Destino manifesto

Gene Haas deve ter a própria equipe na F1
Gene Haas deve ter a própria equipe na F1

Embora tenha vivido um fim de semana bastante chuvoso, com a corrida do Texas sendo realizada apenas nesta segunda-feira, a Nascar teve dias bastante agitados no noticiário internacional. Tudo por causa da possível expansão de duas equipes para outros mercados. Enquanto a (Stewart) Haas deve ser aceita na F1, a Penske reiterou o interesse de participar da V8 Supercars, na Austrália.

Quem vê essas duas notícias pode achar que o automobilismo, em breve, será dominado apenas por megaequipes em todo o mundo. Na verdade, isso já está acontecendo. Além dos planos de Haas e Penske, podemos pegar como exemplo a Marc VDS, que disputa a MotoGP, a Nascar Europeia e campeonatos de GT, ou a Triple Eight, uma das principais escuderias tanto da V8 Supercars quanto do BTCC.

Mas não é exatamente essa a situação quando falamos das duas equipes da Nascar. Os planos de inscrever carros nesses novos campeonatos vão muito além da competição.

Para começar, o interesse de Gene Haas pela principal categoria do mundo é antigo. O sócio de Tony Stewart no certame americano já havia estudado participar do torneio em 2010, após o colapso da USF1, mas só neste ano decidiu entrar no processo seletivo. O projeto deu certo, e, em uma conversa com jornalistas durante o GP do Bahrein, Bernie Ecclestone afirmou que a empreitada do americano deverá ser aceita.

Só que participar da F1 não é uma tarefa tão simples. Na verdade, a categoria hoje não é apenas uma disputa entre os carros, mas uma forma que diversas empresas têm de ganhar dinheiro. Mercedes, Renault, Ferrari, McLaren, Caterham e até mesmo Marussia usam o certame para expor as marcas e vender mais carros.

A Red Bull, obviamente, faz algo parecido, mas a ideia é promover e alavancar o consumo da bebida energética. A Force India serve para divulgar as empresas de Vijay Mallya, enquanto a Lotus foi usada como um apoio para a Genii ganhar algum dinheiro e ter a F1 como plataforma para expandir os negócios com empresas de todo o mundo. Apenas Williams e Sauber são equipes de corrida, embora a primeira tenha desenvolvido um importante centro de tecnologia.

Por isso, por que a Haas faria parte da F1? Claro que existe o lado da competição, de correr contra os melhores. Mas Gene Haas tem mais do que isso a oferecer. A empresa Haas CNC – fabricante de maquinários pesados para fábricas – fatura US$ 1 bilhão por ano e quer ter uma presença ainda maior no mercado asiático, justamente onde a F1 tem ido cada vez mais.

Roger Penske sabe como ganhar dinheiro com o automobilismo
Roger Penske sabe como ganhar dinheiro com o automobilismo

Para poder fazer negócios do outro lado do mundo, o americano montou uma equipe que conta com o apoio da Ferrari, um túnel de vento já construído em Charlotte – usado por algumas escuderias da F1 – e contatos com a Dallara e com o engenheiro Gunther Steiner. É um plano tão coerente que nem parece algo do automobilismo.

Roger Penske, por sua vez, já esteve na F1, mas desde o fim da década de 1970 tem focado apenas nos Estados Unidos. Enquanto ganhava campeonatos na Indy, o dirigente construiu um império em empresas, movido principalmente por um serviço de aluguel de caminhões com mais de 200 mil veículos em todo o mundo.

Qual o resultado disso? Basta ver que entre os principais patrocinadores do time estão a Shell (combustível), Discount Tire (pneus), Alliance Auto Parts (autopeças) e Hitachi (ferramentas). Todas estão diretamente ligadas com o negócio de caminhões.

Por isso, quando Roger Penske diz que esteve na Austrália algumas vezes no ano passado para acompanhar a V8 Supercars e ter algumas reuniões importantes não é apenas porque ele é fã da categoria. Há alguma coisa no mercado australiano que serve como oportunidade para ganhar dinheiro.

3 comentários sobre “Destino manifesto

  1. Gunther Steiner????

    Aquele que fazia parte da bagunça da Jaguar e que levou um pé na bunda da Red Bull?

    Começou muito bem o Gene Haas…

    Alguns acham que a Force India é fachada para lavagem de dinheiro.Voce diz que é apenas uma forma do tio Vijay expor suas empresas.

    Não sei.Mas será que o Briatore hindu não pode ser considerado um cara com muito dinheiro e vontade de ser um garagista como Frank Williams,Peter Sauber ou o antigo dono da sua equipe Eddie Jordan?

    Ainda que o cara não tenha nenhuma ligação com o automobilismo,não vejo nada que impeça a Force India de ser chamada como “equipe de corrida”.

    Curtir

    1. Acho que a gente pode chamar todas de equipes de corrida que não seria absurdo. O que eu quis dizer é que há uma diferença entre Williams e Sauber, que entraram no esporte pelas corridas em si, há muitos anos, e a Force India, que jamais competiu de nada antes de se aventurar na F1.

      E o Gunther Steiner é esse mesmo. Na verdade, ele nem saiu da Red Bull. Foi trabalhar na divisão da Nascar da equipe e depois acabou ficando pelos EUA até agora.

      Curtir

      1. Entendi.

        É porque vejo um esforço no Vijay Mallya que me faz pensar que a equipe dele não é apenas um instrumento para falcatruas ou para marketing.

        Pode ser ingenuidade minha,mas acho que realmente existe algo na Force India que me faz pensar que ela não é uma Lotus/Genii,por exemplo.

        Pra mim ele tinha sido demitido depois que o Newey chegou.

        Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s