O calendário da Nascar por Brad Keselowski

Brad Keselowski resolveu fazer mudanças no calendário da Nascar
Brad Keselowski resolveu fazer mudanças no calendário da Nascar

Campeão da Nascar em 2012, Brad Keselowski aproveitou o feriado de Páscoa – sem corridas da categoria – para polemizar. Com nada de bom para fazer, além de comer ovos de chocolate, o americano resolveu reinventar o calendário do campeonato e fez um post para o próprio blog com algumas sugestões bastante interessantes. Você pode clicar aqui para ver o texto original.

E a opinião de Keselowski deve ser levada em conta. Além de ser conhecido por dar entrevistar que fogem daquele discurso pronto da maioria dos pilotos, o americano também é dono de equipe na Truck Series e, portanto, sabe as dificuldades logísticas enfrentadas tanto pelos competidores quanto pelos demais funcionários das escuderias.

No calendário bolado pelo piloto da Penske, a Nascar passaria a ter 38 corridas, fora o Unlimited e a All-Star Race.

O começo continuaria sendo, obviamente, a Daytona 500, realizada duas semanas após o Super Bowl. Depois, a categoria iria para a costa oeste, com provas na Califórnia, Phoenix e em Sonoma. A ideia de Kese é fazer as equipes economizarem, já que elas poderiam deixar o equipamento do outro lado do país de uma semana para outra. Isso também iria facilitar para os pilotos participarem de ações de marketing.

Nas dez semanas seguintes, a Nascar disputaria as etapas de Homestead-Miami, Darlington, Martinsville, Bristol, Texas, Talladega, Richmond e Charlotte, com direito a dois fins de semana de folga nesse período. A mudança de ordem de algumas corridas – como a inversão entre Bristol e Martinsville e entre Talladega e Richmond – serviriam para evitar o período das chuvas.

Pela ideia do piloto, a Nascar teria rodadas duplas
Pela ideia do piloto, a Nascar teria rodadas duplas

Depois de uma nova folga, a categoria entraria no mês de junho com a maior invenção de Keselowski: rodadas duplas. Segundo o piloto, esse é um momento do ano em que ainda não começou a temporada das principais modalidades esportivas dos Estados Unidos, por isso a Nascar poderia se aproveitar do vazio do noticiário para ganhar audiência e se preparar para o Chase.

Com isso, Michigan, Pocono, Dover, New Hampshire, Iowa – novidade de Kese – e Kansas seriam disputadas em apenas três semanas. Uma prova aconteceria nas noites de quarta-feira, enquanto a outra seria no domingo, no horário normal. Resumindo, é o que acontece no campeonato brasileiro de futebol, com jogos duas vezes por semana.

Como as rodadas duplas se tornariam um pesadelo logístico para as equipes, o piloto da Penske disse que essas etapas teriam apenas dois dias de disputa. Treinos terças e sábados e corridas quartas e domingos. Também para ajudar, os circuitos não seriam distantes entre eles, o que facilitaria o deslocamento do equipamento.

Talvez o maior erro de Keselowski na hora de formar o novo calendário esteja neste ponto. Não que as rodadas duplas não possam funcionar, mas a maior dificuldade logística não é sair de um circuito na quarta-feira à noite para estar em outra pista nos treinos do sábado. É deixar um autódromo no domingo e ter apenas a segunda-feira para atravessar o país e deixar tudo pronto para a próxima etapa.

No cronograma do piloto da Penske, seria preciso sair de New Hampshire – próximo a Boston na costa leste – no domingo e chegar à Iowa – quase no meio-oeste – no dia seguinte. A solução para equipes maiores seria um caminhão apenas para as provas de quarta-feira e outro para as de domingo. Assim, quando mecânicos, engenheiros e pilotos chegassem ao novo circuito, eles encontrariam a estrutura toda já montada e só se preocupariam com os treinos.

Ainda no calendário proposto, Daytona e Indianápolis teriam corridas em semanas separadas, com mais quatro rodadas duplas na sequência: Kentucky/Atlanta, Pocono/Michigan, Bristol/Road Atlanta (mais uma novidade) e Richmond/Talladega. (Veja o calendário completo abaixo.)

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Oito corridas em quatro semanas. Uau. Imagina como será para as equipes na hora de colocar os carros nos caminhões com tantas pistas diferentes? Quer dizer, se um piloto bater nos treinos em Bristol, então provavelmente o carro reserva para a prova seria o preparado para Road Atlanta, um circuito misto.

E isso sem falar em Talladega como a etapa que antecede o Chase. Ao menos essa é uma ideia interessante. Qualquer um pode vencer, qualquer um pode estar nos playoffs da semana seguinte. Por que não, então?

A fase final do campeonato intercalaria uma rodada dupla com um fim de semana normal. Isso ajudaria a diminuir as dificuldades logísticas da equipe, embora em alguns momentos seriam três corridas em dez dias.

Por fim, mas não menos importante, a All-Star Race seria realizada uma semana antes do encerramento do campeonato. De uma forma similar ao baseball, a prova festiva teria implicações para a decisão. Nas regras boladas por Keselowski, o vencedor da All-Star Race largaria na pole-position na última corrida do campeonato, em Las Vegas.

Ou seja, as equipes que estariam lutando pelo título teriam duas escolhas. A primeira seria deixar a prova extra de lado – como fazem os times da NFL – e se preparar apenas para a decisão. A outra, correr de olho na vitória e na pole-position. É uma ideia maluca, verdade, mas pode dar certo.

Mesmo com 38 corridas, o calendário da Nascar acabaria no início de outubro e não mais no meio de novembro como acontece neste ano. Aí são duas vantagens: não competir com a NFL – que estará no começo da temporada – pela concorrência e dar férias maiores a todos os envolvidos no campeonato.

Eu ainda colocaria um terceiro ponto positivo para esse cronograma mais enxuto. A Nascar é conhecida por não permitir que os pilotos participem de outros campeonatos, como provas de longa duração de GT e as 24 Horas de Le Mans. Não que a categoria não deixe, mas como são 36 provas os pilotos não têm tempo. Assim, com o certame terminando no meio de outubro, os participantes estariam livres para correr em outros lugares até o fim do ano.

No fim, o grande mérito do texto de Keselowski não é sugerir ideias mirabolantes para tentar fazer um campeonato mais emocionante, mas é expressar aquilo que pensa. É incomum os pilotos de qualquer categoria comentarem sobre o calendário. Eles reclamam se há algo de errado, mas nunca propõem mudanças. Certo ou errado, viável ou inviável, ao menos o piloto da Penske entrou na discussão.

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