Fórmula 7 Inglesa

Essa foto mostra bem como foi o começo da F3 Inglesa
Essa foto mostra bem como foi o começo da F3 Inglesa

Para quem gosta de automobilismo, o último fim de semana foi especial. Ao invés dos tradicionais três, tivemos quatro dias de atividades, já que a F3 Inglesa – assim como o campeonato britânico de GT – competiu apenas no domingo e na segunda-feira. Como resultado, a categoria conseguiu um espaço quase exclusivo no noticiário.

O problema é que esse destaque acabou mostrando ainda mais a crise no campeonato. É que na estreia da temporada 2014 da F3 Inglesa, apenas sete carros estiveram presentes.

A decepção, obviamente, foi geral. Durante o fim de semana, comentei com um jornalista britânico que agora ele sabe o que a F3 Sudamericana enfrentou nos piores dias. Enquanto a F3 Brasil começa a dar sinais de recuperação, o campeonato do Reino Unido está naquela situação de atingir o fundo do poço e continuar cavando.

Comparar a situação desses dois certames até pode parecer revanchismo. Só que fazer isso é desconhecer a importância da F3 Inglesa para os brasileiros. É rir do outro, mas de um outro que ajudou a criar quem você é.

Para isso, basta ver que 12 pilotos do Brasil já foram campeões da F3 de lá, incluindo Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna – você pode clicar aqui para ver a lista completa. Isso sem falar nos diversos outros que aprenderam as primeiras lições do esporte a motor na Inglaterra. Três vezes vencedor das 500 Milhas de Indianápolis, Helio Castroneves não foi campeão, mas correu lá. O mesmo vale para o atual campeão da Stock Car e do Brasileiro de Marcas, Ricardo Maurício.

E por que estou fazendo essa comparação? Para mostrar que a categoria britânica perdeu outro pilar de sustentação com o fortalecimento dos campeonatos locais em países periféricos.

A F3 Brasil conseguiu atrair pilotos que estavam fora do país
A F3 Brasil conseguiu atrair pilotos que estavam fora do país

Voltando um pouco no tempo, praticamente desde a criação da F3 Euro Series os britânicos não conseguem manter os pilotos da casa correndo no próprio Reino Unido. Lewis Hamilton e Paul di Resta, por exemplo, pularam dos campeonatos menores ingleses direto para a F3 continental. Hoje a situação é ainda pior. Grande parte dos garotos já deixa a Inglaterra tão logo sai do kart para andar de F-Renault por aí.

A solução encontrada pela F3 Inglesa para manter os grids nesse período foi apostar em atrair jovens de países periféricos, mais precisamente os nórdicos, os australianos, os sino-japoneses e os brasileiros.

Só que a partir do momento em que a F3 Brasil voltou a ser um polo interessante – e o mesmo aconteceu com os campeonatos da Austrália e do Japão –, a F3 Inglesa ficou sem pilotos.

Some-se a isso a criação da GP3, que enfraqueceu praticamente todas as F3, e a política da FIA – liderada por Gerhard Berger – na ênfase a qualquer preço da F3 Europeia, e aí temos um retrato claro da decadência da F3 Inglesa.

No gráfico abaixo, você pode ver a evolução do grid das principais categorias da modalidade nos últimos anos. Para isso, eu levei em conta o número de participantes na última etapa de cada temporada. Há, no entanto, três exceções. Na F3 Alemã, em 2009, eu considerei os competidores da etapa de Sachsenring e não de Hockenheimring devido ao número elevado de convidados na corrida decisiva, o que daria uma ideia errada de como foi o ano.

O mesmo na F3 Sudamericana de 2011. Coloquei os sete carros que andaram em Brasília e não os cinco de Campo Grande, já que a última etapa foi, por incrível que pareça, marcada de última hora, uma semana antes do Natal. Já a F3 Euro viveu um ano curioso em 2012, com muitos convidados, por isso coloquei 14, a média da maioria das etapas.

F3

Para encerrar, o exemplo da F3 Inglesa mostra por que F3 Brasil não deve ficar isolada no continente, pelo contrário. Embora a categoria tenha voltado com um grid competitivo neste ano, é interessante para a própria sobrevivência ter um projeto que inclua a absorção de jovens da F4 Sudamericana, das categorias de base gaúchas e do kart.

Até porque tudo é muito rápido no automobilismo. Em um ano uma F3 pode revelar nomes como Felipe Nasr e Kevin Magnussen e no outro ver o vencedor – Sam MacLeod – dizer que foi a corrida mais fácil da carreira. E olha que não se trata de nenhum Vettel.

Você pode clicar aqui para ver os resultados da F3 Inglesa e das principais categorias neste fim de semana.

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