Guia da World Series by Renault 2014

Na World Series é assim: às vezes o inimigo mora ao lado
Na World Series é assim: às vezes o inimigo mora ao lado

A temporada 2014 da World Series by Renault começa neste fim de semana, em Monza, cercada de expectativa. Afinal, com o título de Kevin Magnussen no ano passado, e a promoção do dinamarquês ao posto de titular da McLaren – onde até já conquistou um pódio –, todo mundo quer ver quem será a próxima revelação do automobilismo.

Dado o sucesso de Magnussen, era de se esperar que as 26 vagas do campeonato fossem extremamente disputadas por pilotos de todo o mundo, de olho em repetir a ascensão do nórdico, certo?

Errado! Apesar de ter revelado nomes como o próprio dinamarquês campeão, além de Stoffel Vandoorne e António Félix da Costa no ano passado, não foi isso o que aconteceu. A World Series começa 2014 com um grid minguado e muitos acordos tendo sido costurados de última hora, valendo apenas para a etapa italiana.

A situação foi tão complicada que a tradicional Carlin – bicampeã com Robert Wickens e Mikhail Aleshin – sequer conseguiu fechar com algum piloto e está de fora da prova de abertura. O time ainda negocia para voltar às pistas a partir da segunda rodada, mas já fala em tirar 2014 como um ano sabático, caso a Renault permita.

O curioso disso tudo é que não há uma explicação óbvia para a falta de pilotos. Sempre apontado como causa de todos os problemas, o dinheiro nem é um grande questão dessa vez. É verdade que o campeonato é caro, mas não custa mais que a GP2, e o orçamento não aumentou consideravelmente em relação ao ano passado. Isso sem falar que os piores momentos da crise econômica global já passaram.

Pierre Gasly é o atual campeão da F-Renault Europeia
Pierre Gasly é o atual campeão da F-Renault Eurocup

Talvez a melhor resposta seja a falta de pilotos de uma forma macro. De uma forma atípica, poucos atletas subiram de categoria em 2014. Geralmente a WSbR consegue atrair nomes da F3 Europeia, de outras F3 nacionais, da GP3 e da F-Renault. Mas neste ano muita gente optou por fazer mais um ano nesses campeonatos na tentativa de lutar pelo título. É uma tendência em praticamente todas as categoria – principalmente na GP2 –, mas que nem sempre dá certo.

Como resultado, até o momento apenas oito novatos estão fechados para 2014, sendo que dois só estão confirmados para correr em Monza. Ano passado foram dez estreantes na prova de abertura e, há dois anos, tivemos 16.

Outro fator que não pode ser ignorado é a concorrência com a GP2. A principal categoria de acesso da F1 implantou algumas medidas para reduzir o custo e aumentar o tempo de pista, o que agradou. Daí eles conseguiram atrair nomes importantes, como o próprio Vandoorne, além de André Negrão e Arthur Pic, que estavam na World Series.

Isso sem falar em Raffaele Marciello. O atual campeão da F3 Euro treinou pelos dois campeonatos durante o inverno, mas acabou optando pela GP2. Assim, com a ida do italiano, o campeonato de Bruno Michel começou 2014 com a presença direta ou indireta de Ferrari, McLaren, Williams, Caterham e Force India.

A World Series, por sua vez, ainda mantém um bom número de times da F1, com quatro (Red Bull, Caterham, Lotus e Sauber). Mas é menos que os seis ou sete dos últimos anos.

Oliver Rowland impressionou na pré-temporada
Oliver Rowland impressionou na pré-temporada

Ainda assim, ter um grid enxuto não significa que a World Series by Renault não tenha bons pilotos. Pelo contrário. O campeonato começa 2014 com a chance de um novo embate entre Pierre Gasly e Oliver Rowland. Os dois lutaram pelo título da F-Renault no ano passado, com francês levando a melhor após um acidente entre os dois na última prova. No entanto, o britânico acabou tendo um desempenho superior durante a pré-temporada.

Quem também deve entrar na briga são os companheiros dos dois. É verdade que Rowland assumiu o carro que já foi pilotado por Robin Frijns e Stoffel Vandoorne na Fortec, mas o inglês não terá vida fácil, pois tem Sergey Sirotkin como parceiro. Mesmo tendo ficado de fora na F1 neste ano, o russo não desanimou e foi um dos nomes mais constantes nos treinos de inverno.

Gasly, por sua vez, correrá pela Arden neste ano, mas a maior ameaça a ele será o colega de Red Bull Junior Team Carlos Sainz Jr. O espanhol foi contratado pela Dams para substituir Kevin Magnussen e, portanto, terá um equipamento comprovadamente vencedor. Depois de ter sido ofuscado por Daniil Kvyat em 2013, Sainz espera dar a volta por cima e pavimentar o caminho a uma vaga na Toro Rosso.

O outro piloto da Dams será Norman Nato, que renovou o contrato com a equipe. O francês teve altos e baixos durante o inverno, mas pode usar a experiência acumulada para andar na frente. O segundo nome da Arden, William Buller, também não deve ser descartado.

Pietro Fantin é o único brasileiro no campeonato
Pietro Fantin é o único brasileiro no campeonato

Se no ano passado o Brasil teve quatro representantes na World Series by Renault, agora apenas Pietro Fantin continua no campeonato. Porém, as chances de bons resultados aumentaram. O paranaense trocou a Arden Caterham pela ítalo-brasileira Draco e, pela primeira vez nos últimos anos, terá a maior parte da atenção da equipe.

E os resultados não demoraram a vir. Fantin esteve sempre entre os mais rápidos da pré-temporada, chegando até mesmo a liderar algumas sessões. Além disso, ele conta com um equipamento que conquistou duas vitórias no último campeonato, com Nico Müller. Vale lembrar que o último triunfo de um brasileiro no certame foi em 2008 com Fabio Carbone.

Para encerrar o grid de 2014, Marco Sorensen, agora na Tech 1, quer tentar dar à Dinamarca o bicampeonato do certame após mostrar momentos de muito arrojo nos dois últimos anos. Will Stevens, por sua vez, não teve uma boa pré-temporada, mas é dono de muita velocidade ao longo da carreira e corre por fora na luta pela taça.

Jazeman Jaafar, na ISR, é outro nome que pode surpreender após um inverno de altos e baixos. O campeonato ainda viu a chegada de Roberto Merhi (ex-piloto da Mercedes no DTM) e Beitske Visser (ex-Red Bull). A holandesa, aliás, será a primeira mulher a competir na categoria desde Pippa Mann, em 2008.

Desde que deixou o kartismo, Beitske disputou duas temporadas nos carros na Adac Masters, conquistando três vitórias, mas sempre ficando longe da luta pelo título. Por causa disso, o pulo para a World Series by Renault pode ser considerado grande demais. Para conferir todo o grid de 2014, basta clicar aqui.

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