A FIA decidiu que o F312 será usado até o fim de 2017
A FIA decidiu que o F312 será usado até o fim de 2017

O Conselho Mundial da FIA se reuniu na última quinta-feira, dia 26, em Munique, para decidir as mais novas diretrizes do esporte a motor. Entre as mudanças estão as relargadas paradas na F1, mais limitações no número de motores e menos testes por ano para as equipes, em uma tentativa de diminuir um pouco os custos.

E não foi só a F1 que terá novidades. O Conselho também definiu alterações para a F3. A mais importante delas é que a atual geração de carros – o F312 da Dallara – ganhou mais dois anos de vida e será usada até 2017.

Essa é uma boa notícia para diversas F3 nacionais, afinal agora as equipes sabem que podem continuar a investir em novos bólidos. Até porque não faria sentido os times comprarem os equipamentos agora e precisarem parar de usá-los no fim do ano que vem com a chegada do novo modelo.

Essa decisão também pode ter colocado um relógio em cima das escuderias da F3 Brasil. Com o campeonato tendo ganhado grid em 2014, não é absurdo pensar que, se essa evolução for mantida, em 2018 ou 2019 pode ser um bom momento para trocar os bons F308 pelo novo modelo, o F318 (nome provisório).

Essa seria a primeira mudança drástica do campeonato nas mãos da Vicar, até porque a categoria – então chamada de F3 Sudamericana – optou por não aderir ao F312 há três temporadas devido aos altos em uma época de vacas magras e grids miúdos. Como a situação parece estar melhorando, já não é absurdo tentar recuperar esse tempo perdido.

A F3 Brasil tem usado o F308 desde 2009
A F3 Brasil tem usado o F308 desde 2009

O maior problema talvez seja manter um teto orçamentário viável. Hoje, para correr na divisão principal, um piloto precisa desembolsar R$ 450 mil. Caso o F308 passe a ser o modelo da Light em quatro ou cinco temporadas, o custo mínimo para competir não deverá ser muito diferente disso. O F318, por sua vez, deverá ter um preço ainda maior.

Assim, para que a mudança de chassi seja possível, o primeiro passo da F3 Brasil é conseguir manter o crescimento e se estabilizar com um grid competitivo nas próximas temporadas. A partir daí, é tentar baixar os custos do modelo atual e encontrar uma forma de trazer as novas máquinas sem que as equipes – e os pilotos, consequentemente – sejam obrigados a arcar com o custo todo de uma só vez.

O que pode ajudar esse plano é que não será apenas a Dallara na construção do novo carro da F3, uma vez que a Mygale também anunciou que tem interesse em voltar a competir. Ou seja, com concorrência no mercado, as fabricantes podem ser motivadas a baixar os preços para atrair clientes.

E por que é importante pensar na mudança de carro na F3 Brasil? É que a categoria nunca ficou mais de duas gerações atrasadas com relação à Europa. O maior intervalo aconteceu justamente em 2008, quando a Dallara introduziu o novo modelo no Velho Continente, e o certame daqui – que já não tinha aderido ao F304 – só o adotou a partir de 2009, ficando com o F301 na divisão principal por uma última temporada.