Guia da F3 Euro 2014

A F3 Euro começa com os pilotos de olho nas principais categorias do mundo
A F3 Euro começa com os pilotos de olho nas principais categorias do mundo

Desde que se tornou o responsável da FIA pelas categorias menores, Gerhard Berger decidiu acabar com o excesso de campeonatos e tentar montar uma ordem clara na tarefa de ajudar os jovens pilotos rumo à F1. O primeiro passo dessa empreitada aconteceu com a F3.

O austríaco pegou uma série de categorias com grids pequenos e conseguiu tirar disso tudo uma F3 Europeia fortalecida, com cerca de 30 carros por etapa, além da presença de algumas escuderias de F1 – e do DTM –, além de diversas montadoras e fornecedoras de motor.

O problema é que o sucesso teve um preço. Para que o certame europeu conseguisse sobressair, a F3 Inglesa está em uma crise profunda. A Euroformula só é capaz de atrair pilotos alternativos, enquanto a F3 Alemã sabe que é suicídio adotar o novo carro da Dallara – o F312. A F3 Italiana, pior ainda, fechou as portas após quase 50 anos de história.

É claro que é muito triste ver esses campeonatos nacionais morrendo, mas, por outro lado, a criação da F3 Europeia foi a solução encontrada pela FIA para manter a modalidade viva e combater a concorrência da GP3 e da World Series by Renault. Por enquanto, está dando certo.

Nesse cenário, o campeonato de 2014 começa com a promessa de boas disputas, de revelar novos talentos e com alguns detalhes interessantes para acompanharmos ao longo dos próximos meses. Vamos a eles:

FIA Formula 3 European Championship Test Red Bull Ring Spielberg (A)

Guerra entre motores

Neste ano, a F3 Europeia estreia a nova geração de motores. A mudança, na verdade, já era para ter acontecido há alguns anos, mas foi segurada até agora por questão de custos. Durante o inverno, a FIA até chegou a estudar uma regra bizarra e obrigar que apenas os campeonatos com os novos propulsores pudessem ser chamados de F3 – a Europeia e a Japonesa –, mas acabou mudando de ideia devido à pressão dos certames inglês e alemão.

Com a polêmica ficando para trás, quem parece ter saído na frente nessa nova geração foi a Volkswagen. Nos treinos coletivos realizados no Red Bull Ring, a montadora de Wolfsburg dominou as seis primeiras colocações da tabela, graças ao bom desempenho das equipes Carlin e Van Amersfoort.

A Mercedes, porém, não se deu por vencida. Equipando as sempre favoritas Prema e Mücke, a empresa alemã reagiu na chegada a Silverstone e viu o novato Esteban Ocon conquistar duas pole.

A NBE, de Neil Brown, estreia no campeonato europeu a bordo dos carros de Richard Goddard e Alex Toril na T-Sport. Essa escuderia contou com o apoio de fábrica da Nissan no ano passado e até conquistou bons resultados, embora o segredo do bom desempenho tenha mais a ver com a experiência de Alexander Sims, este ano se dedicando aos carros GT.

Por fim, a F3 Europeia ainda viu a chegada da Renault. No entanto, o desempenho da montadora francesa foi tão ruim durante a pré-temporada que eles desistiram de disputar a primeira etapa, em Silverstone, e querem realizar mais alguns testes antes de ter certeza de serem competitivos.

FIA Formula 3 European Championship Test Red Bull Ring Spielberg (A)

Novatos x veteranos

O campeonato de 2014 vai marcar um bom embate entre pilotos mais experientes e os estreantes na categoria. O favorito absoluto é Felix Rosenqvist, da Mücke. Vice-campeão no ano passado, o sueco vai para a quarta temporada na F3 Euro e a quinta na modalidade.

A turma dos velhinhos ainda conta com Tom Blomqvist, na F3 desde 2011, e Felix Serrales, começando o terceiro ano na modalidade, embora tenha sofrido com uma lesão nas costas no ano passado.

Já a turma dos novatos é liderada por Max Verstappen, que venceu praticamente tudo o que é possível nos karts. O holandês poderia se considerar satisfeito se conseguisse um pódio ou outro em 2014, mas, depois de ter estado entre os mais rápidos durante a pré-temporada, agora espera voos mais altos.

Atual tricampeã, a Prema tem outros dois estreantes. Além de Ocon, o time ainda conta com Antonio Fuoco, campeão da F-Renault Alps em 2013 e representante da Academia da Ferrari.

