Tudo começou com este nome
Tudo começou com este nome

Não foi só a F1 que teve um mercado de pilotos agitado para 2014. Quem também teve um inverno cheio de novidades foi a Indy. Na tentativa de resgatar a popularidade perdida nas últimas décadas, o campeonato viu o retorno de um grande nome – Juan Pablo Montoya –, além de mudanças nos principais times.

Para entender como o grid da Indy em 2014 foi formado é preciso, antes, olhar para a Nascar. Tudo começou quando a Ganassi comunicou a Montoya que não ia renovar o contrato para este ano e daria uma chance ao jovem Kyle Larson, então na Nationwide.

O colombiano não aceitou muito bem a substituição. Apesar de ter vindo de três fracas temporadas, entre 2011 e 2013, o piloto imaginava merecer um pouco mais de gratidão, afinal ele lutou pelo título de 2009, venceu um campeonato da Indy, uma 500 Milhas de Indianápolis e deixou a F1 para se juntar à Nascar em uma época que a categoria praticamente não tinha projeção internacional.

Dando a volta por cima após a dispensa, Montoya surpreendeu a todos ao anunciar o acordo com a Penske, a maior rival da Ganassi. Mais inacreditável ainda foi a parceria acontecer na Indy e não na Nascar, ainda mais levando em conta a forma física do colombiano.

Só que Chip Ganassi não é bobo. Apesar de tê-lo substituído, o dirigente sabe do potencial do veterano. Para tentar esfriar toda a expectativa criada em cima da Penske com o retorno de Montoya, o americano estava disposto a também trazer um nome de peso. O escolhido foi Tony Kanaan, que já havia negociado com o time duas oportunidades ao longo da carreira.

Nas duas primeiras tratativas, as conversas não deram certo, e Kanaan acabou ficando na Mo Numm e depois na Andretti. Dessa vez, o baiano vivia uma realidade diferente na KV. Em uma escuderia sem os mesmos recursos, o brasileiro conseguiu vencer as 500 Milhas de Indianápolis, mas já estava cansado de precisar correr atrás de patrocinador e todo ano viver indefinições quanto a patrocínio e desempenho.

Tony, assim, recebeu duas propostas. A primeira era renovar com a KV, mas sem a necessidade de trazer dinheiro e com salário garantido. A outra, da Ganassi. O baiano não precisou pensar duas vezes e acabou aceitando pilotar o carro número 8 e voltar a ser companheiro de equipe do amigo Dario Franchitti.

Enfim Kanaan acertou com a Ganassi
Enfim Kanaan acertou com a Ganassi

Enquanto a história na Ganassi acalmou momentaneamente. Quem entrou no mercado foi a KV. O time de Jimmy Vasser e Kevin Kalkhoven não só perdeu Tony Kanaan, mas também ficou sabendo que Simona de Silvestro deixaria a Indy para se juntar à Sauber, na F1.

Disposta trazer um nome de peso, a KV procurou James Hinchcliffe, que estava com o futuro ameaçado na Andretti após a perda do patrocínio da GoDaddy. O canadense recebeu a mesma proposta que Kanaan, mas tinha um prazo apertado para tomar uma decisão. Essa negociação ligou o sinal amarelo na Andretti, que poderia ficar enfraquecida em um ano em que Penske e Ganassi se reforçaram.

A solução foi renovar o contrato de Hinchcliffe e correr atrás de algum de algum patrocinador. Com os dois primeiros nomes da lista longe, a KV então iniciou conversas com Sébastien Bourdais, esperando que o francês recupere o bom momento alcançando com o pentacampeonato da Champ Car. Como a Dragon estava deixando a Indy, o gaulês não teve dúvidas e abraçou a nova oportunidade.

Enquanto as equipes menores aproveitavam as últimas etapas de 2013 para testar novos nomes, a Ganassi inesperadamente voltou ao mercado. Por causa de um grave acidente sofrido na corrida de Houston, Dario Franchitti foi obrigado a abandonar a carreira, abrindo a vaga no carro 10, tricampeão e duas vezes vencedor da Indy 500 com o escocês.

Diversos nomes apareceram concorrendo ao lugar, como Carlos Muñoz, Alex Tagliani e até mesmo Paul Di Resta. No entanto, Chip Ganassi optou por uma solução caseira. Sabendo da pressão dos patrocinadores para ter um piloto lutando pelas vitórias, o dirigente promoveu Kanaan ao carro vago e assinou com Ryan Briscoe para substituir o brasileiro no 8.

A Andretti correu para manter Hinchcliffe
A Andretti correu para manter Hinchcliffe

Essa, na verdade, não era a primeira opção de Briscoe no mercado. O ex-piloto da Penske tinha um acordo para competir com a Panther, mas esperava o time de John Barnes confirmar a manutenção da National Guard como patrocinadora.

De acordo com a lei americana, os patrocínios militares só podem ter um ano de duração e as entidades precisam avaliar a proposta de cada equipe interessada antes de escolher com quem fechar. Sabendo disso, a Rahal Letterman Laningan (RLL) entrou na briga e também enviou um documento à National Guard pedindo pelo investimento.

Apesar de todo histórico com a Panther, a entidade acabou mudando de equipe. Enquanto o time de John Barnes pedia US$ 17 milhões, Bobby Rahal montou um projeto de US$ 12 milhões, além de oferecer um pacote promocional com David Letteman e Graham Rahal (americano, de sobrenome famoso), o que acabou sendo suficiente.

Sem o dinheiro da National Guard, a Panther chegou a treinar com Carlos Huertas, esperando que o garoto vindo da World Series by Renault conseguisse tirar a equipe da crise com o dinheiro colombiano. No entanto, o acerto não deu certo, e o piloto acabou fechando com a Dale Coyne para ser companheiro de Justin Wilson nas etapas nos ovais.

Entre as demais equipes, a Sam Schmidt liberou Tristan Vautier após o fraco ano de estreia para a chegada de Mikhail Aleshin e do dinheiro russo do banco SMP. Mike Conway trocou a Coyne pelo time de Ed Carpenter, correndo também apenas nos mistos enquanto disputa o WEC nas demais datas, e Carlos Muñoz e Jack Hawksworth subiram da Indy Lights para a categoria principal por Andretti e Bryan Herta, respectivamente.