Embed from Getty Images

A F1 está de volta. Depois de um longo período de rumores, testes e agitação apenas nos bastidores, a principal categoria do automobilismo mundial retornou às pistas no último domingo, dia 16, para a disputa do GP da Austrália, em Melbourne. Cumprindo todas as expectativas, Nico Rosberg não deu chances aos adversários e conquistou a vitória.

O triunfo do alemão não pode ser dito como uma surpresa. Pelo contrário. Desde o início da pré-temporada, a Mercedes já aparecia como a equipe a ser batida. Embora tenha sido superada por Williams, Force India e McLaren aqui e ali, a montadora alemã fez valer a consistência e o bom equipamento para terminar na frente.

Quem acompanhou a F1 no ano passado lembra que não foram poucas as vezes que os carros prateados estavam na frente do grid, mas acabavam perdendo terreno conforme a corrida se desenrolava e o desgaste dos pneus se acentuava.

Com a mudança dos compostos depois do fiasco do GP da Inglaterra do ano passado e com o consequente domínio da Red Bull, a Mercedes percebeu que era melhor passar a focar no equipamento deste ano.

A tática deu certo. Com mais tempo para desenvolver o W05, a equipe alemã não só conseguiu fazer a nova máquina continuar com a velocidade e com o desempenho que já tinha, mas também fez os pneus não serem mais problemas, ao que pese a Pirelli também ter criado um composto mais conservador para as primeiras corridas deste ano.

A maior prova disso é que Rosberg foi o último dos líderes a fazer a segunda parada na Austrália, mostrando claramente que o desgaste da borracha não é mais problema.

Embed from Getty Images

Nessa primeira corrida de 2014, a impressão que ficou é que, se alguém for capaz de fazer frente à escuderia de Brackley, é a Williams. O time de Grove viu Valtteri Bottas fazer diversas ultrapassagens em carros mais lentos – incluindo em cima da Ferrari de Kimi Raikkonen – mas o piloto terminou apenas na quinta posição.

O problema para a Williams é que a importância de largar na frente ainda continua na F1. No treino classificatório, disputado debaixo de chuva no sábado, o time só conseguiu a nona colocação com Felipe Massa e viu Bottas ser obrigado a sair em 15º em decorrência de uma punição por trocar a caixa de câmbio.

Largando lá atrás fica praticamente impossível vencer uma corrida. Pior que isso, é mais fácil se envolver em incidentes. Como resultado, Massa foi tirado da prova logo no começo por Kamui Kobayashi – com um problema de freio na Caterham – e Bottas cometeu um erro quando tentava chegar em Fernando Alonso, acabou batendo no muro e foi obrigado a novamente escalar o pelotão tendo sofrido com um pneu furado.

Por isso, se a Williams quiser aproveitar esse bom momento que vive, é fundamental que largue bem na Malásia. Ah, mas choveu em Melbourne, alguém pode dizer. É verdade, mas a chuva também afetou a Mercedes e nem por isso eles deixaram de ocupar a primeira e a terceira colocações do grid.

Por fim, o GP da Austrália ainda marcou o melhor resultado de um novato na estreia na F1 desde 1996, quando Jacques Villeneuve terminou na segunda colocação em Melbourne. Agora, 18 anos depois, foi a vez de Kevin Magnussen, da McLaren, repetir o resultado do canadense.

O dinamarquês fechou a corrida em terceiro, mas foi promovido ao segundo posto após a desclassificação de Daniel Ricciardo.

Falando nisso, quem merece os parabéns é o olheiro da McLaren. A equipe inglesa já acompanhava a carreira de Magnussen antes mesmo de o piloto competir na F3 Inglesa, em 2011, e resolveu investir no garoto, mesmo que até então ele nunca tivesse conquistado um título fora da Dinamarca.

Depois disso, Kevin não só venceu a World Series by Renault como rapidamente se desenvolveu em um piloto de ponta, sendo rápido desde a primeira vez em que entrou em um F1. E é bom Jenson Button se cuidar. Enquanto o inglês levou a McLaren também ao terceiro lugar na Austrália, Stoffel Vandoorne, o reserva da equipe, está começando na GP2 e está disposto a no mínimo repetir o desempenho de Magnussen se tiver uma oportunidade na F1.