O embate entre novinhos e mais velhos será curioso para ver o desdobramento da carreira de cada um deles. Enquanto os veteranos já se aproximam do momento de subir de categoria e veem o tempo para chegar à F1 passar, os outros correm com uma pressão menor por resultado, mas sabem que se superarem os mais experientes, então podem chamar a atenção do paddock da principal categoria do mundo.

FIA Formula 3 European Championship Test Red Bull Ring Spielberg (A)

Calendário

Serão 11 etapas e 33 corridas em alguns dos principais circuitos do mundo. Silverstone, Hockenheimring (2x), Hungaroring, Spa – novidade no cronograma –, Red Bull Ring e Nurburgring também recebem a F1. A esses autódromos se juntam uma prova no travado traçado de Moscou, outra em Ímola e dois circuitos de rua: Pau e Norisring.

Sem falar na qualidade dessas pistas, o calendário também conta com características bem diferentes. Enquanto os jovens pilotos vão a Spa-Francorchamps mais preocupados em acelerar e fazer ultrapassagens, as visitas ao Red Bull Ring, Ímola, Hungaroring e aos circuitos de rua obrigam os competidores a usar a cabeça na hora de tentar alguma ultrapassagem.

Um último detalhe é que não são apenas 11 rodadas triplas. Sem valer pontos no campeonato, as equipes da F3 Europeia ainda devem participar de outros dois eventos: o Masters de F3, em Zandvoort, e o tradicional GP de Macau, no fim do ano.

FIA Formula 3 European Championship Test Hungaroring (H)

Vícios da F3 Inglesa

Uma das maiores reclamações da F3 Inglesa sempre foi o descaso dos organizadores com as equipes menores, permitindo que a Carlin levasse vantagem na hora de atrair pilotos, escalando algumas vezes até seis carros durante a temporada, enquanto as adversárias sofriam para pagar as contas. E o que aconteceu dessa vez? A Carlin voltou a ter seis pilotos, enquanto Fortec e Double R somadas têm apenas três.

Para piorar a situação, desses seis competidores, três fizeram carreira na Fortec praticamente desde que deixaram o kartismo, enquanto os outros três competem com o patrocínio da Jagoya Ayam, tirado da Double R.

Isso, entretanto, não explica tudo. Por exemplo, Jordan King já era piloto da Carlin no ano passado. Jake Dennis, por sua vez, corre com o apoio da Racing Steps Foundation, velha parceira da escuderia desde a época de Oliver Turvey e James Calado. E era bem provável que a Jagoya Ayam já fosse deixar a Double R em busca de uma equipe maior.

Por outro lado, Fortec e Double R estão mais preocupadas com a F3 Inglesa neste momento. Apesar do grid encurtado do campeonato britânicos, elas sabem que mais vale terminar na frente e ter as contas pagas no fim do mês que brigar para ficar no meio do pelotão no certame continental.

FIA Formula 3 European Championship Test Red Bull Ring Spielberg (A)

Onde estão os brasileiros?

Em 2014, Felipe Guimarães, da Double R, será o único piloto brasileiro na F3 Europeia, pois Pipo Derani, que competiu no ano passado, agora está fazendo carreira nos Estados Unidos. Assim, o que levou ao esvaziamento dos representantes do país na modalidade?

A resposta é: nada demais. Na verdade, acabou sendo apenas uma consequência. Nos últimos anos, o país teve oito pilotos nas diversas F-Renault do mundo: Bruno Bonifácio, Guilherme Silva, Victor Franzoni, Felipe Fraga, Gabriel Casagrande, Gustavo Lima, Pietro Fittipaldi e Henrique Baptista.

Fraga e Casagrande voltaram ao Brasil e estão na Stock Car. Lima decidiu seguir carreira na Inglaterra, na F4 Inglesa, enquanto Fittipaldi fará mais uma temporada na F-Renault Inglesa. Bonifácio é outro que continua na modalidade, sendo um dos candidatos ao título da F-Renault Europeia. Franzoni se mudou para os EUA, enquanto Baptista vai competir na Euroformula. Apenas Silva ainda não anunciou os planos para o futuro.

Ou seja, dos oito que competiam nos certames menores, sete continuaram a carreira dois anos depois. É uma média muito boa. No entanto, não dá para ter brasileiro em todos os lugares. Enquanto alguns campeonatos tiveram um aumento no número de participantes do país – como a GP2, GP3, USF2000 e Pro Mazda, outros encolheram, como é o caso da F3. Vamos ver se a novíssima geração será capaz de ocupar esse espaço.

Você pode acompanhar a F3 em Silverstone e os demais resultados do fim de semana clicando aqui.

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