A reação de Razia

Luiz Razia desencantou em Indianápolis
Luiz Razia desencantou em Indianápolis

Pessoalmente não gosto do sistema de rodadas duplas da Indy e da Indy Lights. Nada contra ter duas corridas no mesmo fim de semana, pelo contrário. O problema é a falta de critério: algumas etapas são disputadas em duas baterias, enquanto outras ocorrem normalmente, com apenas uma prova.

Consequentemente, alguns circuitos acabam tendo peso maior que os outros. Basta lembrar o que aconteceu com Helio Castroneves no fim do campeonato passado. O brasileiro era dono de uma regularidade impressionante e caminhava rumo ao inédito título da categoria quando viveu um fim de semana para esquecer em Houston, cheio de problemas mecânicos.

Assim, o piloto não só perdeu a liderança na tabela de pontos, mas também precisava de uma improvável combinação de resultados na última corrida, em Fontana, para recuperar a primeira posição e ficar com a taça.

Caso Houston fosse uma etapa com apenas uma corrida, o prejuízo de Helio diminuiria. Por outro lado, se Fontana tivesse duas baterias, o brasileiro teria mais chances de tentar dar o troco em cima de Scott Dixon, que acabou campeão.

Mas o que foi azar de um brasileiro no ano passado, neste fim de semana acabou sendo sorte de outro. Com a etapa no misto de Indianápolis sendo disputada em rodada dupla na Indy Lights, Luiz Razia soube aproveitar a oportunidade para ser recuperar no campeonato.

Estreando nos Estados Unidos, o piloto baiano chegou ao tradicional circuito empatado na terceira colocação da tabela com o companheiro Jack Harvey, mas com mais de 40 pontos de desvantagem para os líderes Zach Veach e Gabby Chaves. No entanto, os dois segundanistas não foram bem, o que abriu espaço para o brasileiro.

Já Zach Veach teve um fim de semana para esquecer
Já Zach Veach teve um fim de semana para esquecer

A reação de Razia começou ainda na sexta-feira. Em uma corrida disputada com o asfalto secando, o brasileiro soube tomar conta dos pneus – algo que ele se tornou especialista na GP2 – e esperar para ir ultrapassando os adversários. Assim, acabou chegando em segundo, menos de 3s atrás do vencedor Matthew Brabham.

Para melhorar, Veach e Chaves tiveram uma prova conturbada. O americano deu uma escapada quando fazia uma corrida de recuperação e passou a se arrastar pela pista em decorrência da suspensão ter sido danificada. Mesmo assim, ele conseguiu fechar em nono. O colombiano, por sua vez, abandonou com um problema no motor.

Neste sábado, dia 10, Razia conquistou a primeira vitória da carreira nos EUA. Largando na pole, o baiano soube sustentar a pressão de Harvey para receber a bandeira quadriculada com uma vantagem de cerca de 1s. A comemoração foi ainda maior porque Chaves e Veach se tocaram quando brigavam por posição e foram apenas oitavo e nono, respectivamente.

Dessa forma, Razia pôde aproveitar o peso da rodada dupla e o inferno astral dos adversários para subir na classificação. Com seis corridas já disputadas, o brasileiro agora é o segundo na tabela, com 224 pontos, cinco a menos que Veach. Chaves é o terceiro, com 215, enquanto Harvey aparece em quarto, com 207. Tudo em aberto, portanto.

A próxima etapa da Indy Lights acontece no próprio oval de Indianápolis, no dia 23 de maio. Aí sim uma corrida única.

Para conferir os resultados da Indy Lights e das principais categorias neste fim de semana basta clicar aqui.

3 comentários sobre “A reação de Razia

  1. Achava o Razia uma bosta na GP2.

    Nos seus primeiros anos,achava o baiano um piloto insosso e apático.

    Tudo mudou em 2012,justamente na temporada que menos esperava dele.

    O cara dava show em toda corrida e me fez torcer como poucas vezes fiz em anos assistindo automobilismo.

    Acordava até de manhã para ver as sprint races de GP2 e virei fã de verdade dele.

    Quando acertou com a Marussia vibrei e depois fiquei MUITO puto com o desfecho do acordo.

    Chegou 2014 e apesar de continuar torcendo muito por ele,ainda não consegui entender porquê ele foi se meter na Indy Lights????

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    1. Acho que para continuar nos monopostos. Que opções ele tinha? F1 já era, até mesmo pelo dinheiro que é cobrado. Ninguém sabe o que vai ser a F-E, daí só restou a Indy.

      Esse carro da Sam Schmidt tem o patrocínio da Lucas Oil, então acho que o dinheiro que o piloto precisa levar é menor. Daí eles podem escolher por talento. E, você sabe, ganhando a Indy Lights o piloto arruma uma bela grana para correr na Indy.

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      1. Concordo.

        Ele já tinha dado entrevistas dizendo que não tinha gostado dos GTs.

        Reclamou que os carros não proporcionavam a mesma emoção dos monopostos.

        Mas para ir pra Indy,será que ele teria realmente que passar pela Lights??

        Seilá,mas fico com a impressão que ele tá batendo em cachorro morto por lá.

        Tudo bem que sempre falta dinheiro,mas achei um retrocesso muito grande pra quem já mostrou potencial,quase ganhou a GP2 e de certa forma,já esteve na F1.

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