venceu) o piloto da Carlin levou vantagem. Por isso que o britânico tem uma boa diferença na tabela, mesmo tendo a metade das vitórias do rival.

A chave do desempenho de Palmer também não é nenhum segredo. O inglês faz uso o bom acerto do carro da Dams em ritmo de classificação. Em 2014, o piloto já conseguiu três poles e esteve na primeira fila na maior parte das provs. Nasr, por sua vez, não foi além do 11º lugar na classificação na Bélgica e também precisou fazer uma corrida de recuperação para fechar nos pontos em Mônaco.

Faltando três etapas para o fim da temporada, não é exatamente necessário que o brasileiro mude de postura e passe a focar nos sábados para ficar com o título. Na última etapa, mesmo saindo da sexta fila e vencendo no domingo, ele conseguiu tirar 11 pontos. Como a diferença é de 32, é tempo mais do que suficiente para assumir a ponta se mantiver o mesmo desempenho.

Mas que a chave do título pode estar nos sábados, isso ela está.