Nem tão base assim

A F4 Sudamericana começa neste fim de semana
A F4 Sudamericana começa neste fim de semana

Este fim de semana marca um novo capítulo na história do automobilismo da América do Sul. Após a expansão da Ásia e da América do Norte no cenário internacional do esporte a motor, chegou a hora de o Cone Sul tentar dar o troco. Para isso, a F4 Sudamericana foi criada, tendo como objetivo revelar novos talentos.

O campeonato idealizado pela federação uruguaia e pelo ex-piloto Gerardo Salaverría surgiu promissor, afinal, visava unir Argentina, Uruguai e Brasil (e outros países interessados) em um único torneio economicamente viável – algo que a F3 não conseguiu nos últimos 15 anos. A consequência, claro, seria o fortalecimento desses países no desenvolvimento dos atletas.

Para alcançar esses objetivos, eles compraram os carros da Signatech, usados aqui no Brasil na extinta F-Futuro e que até hoje competem na Europa na F-Renault 1.6.

Só que em algum momento esses planos não deram certo. Para a primeira etapa, marcada para o circuito de Mercedes, no Uruguai, apenas oito pilotos estarão presentes. São dois representantes correndo em casa, além de três argentinos e três brasileiros – Bruno Baptista, Felipe Ortiz e Enzo Bortoletto.

O problema é que o grid não é apenas enxuto. Dos cinco estrangeiros, dois tem 24 anos, um tem 22, um tem 31 (!) e o outro – Frederick Balbi –, 17 (a média de idade dos cinco é de 23,6 anos). Baptista, o mais velho dos três brasileiros, tem apenas 16. Ou seja, se alguém – assim como eu – acreditou que a F4 Sudamericana serviria como primeiro passo para meninos e meninas após o kartismo, parece que as coisas não são bem assim.

A F4 terá apenas oito carros na abertura
A F4 terá apenas oito carros na abertura

Mas isso não é algo que deva preocupar os três representantes do país. Pelo contrário. Competir contra adversários em tese sete anos mais experientes é algo positivo. Eles vão precisar apressar a adaptação à categoria e o desenvolvimento como piloto para conseguir superar a bagagem já acumulada pelos concorrentes.

Dessa forma, não dá para cobrar resultado. Dentro desse cenário, já será positivo se os brasileiros conseguirem competir de igual para igual contra os demais pilotos. Além disso, o mais importante agora é ter uma boa formação e conseguir estar bem preparado para seguir carreira, seja aqui no Brasil, na Europa ou nos Estados Unidos.

Se alguém deveria ficar constrangido com esse grid não são os pilotos brasileiros, mas os organizadores. Quando o certame tem objetivo de revelar novos talentos, não faz sentido colocar um competidor com o dobro da idade do público-alvo.

E o regulamento também tem alguns detalhes curiosos. Por exemplo, a pontuação para as duas corridas é a mesma da F1, sendo que a segunda prova é disputada com a regra do grid invertido. Como são apenas oito competidores, isso quer dizer que o último colocado em uma bateria será premiado com a pole na disputa seguinte.

Consequentemente, se um piloto não for competitivo ao longo do fim de semana, ele ainda ganha a chance de largar na frente e tentar vencer de ponta a ponta. Caso consiga, ele marcará 25 pontos. Já é mais que alguém que termine duas vezes em quarto, brigando pela liderança em ambas as provas. Muito justo em termos esportivos, não?

Apesar dos problemas, a F4 pode tomar a F-Futuro como inspiração. Se o primeiro ano do extinto campeonato teve diversos defeitos, Felipe Massa e os demais organizadores conseguiram corrigir parte deles antes de fechar as portas devido ao fim do apoio da Fiat. Por mais que não pareça animador, os resultados estão nas pistas do mundo todo, com Victor Franzoni, Guilherme Silva, Guilherme Salas e Felipe Donato mostrando que tiveram uma boa base.

4 comentários sobre “Nem tão base assim

  1. Mas aí foi mancada da orgnaização. Se tivessem tomado o cuidado de não chocar as datas da F4 com a F3 Brasil e com a F 1.6 gaúcha, teriam a possibilidade de atrair pilotos dessas categorias. Como o custo é baixo, os jovens pilotos poderiam vir para ganhar tempo de pista.

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    1. Se você pensar bem, para um país que praticamente nao tinha categorias menores um tempo atrás, as coisas não estão tão ruins né?

      Eu só discordo um pouco no conflito com a F3. Acho que embora disputem um nicho parecido de pilotos, se a F4 tivesse um grid melhor de Sul-americanos, não faltariam interessados. Mas que ela deu azar de ser criada no ano do ressurgimento da F3 por aqui, isso ela deu.

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  2. É o mambembe automobilismo sudaca. Sempre acaba aparecendo os caras que nao conseguiram ou desistiram de subir de categoria, pelos mais diversos motivos, e fazem carreira em categoria de base. Quem vai se esquecer (ou quem lebraria…) de Gabriel Furlan e o bizarro tricampeonato de Formula 3 sudam, numa carreira de bizarros 10 anos na categoria?

    Mas se os precos forem justificáveis, é mais barato do que encarar logo a europa depois do kart.

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    1. Mas a presença do Furlán era boa, porque ele servia de parametro para os brasileiros. Quem o vencia, geralmente tinha sucesso na carreira. O problema não é ter um cara mais velho, mas metade do grid assim…

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