A Indy começa 2014 com números modestos
A Indy começa 2014 com números modestos

Chegou a hora de a Indy dar o pontapé inicial da temporada 2014. Com a primeira etapa do campeonato marcada para este fim de semana, em São Petersburgo, a categoria norte-americana divulgou nesta segunda-feira, dia 24, a lista de inscritos para a corrida com 22 participantes e duas ausências.

A primeira é a Dragon. A escuderia de Jay Penske já havia dito que não ia competir em 2014, pois se mudou para a F-E, dos carros elétricos. O outro time de fora é a tradicional Panther. Após conquistar dois títulos com Sam Hornish Jr na última década, a equipe perdeu o principal patrocinador e por isso, ao menos por enquanto, não vai estar nas pistas.

Como consequência, o grid também acabou sofrendo. As últimas etapas da Indy no ano passado reuniram 24 ou 25 carros, enquanto este ano serão apenas 22 participantes nesta primeira prova.

Alguém pode tentar minimizar a saída de Panther e Dragon dizendo que o grid se manteve mais ou menos intacto, já que Penske e Ganassi ampliaram as operações e terão três ou quatro carros, respectivamente, no novo campeonato.

Só que essa é uma matemática perigosa. Tirar duas equipes pequenas e acrescentar dois carros nos times grandes não é trocar seis por meia dúzia.

O grid está mais esvaizado
O grid está mais esvaziado

Na verdade, o que mostra a saúde de um campeonato é o número de escuderias menores – aquelas que já começam o ano sabendo que não têm chances de vencer – que competem. Para provar isso, basta ver que pela terceira vez em cinco ou seis anos a F1 abriu o processo de inscrições para novas equipes, a MotoGP criou as CRT e o regulamento Open e a Nascar não fez muitas objeções aos start-and-park.

Há uma percepção de que não importa muito para público ou investidores que mais da metade dos participantes não tem condições de ser competitiva. O problema é quando esses times não existem, e a disputa se resume a duas ou três equipes grandes em um grid enxuto.

E a Indy vai seguindo perigosamente para esse caminho. Com as 11 equipes inscritas de forma integral para este ano – Penske, Ganassi, Andretti, Foyt, Bryan Herta, Dale Coyne, Carpenter, KV, RLL, Sarah Fisher e Sam Schmidt –, a categoria atingiu o menor número de escuderias desde antes fusão entre IRL e Champ Car em 2008 (veja o número de equipes no gráfico abaixo).

equipes indy

Consequentemente, o número de carros também diminuiu. Basta lembrar que a etapa de Las Vegas de 2011 – que matou Dan Wheldon – teve 34 participantes. Hoje a Indy começa o campeonato com menos de 2/3 desse número. É óbvio que ninguém quer uma nova tragédia, mas isso deixa claro o êxodo de competidores.

Há dois pontos chave para entender a diminuição do grid: a traumática transição para os novos carros, em 2012, quando os motores da Lotus não eram competitivos, e Chevrolet e Honda não tinham condições de fornecer propulsores para todo mundo; e a saída de Randy Bernard, que estava em rota de colisão com algumas equipes.

Apesar de a mudança no comando da Indy ter sido considerada positiva, o número de participantes vem diminuindo a cada ano.

O que pode dar um novo fôlego à categoria é um planejamento técnico. No ano passado, a Indy já havia anunciado um plano para enfim colocar os kits aerodinâmicos, aumentar a velocidade, trazer novos motores e até mesmo colocar um novo carro até 2021. É verdade que isso significa um custo maior, mas pode ser o suficiente – junto com um bom plano de negócios – para voltar a atrair novos times.