Senna

O capacete sem vida
O capacete sem vida

1º de maio. Todo mundo que tem alguma ligação com a indústria do automobilismo escreveu alguma coisa nesta quinta-feira para homenagear os 20 anos da morte de Ayrton Senna.

Já eu sempre tive muita dificuldade para escrever sobre Senna. Nasci em 1988 e, portanto, tinha apenas cinco anos quando ele morreu. Daquelas pequenas primeiras memórias da vida, uma delas é da corrida de Mônaco de 1992, quando o brasileiro segurou Nigel Mansell para ficar com a vitória.

Naquele dia, eu tinha saído com a minha família para comprar o almoço, e a vendedora estava assistindo à prova. Lembro que achei um absurdo ela torcer pelo Mansell. Com a minha inteligência de quem tinha de três para quatro anos de idade, achei que ela deveria ter algum tipo de desvio de caráter muito forte para não torcer pelo Senna.

Eu ainda me recordo de uma corrida ou outra de 1993 e depois tive uma noção que Senna na Williams, na temporada seguinte, era algo grande. Não faço ideia do que aconteceu, se fui eu que gravei as corridas, se foi meu pai, mas tenho as primeiras três provas de 1994 salvas na fita de vídeo.

Seja lá quem tem gravado, sabia que essas corridas entrariam para a história, então era bom imortalizá-las. Só não imaginava que aconteceria pelo motivo errado.

Para quem tem dificuldade de escrever sobre Senna, acho que este texto está ficando longo demais. Por isso, vou tentar algo diferente. Não preparei nada especial sobre o tricampeão para a data de hoje, apenas reuni uns textos que vi nos últimos dias de gente que escreve melhor que eu, de gente que esteve em Ímola há 20 anos e de gente. Então, se você estiver perdido com tantas informações e homenagens a Ayrton, aqui tem um apanhado que pode te ajudar.

Essa aí é uma das minhas primeiras memórias da vida, que coisa não?
Essa aí é uma das minhas primeiras memórias da vida, que coisa não?

De toda a coletânea, apenas o primeiro texto é meu mesmo (feito no ano passado), contando o início da carreira de Senna na Inglaterra, muito antes de chegar à F1. Já dava para saber que ele era um fora de série. Para ler os textos na íntegra, basta clicar no link laranja, como você já está acostumado aqui no World of Motorsport.

Origens: Ayrton Senna (Felipe Giacomelli)
Em 28 corridas em 1982, o brasileiro venceu 22, largou na pole em 18 e marcou a volta mais rápida – que valia dois pontos – em outras 22. Entre os dias 10 de julho e 12 de setembro, Ayrton não soube o que era perder. Correu nove vezes e venceu todas.

Cecílio Favoretto e o choro solitário de saudade (Americo Teixeira Jr)
Deu um frio na espinha ver o acidente do Ayrton pela TV. Corremos para o kartódromo com aquela sensação ruim, mas ao mesmo tempo dizendo para nós mesmos que tinha sido apenas um acidente. Até que tudo desabou com a notícia oficial dada pelo Roberto Cabrini. Cecílio Favoretto, antigo assessor do Ayrton e comentarista de Fórmula 1 da Rádio Globo, tinha com o piloto uma relação parternal, muito próxima.

Por que o povo gosta do Senna e detesta o Piquet? (Bandeira Verde)
Vamos aos fatos mais puros e crus. Ayrton Senna, tricampeão de Fórmula 1 nascido no Brasil, é reverenciado até os dias atuais como o maior ídolo esportivo da história do país ao lado de Pelé tanto aqui em Terra Brasilis como no exterior. Nelson Piquet, tão tricampeão e tão brasileiro como Senna, é simplesmente esquecido pela mídia não- especializada (às vezes, até mesmo pela especializada) e pelo povão.

Eu, que nunca vi Senna correr (Paula Gondim)
Veja, não que eu nunca tenha assistido às corridas de Senna, ou lido as histórias, ou olhado as fotos. Mas nunca vi como se fosse inédito, como se eu não soubesse que aquela era “aquela corrida que entrou para a história por isso e isso” e, principalmente, como se o ídolo não estivesse já construído.

O grande Ayrton Senna (Ron Dennis)
“Nós estávamos discutindo sobre meio milhão de dólares e eu tive a ideia de jogar uma moeda para decidir. Então, a moeda foi jogada rodou e caiu, pulando feito um foguete! Você podia ouvi-la se mexendo embaixo das cortinas. Eu as coloquei no lugar e ganhei a aposta!

O dia em que Ayrton Senna foi piloto de rally (Leonardo Contesini)
Senna passou o dia nos estágios de rali dirigindo um Vauxhall Nova 1.3, um Golf GTi do Grupo A, um Ford Sierra Cosworth RS, um Ford Escort V6 3.4 de tração integral e um Austin Metro 6R4 do Grupo B (com o mesmo V6 que acabou no Jaguar XJ220), porém com apenas 250 cv.

Memórias de uns dias de maio (Flavio Gomes)
Eu estava nos boxes da equipe em Portugal, me escondendo do frio cortante daquele inverno, quando ele saiu do cockpit com cara de poucos amigos, passou do meu lado e eu mandei um singelo “e aí?”. Ayrton me respondeu com uma frase tão singela quanto: “Puta que pariu, bem na minha vez cagaram no carro”.

Devo a ele a minha carreira (David Coulthard)
“Eu assisti ao GP de San Marino entre os treinos livres da F3000 em um caminhão do fornecedor de pneus, vi o acidente de Senna e lembro de ter pensado: “Isso não parece bom”. Eu não lembro quem me disse que Ayrton tinha morrido, mas recordo que um jornalista de um tabloide vindo e me perguntando: “Você vai ficar com a vaga?”

Stop & Go: Maria Teresa Fiandri (Revista Warm Up)
Estava pálido, mas belo, sereno… Um jovem bonito, com os cabelos revoltos, os olhos fechados. É a imagem que guardo. Tinha um corte na testa, três ou quatro centímetros. Mais nada. Era a única ferida. Chegou ainda de macacão. Mas quando o viramos, vi que tinha muito sangue. E eu me perguntava: “Mas de onde vem tanto sangue?”

Senna (Will Buxton)
Ninguém na minha escola entendia por que eu estava chateado. Eu era praticamente a única criança na minha classe que gostava da F1. Para muitos, era apenas uma piada. “What’s the difference between Ryan Giggs and Ayrton Senna?” “Giggs can take a corner”. Essa foi a única vez na minha vida que eu dei um soco na cara de alguém.

Ayrton Senna na Ferrari (Δημήτρης Παπαδόπουλος)
“Minha prioridade quando eu comecei na Ferrari era ter o melhor piloto disponível”, lembra Fiorio. “E, claro, Senna estava na minha lista de compras, seguido por Prost e por Mansell, que eu já tinha na equipe. Meu objetivo era substituir Gerhard Berger por Senna, então eu comecei as conversas imediatamente”.

Ayrton Senna Donington 1993 (McLaren)
Confira um infográfico analisando a primeira volta do GP da Europa de 1993, disputado em Donington Park.

O que Bernie falou para Leonardo Senna (Betise Assumpção)
“Ele está morto”, falou. Pensei por alguns segundos, “como eu posso traduzir isto e dizer pro Leo de uma forma mais amena, considerando que ele só falou duas palavras !” Então eu me virei para o Leo e, da maneira mais gentil e carinhosa possível, eu falei : “Leo, eu sinto muito ter de te falar isto, mas ele está dizendo que o Ayrton está morto”

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