Colin Kolles é o novo consultor da nova Caterham
Colin Kolles é o novo consultor da nova Caterham

Ainda há muitos pontos de interrogação sobre a venda da Caterham para um consórcio formado por investidores da Suíça e do Oriente Médio. Por exemplo, de onde vem a grana? A situação é tão obscura que nesta quarta-feira, dia 2, nomes como Mansoor Ijaz – que tentou assumir a Lotus no fim do ano passado – e Dany Bahar – responsável pelo estouro da bolha do Group Lotus – foram ligados à negociação.

Apesar dessas dúvidas, o time malaio já começou a dar algumas respostas. A primeira delas é a substituição de Cyril Abiteboul pelo ex-piloto de F1 Christijan Albers como chefe de equipe. A outra é a chegada de Colin Kolles como consultor.

A presença de Kolles, aliás, também é bastante controversa. O dirigente era apontado como líder do projeto da nova equipe Forza Rossa à F1, mas agora aparece em um novo time. Nesse momento, ninguém sabe se ele vai estar presente nas duas escuderias ou se há algum plano de fusão entre essas duas organizações.

Mas uma das certezas é que o nome de Kolles gera resistência por parte dos fãs. Isso porque os resultados dele no esporte jamais foram bons. O dentista por formação fez parte da Jordan na decadência de equipe inglesa, comandou Midland, Spyker e reapareceu na HRT, alguns anos depois.

Só que aí há uma inversão entre causa e consequência. Os times são ruins por causa da presença de Kolles ou o romeno é chamado em escuderias praticamente falidas para tentar apagar o incêndio e mantê-las funcionando?

A segunda opção parece mais provável. Basta levar em conta que ele conseguiu manter a Jordan na F1 mesmo sem qualquer patrocinador, viu a equipe mudar de donos seguidamente até passar para as mãos de Vijay Mallya, que a rebatizou como Force India, hoje um time estabelecido do meio do pelotão.

Sem ele, portanto, a antiga esquadra de Eddie Jordan poderia ter seguido o mesmo caminho de Arrows, Super Aguri e tantas outras que conheceram a extinção.

O que muda na Caterham agora?
O que muda na Caterham agora?

A passagem pela Hispania também foi marcada por péssimos resultados, com o time espanhol sendo seguidamente mais lento que a própria Caterham (chamada de Lotus) e Marussia (Virgin). Só que Kolles também foi o responsável por pegar uma equipe que literalmente faliu com Adrian Campos, foi vendido antes mesmo de estrear a Ramon Carabante e mesmo assim esteve presente na primeira corrida de 2011.

Algo parecido aconteceu no DTM, quando o romeno foi chamado para liderar a equipe Futurecon TME, com carros antigos da Audi, em uma época em que a categoria estava vendo o grid diminuir consideravelmente e precisava atrair novos competidores a qualquer preço.

Com esse retrospecto de bombeiro para apagar o fogo, seria estranho se uma equipe como a Red Bull considerasse contratar Kolles. Mas no caso da Caterham, é completamente compreensível. Afinal, o time malaio não só está mudando de dono, mas também sabe que vai perder boa parte do orçamento para o ano que vem, uma vez que a Marussia deve garantir a premiação referente ao top-10 da F1.

Ou seja, com menos dinheiro disponível, melhor contar com alguém que sabe competir quando os recursos não são avantajados.

Por isso, não será surpresa se Kolles optar por se cercar de homens de sua confiança. Nas duas passagens que teve pela F1, o dirigente investiu em praticamente nos mesmos nomes, dando oportunidades a Adrian Sutil, Narain Karthikeyan, Sakon Yamamoto, Giorgio Mondini e Christijan Albers, coincidentemente – ou não – o novo chefe da Caterham.

Embora seja controverso, considerado cabeça-dura e até mesmo envolvido em um escândalo de chantagem, o romeno desenvolveu uma receita para times com menos recursos. Goste ou não, é assim que ele trabalha. E tem dado certo, levando em conta que o modesto objetivo é apenas fazer parte do grid.