Como Dale Jr voltou a vencer na Nascar

Dale Jr voltou a vencer na Nascar
Dale Jr voltou a vencer na Nascar

Piloto mais popular da Nascar, Dale Earnhardt Jr passou a carreira precisando conviver com as comparações com o pai. Enquanto o falecido Dale Sr conquistou sete campeonatos da principal categoria do turismo americano, o filho demorou a engrenar no esporte e mostrou dificuldades até mesmo para ganhar provas.

Mas essa situação está mudando em 2014. Earnhardt Jr já começou o ano bem ao ganhar a Daytona 500 e, no último fim de semana, se tornou o quarto piloto a celebrar uma segunda vitória na temporada ao terminar na frente em Pocono, o que praticamente o garantiu no Chase.

Só que essa evolução de Dale Jr não aconteceu de uma hora para outra. Os bons resultados do americano são consequência de um trabalho duro ao longo dos últimos anos.

A má fase do piloto começou pouco tempo depois de sair da DEI – equipe criada pelo pai, mas controlada pela madrasta após a morte do marido – para a Hendrick. No primeiro ano na casa nova, em 2008, Earnhardt Jr fez uso da rápida adaptação da escuderia ao carro padrão – o chamado CoT – para vencer uma vez, conquistar dez top-5 e 16 top-10.

No entanto, a coisa começou a desandar a partir de 2009. A Hendrick manteve o foco nos outros pilotos, Jr não conseguia extrair o melhor do equipamento, e as crises entre ele o próprio primo, Tony Eury Jr, que atuava como chefe dos mecânicos, se tornaram frequentes.

Como as demais equipes também foram melhorando, o piloto não foi bem. Dale Jr fechou a temporada com apenas dois top-5 e cinco top-10. O desempenho foi suficiente apenas para o 25º lugar na tabela. O ano de 2010 também foi bem abaixo das expectativas. Earnhardt Jr melhorou um pouco – com três top-10 e oito top-10 – mas encerrou o ano apenas em 21º.

Esse foi o segundo triunfo do piloto em 2014
Esse foi o segundo triunfo do piloto em 2014

Consequentemente, a Hendrick começou a ouvir críticas sobre o desempenho do piloto. Afinal, para tirá-lo da DEI, o time precisou investir pesado e dispensara Kyle Busch, que rapidamente se tornou um fenômeno na Joe Gibbs, embora extremamente inconstante na divisão principal da Nascar.

O problema é que não era apenas o desempenho de Earnhardt Jr que estava ruim. Tirando Jimmie Johnson, todos os outros pilotos da escuderia – Jeff Gordon, Casey Mears e depois Mark Martin – estavam enfrentando dias difíceis. Para recolocar o time no caminho certo, Rick Hendrick fez mudanças drásticas na equipe: pareou os carros 48/88 e 24/5 na sede, fazendo com que houvesse uma melhor interação entre eles. Antes era o 48 trabalhando junto com o 24, enquanto o 5 e o 88 acabavam, de certa forma, marginalizados.

O dirigente também acabou com a crise de Dale Jr com o mecânico chefe ao colocá-lo ao lado de Steve Letarte, que estava com problemas para levar Gordon às vitórias.

Mesmo assim, os primeiros sinais de melhora demoraram a aparecer. Na primeira temporada junto de Letarte, Earnhardt Jr evoluiu um pouco e conseguiu quatro top-5 e 12 top-10. O resultado foi o suficiente para fazê-lo voltar a disputar o Chase, embora tenha passado longe da briga pelo título.

Com Letarte, Junior se tornou um piloto competitivo e pronto para brigar pelo primeiro lugar
Com Letarte, Junior se tornou um piloto competitivo e pronto para brigar pelo primeiro lugar

Com a parceria completando um ano, a coisa mudou em 2012. O piloto somou dez top-5 e 20 top-10 e conseguiu acabar com um incômodo jejum de vitórias que já durava mais de 200 corridas, ao triunfar em Michigan. Junior só não teve um resultado melhor que a 12ª posição no campeonato porque sofreu seguidas concussões e acabou perdendo duas etapas da fase final.

Apesar de mais uma vez ter ficado longe da taça, a boa fase deu confiança ao americano. Se antes ele era obrigado a conviver com as seguidas críticas, agora ele estava vendo que o método de trabalho usado – mais calmo e focado apenas em melhorar o carro – estava dando certo.

Sem a pressão de mudar a filosofia, Dale Jr teve um 2013 bastante promissor. Foram novamente dez top-5, mas cinco deles foram segundos lugares. Mais importante que isso, três desses resultados vieram durante o Chase, o que lhe dariam o título do campeonato passado caso as regras deste ano já estivessem em vigor.

E, você sabe, quem anda em segundo vira primeiro caso o líder tenha problemas. E o americano soube se colocar no lugar certo e na hora certa.

É verdade que a vitória em Daytona, no início deste ano, teve um desempenho dominante do carro 88. Mas Junior conseguiu outros três segundos lugares em provas seguintes. Se durante o jejum de vitórias, o primeiro lugar escorregava por falhas na tática de combustível ou por ultrapassagens de adversários nos giros finais, a sorte finalmente sorriu para o americano.

Em Pocono, o primeiro colocado, Brad Keselowski, teve problemas com um detrito presto na entrada de ar no fim da corrida. E quem estava em segundo para aproveitar? Dale Earnhardt Jr. Com o mesmo ritmo constante dos últimos anos, o piloto fez a ultrapassagem e conquistou a segunda vitória no campeonato.

A má notícia para o piloto? Letarte já anunciou que vai se aposentar no fim deste ano para participar da transmissão da Nascar pela NBC, a partir da segunda metade do ano que vem.

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