A breve saga de Felipe Guimarães na Double R

Felipe Guimarães participou de seis etapas da F3 Euro em 2014
Felipe Guimarães participou de seis etapas da F3 Euro em 2014

Último campeão da história da F3 Sudamericana, Felipe Guimarães não teve o retorno que esperava à Europa. Competindo pela equipe Double R, que já teve Bruno Senna, Felipe Nasr e Pipo Derani, o brasileiro durou apenas seis etapas na F3 Europeia e resolveu deixá-la após a rodada de Norisring, frustrado com os resultados abaixo do esperado e com os cinco pontos marcados até aqui.

O desempenho, na verdade, não foi muito diferente da realidade da Double R. Para isso, basta pegar que, no ano passado, Antonio Giovinazzi tinha apenas três pontos após as mesmas seis corridas, e o italiano só conseguiu deslanchar na parte final da temporada.

A frustração de Guimarães se deu muito mais pelas expectativas criadas. Tendo conquistado pódios por todas as categorias em que passou, o piloto radicado em Brasília fechou com Double R justamente pela perspectiva de manter a boa fase em 2014. Afinal, ele tinha toda a esquadra inglesa à disposição, pois era o único carro inscrito pelo time.

Além disso, Guimarães ainda contava com um trunfo: o engenheiro Roly Vincini, indicado pelo chefe da Hitech, Rodrigo Contin, com quem Guimarães havia vencido a F3 no ano passado. A presença do engenheiro, aliás, foi uma exigência do piloto, e a equipe inglesa foi quem a acatou.

O começo do trabalho da parceria até que foi bom. Guimarães fez uma boa pré-temporada, terminando constantemente no meio da tabela de tempos. Em Silverstone, na abertura do campeonato, o brasileiro conseguiu pontuar logo na primeira corrida e ainda fechou a segunda bateria em 11º, próximo ao top-10. A rodada ainda foi completada com um abandono em decorrência de um toque com Jake Dennis, da Carlin.

Apesar do desempenho satisfatório para a estreia, o clima na Double R era de que era possível ter conquistado um resultado ainda melhor. Por isso, sem perder tempo, a escuderia começou o trabalho para a segunda rodada da F3, marcada para Hockenheim.

A preparação, no entanto, logo sofreu um baque. Após ter se recuperado de um câncer no ano passado, Vincini precisou se ausentar para refazer uma cirurgia. Com o time desfalcado, o brasileiro voltou a figurar no meio da tabela, conquistando um 12º, um 14º e um abandono na Alemanha.

A partir daí, a situação foi se deteriorando. Sem o principal engenheiro para intermediar as coisas, a Double R entrou naquela espiral negativa clássica. Como os resultados não vinham, mecânicos, engenheiros e o próprio chefe Anthony Hieatt ficavam mais pressionados para dar a volta por cima. O mesmo valia para Guimarães, que precisava readquirir tanto a própria confiança quanto a no time.

O brasileiro marcou cinco pontos no campeonato
O brasileiro marcou cinco pontos no campeonato

Para tentar quebrar esse ciclo, a Double R colocou o brasileiro para ser avaliado pelo coach Rob Wilson, que se mostrou satisfeito com os resultados alcançados durante o trabalho e ajudou o piloto a dosar a agressividade na pista. Do outro lado, o ex-piloto Alex Dias Ribeiro, que já havia ajudado Guimarães em outros momentos da carreira, deslocou um engenheiro da própria equipe da F-Ford para acompanhar Felipe na etapa de Spa-Francorchamps, substituindo Vincini, ainda de fora se recuperando da operação.

A estratégia deu certo. Em uma etapa disputada debaixo de chuva, Guimarães conseguiu se colocar duas vezes no top-10 no grid de largada e pontuou na primeira corrida do fim de semana, com um oitavo lugar. Apesar disso, nas outras duas baterias vieram mais dois abandonos. Com três incidentes na semana seguinte, em Norisring, e sem a presença do novo engenheiro, tanto Guimarães quanto Hieatt ficaram frustrados com como as coisas estavam indo e decidiram se separar.

Agora o brasileiro tenta arrumar uma vaga em uma equipe de ponta para as últimas etapas de 2014, na tentativa de recuperar o tempo perdido. Caso não apareça uma vaga na própria F3, Guimarães não descarta participar de uma corrida ou outra da World Series by Renault.

4 comentários sobre “A breve saga de Felipe Guimarães na Double R

  1. Melhor piloto brasileiro da base.Tirando Nasr e Razia.

    Tomara que consiga se estabelecer em alguma categoria em siga seu desenvolvimento.

    Agora,ela já tá com 23 anos.
    Será que já não era a hora de largar F3 e F-Renault e tentar pra valer uma GP2 ou WSbR??

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  2. O Felipe Guimarães é de piloto de talento raro e mentalidade de campeão.

    Todavia, precisa se encaixar em equipe que lhe possibilite lutar pela vitória (na minha opinião, era claro que não seria o caso da Double R – nunca sequer disputou o título), caso contrário vai jogar tempo e dinheiro fora pela Europa.

    Se aventurar em categorias de grande prestígio, mas sem orçamento, nunca dá resultado, mesmo para um piloto com grande talento.

    Subir para a World Series, como mencionado no Blog, acho um grande erro. Chegará sem experiência com os carros (que são de maior potência), em um campeonato já na metade (ou seja, disputará com pilotos já com experiência).

    Caso não tenha grana para competir por vitórias na Europa, acho que deveria se mudar para os EUA. Lá, sem dificuldade, será rei.

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